Manutenção Produtiva Total: conheça seus pilares e suas aplicações na indústria

Manutenção Produtiva Total: conheça seus pilares e suas aplicações na indústria

Equipe TOTVS | ERP | 15 janeiro, 2019

A forma como uma empresa cuida de seu maquinário e da sua tecnologia impacta diretamente nos resultados. Pensar na manutenção de forma estratégica evita perdas em diversos aspectos, inclusive por quebras, para ajustes ou para revisar a qualidade do produto final. E uma das ferramentas mais eficientes nesse processo é a Manutenção Produtiva Total.

Também chamado de TPM — sigla para a expressão, em inglês, Total Productive Maintenance — esse conceito surgiu nos EUA, sendo adotado pelas indústrias japonesas na década de 50. Trata-se de uma manutenção preventiva que se baseia nas condições dos equipamentos e envolve o monitoramento de parâmetros específicos, capazes de fornecer informações importantes sobre o status das máquinas. Isso permite prever a ocorrência de problemas futuros e tomar medidas para evitá-los, antes mesmo que ocorram.

A Manutenção Produtiva Total é o foco deste post. Acompanhe-o e saiba quais são os pilares da TPM e como você pode implantá-la!

O conceito da Manutenção Produtiva Total

Quando se fala em manutenção, inicialmente pensamos em:

  • ações corretivas: aquelas tomadas quando os equipamentos apresentam desempenho abaixo do esperado ou em caso de falhas. O objetivo é corrigir, restaurar e recuperar a capacidade produtiva das máquinas;
  • ações preventivas, como limpeza e troca periódica de peças e tomadas, por exemplo, seguindo uma programação específica (geralmente seguindo orientações nos manuais dos equipamentos).

Entretanto, a TPM pode ser vista como uma manutenção preventiva que se baseia nas condições dos equipamentos. Ela inclui índices de desempenho que monitoram parâmetros ou condições do maquinário e das instalações. Assim, é possível prever a ocorrência de problemas.

A grande diferença da TPM é que ela não é apenas uma nova forma de fazer manutenção de máquinas. Na verdade, é uma filosofia de gestão que muda a maneira como as pessoas encaram o seu dia a dia e lidam com os seus problemas — mesmo aqueles não relacionados diretamente ao processo produtivo.

Os benefícios da Manutenção Produtiva Total

O papel principal da TPM é fazer com que as atividades ocorram da forma como foram projetadas, evitando perdas por paradas e fugas de rotina. Assim, uma indústria ganha vantagem competitiva, pois não tem um volume considerável de interrupções.

Outro ponto positivo é o aumento da qualidade do produto, já que esse é um fator diretamente prejudicado pelas paradas de produção.

Além dessas vantagens, ainda podemos citar diversos benefícios obtidos com a implantação da TPM, incluindo:

  • aumento da vida útil dos equipamentos;
  • redução de custos, mesmo em curto prazo;
  • diminuição das interrupções do fluxo produtivo;
  • criação de uma mentalidade preventiva na empresa;
  • programação de paradas em horários mais convenientes etc.

Os pilares da Manutenção Produtiva Total

O fundamento principal da TPM é chegar a um índice nulo de falhas e quebras. Para tanto, é preciso focar em alguns pontos fundamentais, considerados os pilares da Manutenção Produtiva Total. Conheça-os a seguir.

1. Manutenção autônoma

Capacitação da mão de obra, preparando as pessoas para que se envolvam nas rotinas de manutenção e melhoria que evitam o desgaste prematuro dos equipamentos.

2. Manutenção planejada

Busca de índice zero de quebras, aumentando a eficiência dos equipamentos. Usa como base o planejamento das manutenções preventivas, preditivas e das paradas, feitas de acordo com o cronograma e os custos planejados.

3. Manutenção da qualidade

Busca de índice zero de defeitos, controlando equipamentos, materiais, atuação das pessoas e métodos aplicados para evitar gargalos de produção.

4. Melhorias específicas

Feitas para minimizar as quebras e melhorar a eficiência dos equipamentos, elas envolvem diferentes profissionais — incluindo engenheiros de processo, operadores e técnicos de manutenção.

5. Controle inicial

Analisa detalhadamente os produtos e equipamentos antes de serem fabricados e colocados em utilização, reduzindo o tempo de introdução aos processos. Para tanto, é preciso focar na criação de produtos de fácil fabricação e equipamentos de utilização simplificada.

6. Treinamento e educação

Elevação da capacitação global da mão de obra, minimizando perdas por escassez e despreparo. O ideal é alinhar-se aos conceitos da indústria 4.0, educando e treinando sistematicamente todos os envolvidos.

7. Segurança, higiene e meio ambiente

Busca por índice zero de acidentes, garantindo a segurança e evitando impactos ambientais negativos. Com um clima organizacional positivo, os funcionários ficam motivados e os clientes, mais satisfeitos.

8. Áreas administrativas

Minimização de perdas administrativas, por meio de alta eficiência. Os setores administrativos fornecem subsídio à produção e devem buscar precisão nas informações. Assim, considere utilizar um sistema de gestão integrada, que facilite o fluxo de dados e processos entre os vários setores da empresa. Um ERP é de grande utilidade para esse pilar, por ser uma das maiores garantias de dados confiáveis.

A aplicação da Manutenção Produtiva Total nas indústrias

Como colocar esses pilares em prática? Há caminhos amplamente utilizados para implantar a TPM. Confira as principais iniciativas a tomar.

Ataque diretamente as perdas

Procure aumentar a produtividade dos equipamentos, atacando as seis grandes perdas, que são:

  1. quebras: que reduzem a quantidade de itens produzidos. Fáceis de identificar e determinar, podem ser combatidas com manutenção preventiva eficiente;
  2. ajustes (ou setups): que também diminuem o número de produtos. É o tempo gasto para ajustar os equipamentos para novos produtos. Deve ser substituído por trocas rápidas;
  3. pequenas paradas: causadas por necessidade de ajustes simples ou ociosidade dos operadores;
  4. baixa velocidade: por perda de eficiência do equipamento, diminuindo o número de itens produzidos;
  5. qualidade insatisfatória: detectada depois do início do processo e que produz itens abaixo do esperado;
  6. perdas no start-up: que é a baixa qualidade detectada antes do início dos processos.

Dê autonomia às pessoas

Conforme o primeiro pilar, é preciso dar autonomia aos colaboradores, incentivando-os a se apropriarem de suas máquinas e a se tornarem parte do resultado.

Além disso, na TPM, os trabalhos concluídos pelas equipes de manutenção passam a ser de responsabilidade de todos na fábrica. Defina regimes de limpeza para os operadores e eduque-os para tomar atitudes proativas diante de problemas. Assim, a equipe de manutenção fica livre para executar outras tarefas, de maior valor agregado.

Torne o ambiente de trabalho mais seguro

A base da TPM é o conceito 5S. Dessa forma, todas as áreas precisam ser classificadas, organizadas, limpas e padronizadas. Essas ações resultarão em máquinas mais limpas e menos propensas a problemas de rotina — rolamentos soltos, vazamento de lubrificantes etc.

Sem contar que a sujeira no ambiente traz mais riscos de acidentes e problemas de saúde ao trabalhador. Além disso, adotar o layout mais adequado e organizar o fluxo de pessoas e produtos diminui a desorganização, melhora a produção e reduz os perigos à segurança da equipe.

Busque maior qualidade de saída

O pilar chamado de manutenção da qualidade integra as melhorias no processo produtivo. Assim, obtém-se um produto final muito mais satisfatório para a empresa e para o cliente final. Portanto, identifique quais defeitos estão ocorrendo e onde eles acontecem. Assim, é possível inserir atividades para melhorar a qualidade em cada ponto da linha de produção.

Utilize indicadores para comprovar os impactos

Os indicadores são cruciais para a identificação preditiva dos problemas e agilizam a tomada de decisão. Portanto, adote KPIs precisos. Veja, a seguir, os principais utilizados pelas indústrias na TPM.

Índice de Disponibilidade (ID)

A disponibilidade é afetada pelas quebras e pelos ajustes. Você pode calculá-la com base no Tempo de Operação (TO) e no Tempo Total Disponível (TTD).

As fórmulas envolvidas são:

TTD = DISPONIBILIDADE TOTAL POSSÍVEL – TEMPO GASTO COM PARADAS PROGRAMADAS

TO = TTD – PARADAS POR QUEBRAS E AJUSTES

ID = TO/TTD

Índice de Eficiência do Equipamento (IE)

Já as pequenas paradas e a baixa velocidade diminuem o IE, que é dado pela seguinte fórmula:

IE = [TO – (PERDAS POR PEQUENAS PARADAS E BAIXA VELOCIDADE)] / TO

Índice de Qualidade do Equipamento (IQ)

As perdas de start-up e por qualidade insatisfatória determinam o IQ, que é calculado da seguinte forma:

IQ = [TOTAL DE ITENS CONFORMES – (PERDAS DE START-UP E POR BAIXA QUALIDADE)]/TOTAL DE ITENS CONFORMES

Eficiência Global do Equipamento (OEE)

O conjunto desses indicadores permite encontrar a Overall Equipment Effectiveness (OEE), que trata da Eficiência Global do Equipamento. Ela reúne os índices anteriores para quantificar fatores importantes — incluindo taxa de performance, disponibilidade, taxa de qualidade e taxa de eficiência da produção. Veja como calculá-lo:

OEE = ID * IE * IQ

Agora, você já tem uma visão geral sobre a Manutenção Produtiva Total, conhecendo os seus pilares e as suas formas de aplicação. Aproveite os benefícios trazidos e obtenha o melhor resultado possível em sua produção.

Confira um artigo completo sobre manutenção preventiva e veja como começar a aplicá-la como base para a implantação da TPM!

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