Commodities agrícolas: o que são, tipos e características

Equipe TOTVS | 14 janeiro, 2022

Você sabe o que são commodities agrícolas? Elas têm grande relevância e influência na economia brasileira. Por se tratarem de produtos essenciais para o consumo, possuem grande valor e costumam estar em alta no mercado.

As commodities agrícolas brasileiras, assim como as de qualquer país, são tratadas como um ativo financeiro.

Uma das grandes características das commodities, independente da origem, é que sua demanda é global. Ou seja, são essenciais para a manutenção do estilo de vida de toda uma população.

Além disso, as commodities são utilizadas como matéria-prima para produzir diferentes produtos — aqui, falamos tanto das commodities agrícolas, como minerais e financeiras. 

Que tal entender melhor o tema? Preparamos este guia completo sobre o assunto, de modo a simplificar sua compreensão sobre o que são commodities agrícolas. Continue com a leitura para saber mais.

Entendendo o que é commodity

Antes de compreender o que é uma commodity agrícola, é importante saber o que é commodity. O termo tem sua tradução literal como “mercadoria”, mas o fator determinante para uma commodity é o mercado internacional, visto que sua definição se dá por produtos que não possuem diferenças de valor significativas, independentemente do país de origem.

Por exemplo: commodities negociadas na Ásia são iguais às comercializadas na América do Norte e na Europa, uma vez que as características dos itens são basicamente as mesmas, não importando o local de produção.

É por isso que, quando falamos de commodities, não se trata apenas de mercadorias agrícolas, mas minerais (petróleo, gás natural e etanol), bem como financeiras (títulos do Tesouro Direto, euro, dólar, e qualquer moeda fiduciária) e ambientais (madeira, água e a geração de energia).

O que são commodities agrícolas?

Agora que você já sabe o que commodity significa, vamos abordar as commodities agrícolas. Elas são provenientes das práticas agropecuárias e possuem o mínimo fator industrial possível em seus processos. Ou seja, são mercadorias agrícolas, como a soja ou café, que são dois dos principais exemplos.

Podemos dizer que essas mercadorias estão mais ligadas a artigos primários.

Vale ressaltar, porém, que nem todos os produtos que surgem na lavoura podem ser considerados commodities.

Para tanto, deve existir uma comercialização da mercadoria na bolsa de valores, o que exige alto valor comercial e estratégico.

Com grande importância para a economia brasileira, um exemplo de commodity agrícola que podemos citar é a soja, já mencionada.

Por ser um produto homogêneo (em forma de grão), possui alto valor de mercado, é uma das principais plantas exportadas pelo Brasil. Para entender o quão complexo é esse mercado, basta uma rápida pesquisa no Google.

Há atualizações diárias sobre o preço da saca e do quilo da soja, que é altamente influenciado por vários fatores, como o preço de outras moedas (principalmente o dólar), humor do mercado financeiro e, claro, as condições climáticas que favorecem ou desfavorecem a produção.

As commodities também são reguladas de acordo com oferta e demanda. Uma vez que a bolsa determina seus valores, quanto maior for a oferta de ações, menor será seu preço e vice-versa.

Vale mencionar que mudanças ditadas pelos governos e pela própria sociedade também podem determinar a alta e a baixa, como alimentos que são eleitos em “dietas da moda”.

Ou seja, as commodities são produtos essenciais para a saúde da população, bem como para outros mercados (pois são matérias-primas) e também podem ser considerados ativos financeiros.

Tipos de commodities agrícolas

Você pôde observar até aqui que nem todos os produtos das cadeias produtivas do agronegócio se encaixam como commodities. Para isso, precisam ser essenciais para o consumo humano, e não necessariamente precisam ser alimentos. Morangos são altamente consumidos, mas não causam grande impacto em sua utilização, ao contrário do arroz e do algodão. 

Certas commodities também podem ter seu valor aumentado por servirem como base para a fabricação de outros produtos a partir delas.

Exemplos disso são o próprio algodão, milho e trigo. Mas entre as commodities do Brasil, quais são as mais comuns?

A principal é, de longe, a soja. O Brasil é, há alguns anos, o maior exportador do mundo do grão. Atualmente, a soja brasileira corresponde à metade de toda soja consumida em todo o mundo.

Entre outras commodities agrícolas podemos citar:

  • Café;
  • Trigo;
  • Milho;
  • Açúcar;
  • Borracha;
  • Carne bovina.

Soft commodities 

As soft commodities são aquelas que, apesar de também serem extraídas da natureza, devem ser cultivadas — ao contrário das hard commodities, que devem ser mineradas.

Neste caso, todas as commodities agrícolas são consideradas “soft” e dependem da produtividade agrícola e de outros fatores.

Economicamente falando, sua presença no mercado é mais volátil já que elas dependem de vários fatores (como o clima e as tecnologias de irrigação), bem como oferta e demanda.

E sim, no caso das soft commodities, pode existir o caso de safras excedentes, o que também pode desvalorizar o preço e torná-las mais baratas.

Pode não parecer, mas existem países inteiros que utilizam essa lógica para investir ou não em produtos agrícolas primários — alguns não querem depender desse tipo de produto, outros dependem culturalmente, como a Colômbia do café e do abacate.

Hard commodities 

Hard commodities são baseadas em recursos naturais, como minérios, metais, reservas de petróleo, entre outras mercadorias que podem ser mineradas e extraídas do solo.

Eles formam a base da saúde econômica de um país, e a demanda global por esses recursos pode ser monitorada para avaliar a estabilidade e prever a situação futura de uma economia.

Isso ocorre porque a oferta e a demanda dos produtos são amplamente previsíveis devido à sua natureza fixa.

Por exemplo, a recente crise na Venezuela impactou muito a economia no país, que depende totalmente da exportação de petróleo.

Outros casos de hard commodities bastante influentes na economia são os metais preciosos, como o ouro. É constantemente utilizado como um ativo de preservação da riqueza.

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Como funcionam as commodities agrícolas?

O mercado de commodities agrícolas pode ser nacional ou internacional, e se caracteriza como uma fonte de investimentos. Não é necessária, porém, a movimentação física na Bolsa, uma vez que os contratos são comercializados como acertos de compra e venda futuros. 

O preço das commodities agrícolas pode ser cotado usando como referência saca, quilo, arroba (no caso de bois) e tonelada, sendo que fatores externos podem ter larga influência nos valores, seja pelo clima, especulações e previsões de produção e tempo estimado de colheita, por exemplo.

Mesmo que a lei da oferta e da procura paute os preços definidos para as mercadorias, o produtor não é obrigado a segui-los, podendo firmar parcerias e fechar contratos diretamente com os pontos de venda ou até mesmo o cliente final, no caso de pequenos negócios.

Isso é possível, mas os valores não são tão diferentes dos estipulados pelo mercado.

Para quem deseja investir no ramo, é interessante saber da possibilidade de comprar e vender commodities agrícolas antes mesmo do fim das colheitas, com o preço estipulado por meio de estimativas.

Dessa forma, nada impede o investimento na exportação de café, por exemplo, antes mesmo da safra pronta.

Mercado físico 

O mercado físico é caracterizado pela troca da mercadoria por dinheiro. Ou seja, o produtor vende as commodities agrícolas para um comprador que atue no mercado físico.

Na bolsa de valores, esse mercado é conhecido como “mercado disponível” ou “spot”.

Normalmente, o pagamento é à vista.

Mercado a termo

O mercado a termo é a alternativa para a compra da commodity com pagamento à prazo, por meio de um acordo entre os envolvidos.

É uma operação tradicional, com a negociação entre comprador e vendedor, servindo para definir o preço, quantidade, prazo etc.

Vale dizer que o preço da commodity é definido de acordo com o valor do dia em que foi negociada. Assim, o pagamento não é influenciado pela volatilidade que pode acontecer posteriormente.

Normalmente, o pagamento também é à vista.

Mercado futuro 

O mercado futuro é semelhante ao tipo de negociação de contratos futuros, uma prática comum na bolsa de valores.

Os contratos futuros de commodities são feitos para compra ou venda de uma mercadoria do tipo em uma data específica (no futuro), com um preço específico e valor predefinido.

Por que esse mercado existe?

Os compradores de alimentos e de commodities como energia usam os contratos futuros para fixar o preço da mercadoria que estão comprando.

Assim, reduz-se o risco de os preços subirem.

E os vendedores dessas commodities usam o mercado de futuros para garantir que receberão pelo preço que acharem mais adequado (evitando que sofram prejuízos com eventuais quedas).

Assim, digamos que o preço da soja suba em outubro, mas o comprador tenha acordado a compra de X toneladas em setembro. Teoricamente, ele tem chances de lucrar, pois “comprou na baixa” — para utilizar termos conhecidos.

Agora, ele pode vendê-lo por um preço mais alto, lucrando.

Já se o preço cair, o vendedor de futuros é quem ganha dinheiro, pois o vendeu no momento em que o preço estava mais alto.

Mercado de opções 

O mercado de opções fornece uma alternativa flexível de negociar nos mercados futuros.

Além disso, as opções oferecem aos investidores a capacidade de capitalizar a alavancagem e de gerenciar melhor os riscos.

Com o contrato de opções, o comprador tem a oportunidade, mas não a obrigação, de comprar ou vender o ativo a um preço específico — enquanto o contrato ainda estiver em vigor.

Os investidores não precisam comprar ou vender o ativo se decidirem não fazê-lo.

Esses contratos são derivativos e podem ser tanto opções de compra, quanto de venda de commodities — que podem ser negociadas em forma de ações e não necessariamente representam a propriedade real das mercadorias.

Características das commodities agrícolas 

E agora, como identificar que a sua mercadoria é uma commodity agrícola? Bom, como qualquer ativo, há algumas características particulares que devem ser levadas em conta.

Que tal conferir as principais? Te mostramos a seguir:

Preços

O preço de uma commodity agrícola é o mesmo no Brasil ou na China. O motivo é simplesmente: o valor é negociado na Bolsa de valores, de acordo com fatores como oferta e demanda.

Isso dá tanto contornos de simplicidade ao commodity (já que o preço do quilo, tonelada ou saca é um só), como também complexidade (já que fatores impossíveis de controlar impactam no valor).

Padronização 

As commodities agrícolas normalmente são padronizadas, o que quer dizer que são iguais independente do local ou método de produção. Isto é: um grão de café é um grão de café, seja no Brasil ou na Colômbia.

Claro, existem diferenças que impactam no sabor, mas essencialmente são o mesmo tipo de mercadoria e negociadas — na Bolsa — com o mesmo referencial.

Volume 

Além disso, vale mencionar que as commodities agrícolas são normalmente produzidas em grande volume, o que também quer dizer que são comercializadas em grandes quantidades.

Produção primária 

As commodities agrícolas também se caracterizam por serem um produto de origem primária, o que quer dizer que podem servir de matéria-prima para outros produtos.

É o caso da soja, por exemplo, que é utilizada após a colheita para produzir o óleo de soja utilizado nas cozinhas de todo o mundo.

O petróleo é um commodity mineral com vários destinos pós-extração, como a produção de gasolina ou mesmo parafina.

Produtos não industrializados 

E claro, as commodities agrícolas não possuem alto (ou sequer algum) grau de industrialização — justamente por serem extraídos da terra e necessitarem do cultivo, com práticas que, por mais que sejam baseadas em tecnologia, utilizam insumos orgânicos e outros produtos.

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Conclusão

Ao longo deste conteúdo, explicamos o que são commodities agrícolas, passando pela definição do termo e seus tipos mais comuns. Também abordamos seu funcionamento e como o mercado age sobre elas.

Esse entendimento é fundamental para quem busca compreender o básico sobre o agronegócio.

Afinal, as commodities agrícolas são produtos essenciais para a economia brasileira e, no caso do Brasil, alguns deles são indispensáveis para a saúde de vários países.

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