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As lições de Moneyball para o mundo corporativo


No início deste ano, foi lançado no Brasil o filme Moneyball – O homem que mudou o jogo, que inclusive concorreu às principais categorias do Oscar. Baseado em fatos reais, ele conta a história de Billy Beane, ex-jogador de beisebol e gerente geral do Oakland Athletics. O filme foi adaptado do livro Moneyball – The art of winning an unfair game, de Michael Lewis, cuja tradução literal seria “a arte de ganhar um jogo injusto”. Seja mudando o jogo ou triunfando em um esporte incorreto, a história retratada de Beane revela lições que extrapolam qualquer esporte e oferece valiosos exemplos sobre o processo de se montar uma equipe capaz de trazer resultados, mesmo com recursos limitados.

O filme começa no fim de 2001, em que o Oakland Athletics realizou uma surpreendente boa temporada e quase se classificou para a pós-temporada, perdendo o jogo decisivo para o New York Yankees, um dos maiores e mais tradicionais times da liga. Meio à inevitável saída de seus jogadores mais talentosos, Billy Beane, gerente dos Athletics, encara o desafio de montar uma nova equipe, que seja tão competitiva quanto as maiores da liga, entretanto, com um orçamento muito inferior.

Ao invés de seguir o método tradicional de contratações, feito a partir de recomendações da equipe de olheiros do time, Beane se arrisca adotando o modelo criado pelo jovem Peter Brand, um recém-formado economista. A ideia de Brand era contratar jogadores “invisíveis”, ou seja, que até então não despertaram a atenção de nenhuma equipe, mas que em conjunto, sejam capazes de produzir um resultado semelhante ao de um time campeão. Para isso, o jovem desenvolveu um software que armazenava a média dos atributos de cada jogador da liga. Assim, olhando apenas aos números, seria possível montar uma equipe com potencial de campeã dentro do orçamento disponível.

O filme se desenrola de forma muito envolvente, exibindo o conflito causado pela atitude de Beane em relação a olheiros, torcedores e técnico dos Athletics. Se a inovadora estratégia de recrutamento rendeu o resultado esperado, deixemos a resposta para o final do filme. Até este ponto, já há elementos suficientes para refletirmos. Primeiramente, há de se ressaltar a obstinação de Beane para criar uma equipe competitiva.

Em sua análise, houve a percepção de que, se utilizasse o sistema de recrutamento convencional, o time dificilmente teria condições de disputar o título da liga. O que poderia ser encarado como um limite e gerado conformismo, tornou-se o impulso para que o gerente buscasse uma alternativa até então nunca utilizada, que ao ser levada às últimas consequências, colocaria a todo tempo seu cargo em jogo. Mais do que sair da zona de conforto, Beane fez questão de se colocar na função de um para-raio.

Outra questão interessante é a adoção de métodos absolutamente estatísticos no recrutamento, ao invés de uma seleção com base em conhecimento empírico. No filme, a equipe de olheiros oferece nomes que, quando não estavam fora da realidade do clube, careciam de técnica. Assim, todo seu conhecimento foi substituído por um software que apresentava as médias de cada jogador ao longo do ano, o que desconsiderava competências importantes, como experiência, comportamento sob pressão ou capacidade de execução em momentos decisivos.

Por todas essas questões, Moneyball é um filme muito interessante, obrigatório tanto para quem lidera equipes ou faz parte de uma.
 

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