Londres – lição de planejamento ao mundo
By Blog TOTVS, On 11/29/11 1:12 PM
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A pouco menos de oito meses das Olimpíadas, Londres mostra ao mundo estar preparada para sediar o mais importante evento esportivo do planeta. Aparentemente, a mobilização para organizar os preparativos não foi tão grande, devido à estrutura já existente na cidade. Entretanto, quem visitar a capital da Inglaterra atualmente vai se deparar com andaimes próximos ao Big Ben ou reformas em diversas linhas do metrô, entre muitas outras obras.
Hoje, Londres encara o desafio de conciliar as atividades voltadas à recepção de turistas com as obras para as Olimpíadas, uma preocupação já enfrentada pelo Rio de Janeiro, sede dos próximos jogos em 2016. Analisando o comportamento dos britânicos, mesmo de longe, não é difícil imaginar o segredo para a sua boa gestão de obras e projetos.
Conforme publicação do PortalBBC, em julho deste ano, as obras estavam 88% completas. Conforme este relatório, o custo final do torneio deverá ser de 7,5 bilhões de libras (aproximadamente R$19 milhões), o que representaria 16 milhões de libras a menos do que o último orçamento estimado, em maio de 2012. A economia se torna ainda maior quando comparamos o custo previsto ao primeiro orçamento estimado, de 9,3 bilhões de libras (R$27 bilhões).
Tamanho empenho só poderia levar a um resultado satisfatório. De acordo com dados do UOL, os ingleses acabaram extrapolando as últimas estimativas do custo total, mas não o orçamento inicial, fechando tudo em exatas 9,3 bilhões de libras. E o melhor: encerrando as obras com praticamente um ano de antecedência. Atualmente, a cidade está em fase de testes e, salvo um pedaço do forro de um shopping que se soltou, nenhuma falha foi detectada.
Esta é uma grande lição de gestão de obras e projetos que a Inglaterra deixa ao mundo, em especial ao Rio de Janeiro. A seriedade adotada com o planejamento de cada realização está presente desde o nome da empresa responsável pelas Olimpíadas: ODA (Olympic Delivery Authority), sigla para Autoridade de Entrega Olímpica. A preocupação com a economia era digna de uma nação a caminho da guerra. As salas de reuniões da ODA eram, inclusive, apelidadas com nomes de oficiais da II Guerra Mundial.
Esta analogia pode parecer exagerada, mas, considerando a atual situação de crise da Europa, é uma verdadeira demonstração de respeito. Junto aos gastos com as Olimpíadas, a Inglaterra vive um período de cortes orçamentários, alta de desemprego, violência e necessidades de infraestrutura em transportes públicos nas regiões mais pobres. Até para combater esses problemas, a II Guerra se faz presente: restos da Londres bombardeada foram reutilizados em construções de paredes, calçadas e fundações.
Howard Shiplee, chefe da ODA, vive reforçando uma máxima do famoso General Patton durante a guerra: “estudos amadores mesclados com estudos profissionais de logística”. Não à toa, os projetistas que trabalharam com ele apelidaram sua sala de reuniões de “Patton room” (sala de Patton).
A nós, resta torcer para que as autoridades brasileiras assimilem o exemplo inglês. E, se nos faltam exemplos nacionais da II Guerra, ao menos podemos esperar que o Rio de Janeiro adote o bordão de um de seus mais famosos personagens: “missão dada é missão cumprida”.
Em tempo: confira uma amostra dos preparativos de Londres para as Olimpíadas neste vídeo, que tem a participação de ingleses ilustres, como Jeremy Irons, Roger Moore, Joseph Fiennes e David Beckham – http://totvs.vc/lon2012.