Gestão do conhecimento: entendendo e transformando aprendizados em processos

Não é de hoje que a informação traz consigo muito valor para as empresas. No entanto, a transformação digital e a rápida evolução tecnológica fizeram com que ela se tornasse um verdadeiro ativo para os negócios, independentemente do seu setor de atuação. Assim, um conceito que ganhou muita importância e espaço no mercado foi a gestão do conhecimento (knowledge management).

A sua execução é tida como essencial se uma organização quer ter sucesso na transformação de ideias em valores para os seus produtos e serviços. No entanto, o assunto costuma trazer consigo uma série de dúvidas. Afinal, o que é gestão do conhecimento? Quais são os seus pilares fundamentais? De que forma ela pode ser aplicada?

Neste artigo, explicaremos tudo o que você precisa saber sobre o assunto. Confira!

A gestão do conhecimento na era da informação digital

O conceito se refere, grosso modo, aos processos de identificação dos conhecimentos necessários para o desenvolvimento de uma organização, além de avaliar se eles estão disponíveis. A prática, no entanto, é resultado de um diálogo transversal entre diferentes áreas, como gestão estratégica, sistemas de informação, teoria das organizações e gestão de TI.

Ciências mais tradicionais, como economia, sociologia e psicologia, também são fontes muito úteis para relacionar teoria e aplicação da gestão do conhecimento. Nesse sentido, é importante ter em mente que esse conjunto de processos nasce de uma demanda específica. Consequentemente, se aplicado com sucesso, promove diversos benefícios para a empresa.

Para começar, há um ganho significativo de produtividade. Isso acontece pois a gestão do conhecimento ajuda, por exemplo, a padronizar processos e diminuir a defasagem da performance nas equipes. Nesse sentido, há ainda uma aceleração da curva de aprendizagem: o compartilhamento do conhecimento é incentivado. Com isso, os profissionais participam da regulação coletiva do desempenho das equipes.

Resumidamente, trata-se de uma forma de transformar informações em conhecimento, algo que traz consigo um potencial disruptivo gigantesco, principalmente na era da digitalização dos negócios.

Dados, informação e conhecimento

Um esclarecimento importante a ser feito antes de entrarmos em detalhes sobre a natureza desse conceito é a diferença entre dados, informação e conhecimento. Esses fatores desempenham papéis importantes, principalmente em um mercado que valoriza a inovação e o uso inteligente desses recursos. Por isso, vamos às definições.

Dados são registros coletados e armazenados para representar algo, mas sem qualquer tipo de análise. O conceito de informação, por sua vez, faz referência a uma estrutura ou organização desses dados, que são a sua matéria-prima. Já o conhecimento é o resultado do processamento de informações por uma pessoa. Nesse caso, há uma relação direta com a experiência desse indivíduo, podendo modificar o seu comportamento e gerar hipóteses, por exemplo.

Tendo em mente essa relação, podemos concluir que uma empresa deve categorizar os seus recursos intelectuais para diferenciá-los, além de estabelecer formas de transformar dados em informação — e essa, por sua vez, em conhecimento.

Os pilares da gestão do conhecimento

Uma gestão do conhecimento aplicada ao ambiente de trabalho de uma organização deve levar em conta os pilares que sustentam essa estrutura.

Gestão de pessoas

Gerenciar com eficiência o conhecimento que uma empresa tem passa obrigatoriamente por uma boa gestão de pessoas. Afinal, são elas as responsáveis por adquirir, analisar, remodelar e colocar em prática esse recurso tão essencial. Por isso, a também conhecida gestão do capital intelectual começa pela identificação dos saberes que os profissionais da empresa têm.

Assim, será possível analisar quais são os conhecimentos complementares que podem ou devem ser adquiridos para benefício dos indivíduos e da empresa. Outro processo que se desdobra a partir desse é a contratação de funcionários, já que há momentos nos quais ela é uma opção mais produtiva do que concentrar esses recursos em poucas pessoas.

Nesse caso, o processo envolve também uma gestão por competências, que lida com fatores como comportamento, atitudes e habilidades de cada colaborador.

Tecnologia da Informação

A TI desempenha um papel essencial nesses processos, pois é ela quem aplica e controla os instrumentos tecnológicos que gerenciam os recursos em geral e o capital humano da empresa. Se estrategicamente o sistema de gestão (ERP) integra informações valiosas para os departamentos, a tecnologia é também o mecanismo de compartilhamento e uso inteligente do conhecimento.

Isso significa, por exemplo, contar com um ambiente virtual para mediar a comunicação entre profissionais. Nele, é possível trocar ideias, promover discussões, organizar materiais etc. Estamos falando do meio no qual o mapa de conhecimento da empresa é construído.

Gestão de processos

Todo trabalho gerenciável e controlado deve se corresponder a uma estrutura de processos. O objetivo é dar a uma equipe, por meio do seu gestor, a capacidade de planejar uma atividade de acordo com os resultados esperados. Além disso, mapear detalhadamente os processos envolve garantir a construção de conhecimento entre os profissionais, já que eles compartilharão as mesmas técnicas e estratégias de execução do trabalho.

Vale destacar que esses pilares, por mais que sejam extremamente produtivos por conta própria, são mais eficientes quando realizados em conjunto, de maneira ordenada. Para esclarecer como isso é possível, vamos agora às dicas essenciais para colocar em prática esses conceitos.

Ferramentas para a gestão do conhecimento

O mapeamento de competências, citado anteriormente, é o primeiro passo para aplicar a gestão do conhecimento. Afinal, gerenciar qualquer recurso exige, inicialmente, que o gestor saiba exatamente qual é a natureza e os detalhes daquilo com o que ele está lidando. O departamento de Recursos Humanos pode ajudar muito nesse processo, principalmente detalhando atributos como qualificações e conduta de cada profissional contratado.

O registro de aprendizagem, por sua vez, fornece detalhes sobre o desempenho e a evolução intelectual de cada colaborador. Essa ferramenta permite, até mesmo, analisar o que tem dado certo ou errado nas ações para incentivar o compartilhamento de conhecimento. Se certos treinamentos geram menos impactos positivos que reuniões mais abertas, por exemplo, é importante avaliar mais a fundo os motivos e repensar as próximas atividades.

Somado a isso, temos a educação corporativa, que visa à disseminação de conhecimento específico, de acordo com as principais demandas da empresa. O seu foco deve ser a aprendizagem guiada pelos valores da organização, além de um pensamento focado na prática do dia a dia e nos resultados esperados.

Por fim, vale destacar a importância de fomentar a inteligência competitiva, que deve ser empregada estrategicamente nos negócios. De maneira geral, ela se refere à capacidade de identificar, organizar e analisar o comportamento do mercado (concorrentes, clientes, fornecedores etc.). O objetivo é gerar insights relevantes e aumentar a inteligência comercial da empresa.

Adotando esses conceitos, é possível construir gradativamente um ambiente de intensa produtividade, além de estimular uma cultura da inovação entre os seus colaboradores. Discuta a gestão do conhecimento na sua empresa e veja os benefícios que ela pode trazer para as suas equipes. Se a informação é hoje um ativo valioso para as empresas, esse é, sem dúvidas, o caminho a ser trilhado!

Para desenvolver ainda mais o seu conhecimento sobre o assunto, veja também o nosso artigo sobre o capital intelectual!

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