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Saiba quem é o profissional da indústria 4.0

02/01/17 - por Umberto Tonin
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O profissional da indústria 4.0
A automação dos equipamentos vai mudar também a forma de trabalhar das pessoas

Por Umberto Tonin, arquiteto Digital da TOTVS

A quarta revolução industrial já está em andamento em todo o mundo, impulsionada pela aplicação de sensores para automação digital das máquinas, por tecnologias para monitoramento e controle da produção em tempo real (como o Manufacturing Execution Systems - MES) e por sistemas de coleta, processamento e análise de uma quantidade imensurável de dados. A aplicação em larga escala dessas inovações fará a indústria 4.0 tornar-se uma realidade, com potencial de integração máxima do supply chain – ou seja, de todos os agentes da cadeia produtiva.

Ainda é difícil determinar, com exatidão, quais mudanças ocorrerão em um modelo de produção descentralizado, no qual as máquinas se intercomunicam e são capazes de tomar decisões autônomas para prever contingências e solucionar perdas de eficiência e produtividade. As possibilidades são praticamente infinitas. No entanto, é certo que as modificações terão impacto não apenas nos processos de fabricação dos produtos, mas também no perfil dos profissionais da manufatura.

Quatro características principais se sobressaem no tipo de mão de obra exigido pela manufatura avançada: formação multidisciplinar, capacidade de adaptação, senso de urgência e bom relacionamento.

O profissional multidisciplinar é aquele interessado em adquirir know-how nas áreas de tecnologia da informação, controle da qualidade, saúde e segurança no trabalho, gestão ambiental e de recursos humanos e até da filosofia e psicologia. Ao aliar conhecimentos tão diversos e distintos, esses técnicos e engenheiros estarão aptos a identificar novas formas de gerar valor nos processos produtivos – como a utilização de materiais que garantem a qualidade do produto, mas evitam a poluição ou contaminação de rios e do solo.

Esse profissional será valorizado na indústria 4.0 por sua competência para buscar inovações. Com as ferramentas e informações adequadas, ele estará diante de um “oceano azul” para melhorias, customização de produtos, reduções de custos e modificações nas relações entre os agentes da cadeia trazidas. Para aproveitar essas oportunidades, o profissional terá de extrapolar as fronteiras dos conhecimentos específicos adquiridos em faculdades e em outros cursos.

A capacidade de adaptação é outra característica que será de grande importância nesse novo cenário em que as máquinas não apenas são programadas para um determinado processo, mas também tem “habilidades” para prever quebras e demandar manutenções programadas, por exemplo. Um técnico de manufatura terá de estar pronto para lidar com softwares, novas tecnologias e soluções tão rapidamente quanto os sistemas evoluem, incorporando novas funcionalidades e conexões.

Um dos maiores benefícios da descentralização proporcionada pela indústria 4.0 é a possibilidade de os gestores industriais terem acesso remoto e em tempo real a uma significativa quantidade de informações antes restritas aos terminais das próprias indústrias. A tecnologia permitirá que, com tablets e smartphones, decisões estratégicas para os processos de manufatura sejam tomadas a distância e com a agilidade necessária. A rotina tradicional de turnos de trabalho será completamente alterada, demandando que os profissionais tenham capacidade de mapear os riscos em cada tipo de negócio e priorizar as ações que devem ser executadas, a fim de responder às demandas das empresas no tempo necessário e, ao mesmo tempo, manter uma rotina equilibrada e saudável.

A automação radical pela qual passará a indústria, no entanto, não vai diminuir a importância das pessoas nos processos de manufatura. A importância da mão de obra tende a migrar dos processos operacionais para os estratégicos, aumentando a relevância da colaboração entre os diferentes profissionais e setores da empresa. As soluções e inovações surgirão de projetos conduzidos por equipes multidisciplinares, nos quais a hierarquização de tarefas dá lugar a atuações descentralizadas e verticais.

O bom profissional da indústria 4.0 será capaz de agregar especialistas com conhecimentos e capacidades complementares, atuando como um líder que inspira a equipe a trabalhar em rede na busca por um objetivo comum. Para acompanhar a transformação digital da manufatura, será preciso mudar, também, a forma de se relacionar com os superiores e subordinados.

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