Gestão de resíduos na construção civil: como reduzir impactos e garantir conformidade

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Escrito por Equipe TOTVS
Última atualização em 25 junho, 2026

Em um dos setores que mais geram resíduos sólidos, a gestão de resíduos na construção civil é uma prática indispensável para reduzir desperdícios, minimizar impactos ambientais e garantir a conformidade com a legislação.

Adotar processos estruturados não significa apenas cumprir uma obrigação legal, mas sim uma oportunidade para aumentar a eficiência operacional, reduzir custos e fortalecer as iniciativas de sustentabilidade. 

Neste conteúdo, você encontra um guia completo para estruturar uma gestão eficiente, desde como funciona a classificação de resíduos até boas práticas que podem tornar esse processo mais seguro e eficiente. 

O que é a gestão de resíduos na construção civil?

A gestão de resíduos na construção civil é o conjunto de práticas voltadas ao planejamento, manejo, transporte, tratamento e destinação ambientalmente adequada dos resíduos gerados em obras. 

Além de atender a exigências legais, esse gerenciamento contribui para a redução de impactos ambientais e para o uso mais eficiente dos recursos ao longo de todo o ciclo da construção. 

Uma gestão bem estruturada não pensa apenas no descarte correto dos resíduos: o trabalho começa na identificação dos tipos de resíduos e vai até a elaboração de documentos exigidos por órgãos competentes.

Ou seja, o processo envolve planejamento no canteiro de obras, gestão logística na construção civil e uso de ferramentas para auxiliar na conformidade. 

Quais são os resíduos da construção civil? 

Os tipos de resíduos gerados na construção civil variam conforme a etapa da obra, os materiais utilizados e as atividades executadas. 

Como apresentam características distintas, eles exigem formas específicas de separação, armazenamento, transporte, reaproveitamento e destinação final. 

Uma gestão eficiente começa justamente pela identificação e classificação correta de cada material, que é definida pela Resolução nº 307/2002 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente e suas atualizações.

A classificação de resíduos da construção civil (RCC) organiza os materiais em quatro classes de acordo com seu potencial de reutilização, reciclagem ou necessidade de tratamento especial. 

Confira quais são elas:

ClasseExemplosDestinação
Classe AResíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, como concreto, argamassa, tijolos, blocos, telhas, solos provenientes de terraplenagem e pavimentos.Devem ser reutilizados na própria obra, quando possível, ou encaminhados para usinas de reciclagem, onde podem ser transformados em agregados para novas construções e obras de infraestrutura.
Classe BMateriais recicláveis como papel, papelão, plástico, vidro, metais, madeira e embalagens.Devem ser segregados e destinados a cooperativas, recicladoras ou empresas especializadas, retornando à cadeia produtiva por meio da reciclagem
Classe CResíduos para os quais ainda não existem tecnologias ou processos economicamente viáveis de reciclagem ou recuperação na região onde foram gerados, como alguns materiais compostos ou produtos específicos.Devem receber destinação ambientalmente adequada, conforme as normas vigentes e as alternativas disponíveis para cada tipo de material.
Classe DResíduos perigosos, como tintas, solventes, óleos, vernizes, embalagens contaminadas, amianto e outros materiais que apresentam risco à saúde ou ao meio ambienteExigem armazenamento, transporte, tratamento e destinação realizados por empresas licenciadas, seguindo normas específicas para resíduos perigosos e garantindo rastreabilidade durante todo o processo.

Qual é a importância da gestão de resíduos na construção civil? 

Quando integrada ao planejamento das obras, a gestão de resíduos contribui para aumentar a eficiência operacional, reduzir custos, minimizar riscos e fortalecer a sustentabilidade do negócio. 

Além disso, é essencial para manter a conformidade ambiental das empresas do setor e melhorar o cenário nacional, que ainda precisa evoluir quando o tema é uso consciente de recursos e destinação correta de resíduos.

Segundo dados da Abrema (Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente), o Brasil gerou aproximadamente 46,4 milhões de toneladas de resíduos de construção e demolição (RCD).

Dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) mostram que o país tem capacidade e tecnologia para reciclar até 50 milhões de toneladas de entulho por ano, mas hoje o volume reaproveitado fica abaixo de 10 milhões. 

O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Laerte Scanavacca Jr. reforça que “a reciclagem de RCC no Brasil tem potencial para reduzir significativamente o consumo de recursos naturais e os impactos ambientais da disposição inadequada”.

“Mas, para transformar esse potencial em resultados concretos, o país precisa alinhar políticas públicas, inovação tecnológica e incentivos econômicos que tornem o reaproveitamento de resíduos uma prática estrutural da construção civil”, argumenta. 

 Neste cenário, a gestão de resíduos pode contribuir em pontos como:

  • Diminuição de desperdícios: acompanhar a geração de resíduos permite identificar falhas nos processos construtivos, corrigir desperdícios e tornar o uso de materiais mais eficiente;
  • Fortalecimento da imagem da empresa: organizações que adotam práticas ambientais responsáveis tendem a conquistar maior credibilidade junto a clientes, investidores, parceiros e órgãos reguladores;
  • Redução dos impactos ambientais: a separação e a destinação adequada dos resíduos diminuem a contaminação do solo e da água, reduzem o descarte irregular e estimulam o reaproveitamento de materiais;
  • Melhor aproveitamento de materiais: muitos resíduos podem ser reutilizados na própria obra ou encaminhados para reciclagem, o que reduz a demanda por matérias-primas e promove a economia circular;
  • Redução de custos operacionais: menos desperdício significa menor necessidade de compra de insumos, o que leva  a uma redução dos gastos com transporte e destinação de resíduos, bem como maior controle sobre os custos da obra;
  • Apoio às práticas ESG: uma gestão ambiental estruturada fortalece a estratégia de sustentabilidade da empresa, gera indicadores confiáveis e contribui para demonstrar compromisso com boas práticas ambientais, sociais e de governança. 

Como fazer o Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC)? 

O Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) é o documento que estabelece os procedimentos para o manejo adequado dos resíduos gerados durante uma obra. 

O foco aqui é assegurar a conformidade com a legislação e reduzir os impactos ambientais das atividades da construção civil. 

Esse documento é exigido para empreendimentos que geram resíduos de construção civil e precisam de licenciamento ou aprovação junto aos órgãos competentes, por isso é importante saber como elaborá-lo.

A elaboração do PGRCC passa pelas seguintes etapas:

Infográfico detalhando as etapas do PGRCC, o Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, documento técnico essencial na gestão de resíduos na construção civil. As etapas detalhadas incluem diagnóstico da obra, identificação e quantificação de resíduos, definição de procedimentos, planejamento e destinação e monitoramento e atualização.
  1. Diagnóstico da obra: avaliação das características do empreendimento, as atividades que serão executadas para estimar quais resíduos poderão ser gerados em cada fase da construção;
  2. Identificação e quantificação dos resíduos: mapeamento dos diferentes tipos de resíduos previstos para classificá-los conforme a legislação e estimar seus volumes para planejar corretamente seu gerenciamento;
  3. Definição dos procedimentos de segregação, armazenamento e transporte: estabelecer como os resíduos serão separados no canteiro de obras, onde serão armazenados temporariamente e de que forma serão transportados até seu destino final;
  4. Planejamento da destinação ambientalmente adequada: indicação de quais resíduos serão reutilizados, reciclados ou encaminhados para empresas licenciadas, de acordo com sua classificação e as exigências legais aplicáveis;
  5. Monitoramento e atualização do plano: acompanhamento da execução das ações previstas para verificar se os procedimentos estão sendo cumpridos e revisão do PGRCC sempre que houver mudanças na obra ou nos processos de gerenciamento.

Qual documentação é necessária para a gestão de resíduos da construção civil? 

Existem alguns documentos que ajudam a comprovar que os resíduos foram transportados e destinados corretamente. Eles podem ser solicitados por órgãos responsáveis para fiscalização e ajudam a empresa a rastrear os processos.

Alguns dos principais documentos utilizados na gestão de resíduos da construção civil são:

  • Certificado de Destinação Final (CDF): comprova que os resíduos foram recebidos e tratados por uma empresa licenciada, conforme as exigências ambientais;
  • Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR): registra e acompanha o transporte dos resíduos desde a origem até a unidade responsável pela destinação final;
  • Comprovantes de transporte: incluem notas fiscais, ordens de coleta e outros registros que ajudam a documentar a movimentação dos resíduos ao longo do processo;
  • Licenças ambientais: comprovam que transportadores, áreas de armazenamento e empresas responsáveis pelo tratamento ou destinação estão devidamente autorizados a exercer essas atividades;
  • CADRI (Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental): exigido em alguns estados, como São Paulo, para o transporte e destinação de determinados resíduos, especialmente os classificados como perigosos.

Boas práticas no canteiro de obras para otimizar a gestão de resíduos na construção civil 

Uma gestão de resíduos eficiente depende de processos bem definidos e da participação de toda a equipe envolvida na obra. 

No dia a dia da operação, existem boas práticas que facilitam o gerenciamento. Confira algumas recomendações:

  • Planeje a gestão desde o início da obra: inclua o gerenciamento de resíduos ainda na fase de planejamento, definindo responsabilidades, áreas de armazenamento, fluxos de coleta e estratégias de destinação antes do início das atividades;
  • Capacite as equipes: promova treinamentos periódicos para que todos conheçam os procedimentos de separação, armazenamento e descarte para reduzir falhas operacionais;
  • Faça a segregação correta dos resíduos: separe os materiais conforme sua classificação para facilitar a reciclagem, evitar contaminações e reduzir os custos com transporte e destinação;
  • Controle a movimentação e a destinação: mantenha registros atualizados sobre a geração, o transporte e a destinação dos resíduos para garantir a rastreabilidade e a conformidade com a legislação;
  • Utilize tecnologia para monitorar indicadores ambientais: sistemas de gestão especializados permitem acompanhar volumes gerados, custos, documentação, metas ambientais e indicadores de desempenho, apoiando decisões mais rápidas e aumentando a eficiência do gerenciamento de resíduos.

Como a tecnologia fortalece a gestão ambiental de resíduos na construção civil?

Gerenciar obras complexas e manter a conformidade com as exigências regulatórias demanda tempo, eficiência e muita atenção. A tecnologia facilita esse gerenciamento, trazendo mais segurança e agilidade para as operações.

O TOTVS Gestão Ambiental, por exemplo, ajuda a centralizar documentos ambientais, controlar condicionantes e licenças, acompanhar indicadores de desempenho, garantir a rastreabilidade dos resíduos e facilitar auditorias internas e externas. 

A solução, que é embarcada de forma nativa aos ERPs da Linha Protheus da TOTVS, também contribui para a conformidade legal ao integrar os processos ambientais à rotina operacional da empresa.

Com uma gestão mais centralizada e baseada em dados, você pode reduzir riscos, fortalecer a governança ambiental do seu negócio e tomar decisões com mais agilidade. 

Saiba mais sobre o TOTVS Gestão Ambiental:

Conheça o TOTVS Gestão Ambiental e veja como a solução pode apoiar a sustentabilidade do seu negócio.

Conclusão 

A gestão de resíduos na construção civil vai muito além do descarte adequado de materiais, como vimos neste conteúdo. 

Ela envolve planejamento, classificação, documentação, monitoramento e melhoria contínua para reduzir impactos ambientais, aumentar a eficiência operacional e garantir conformidade com a legislação.

Quando esse processo é apoiado por tecnologia, as tarefas ficam mais simples.

Com sistemas como o TOTVS Gestão Ambiental, é possível acompanhar indicadores, controlar documentos, assegurar a rastreabilidade dos resíduos e fortalecer a governança.

Dessa forma, você pode garantir uma operação mais segura, eficiente e preparada para os desafios do setor.

Quer conhecer outras soluções que impulsionam a inovação no setor? Aproveite para conferir nosso conteúdo sobre tecnologia para construção civil.

FAQ – perguntas frequentes

Quem é responsável pela gestão de resíduos na construção civil?  

A responsabilidade é do gerador dos resíduos, como construtoras, incorporadoras e demais responsáveis pela obra. Eles devem garantir a segregação, o armazenamento, o transporte e a destinação adequada dos resíduos, conforme a legislação vigente e o PGRCC.  

O que acontece quando os resíduos da construção civil são descartados de forma irregular? 

Além de causar impactos ambientais, o descarte irregular de resíduos pode resultar em multas, sanções administrativas, embargos e responsabilização civil ou criminal, conforme a gravidade da infração e a legislação aplicável. 

Como reduzir a geração de resíduos durante uma obra? 

O planejamento adequado, a compra precisa de materiais, o armazenamento correto, a capacitação das equipes e o reaproveitamento de insumos ajudam a minimizar desperdícios.

Além disso, o monitoramento contínuo dos processos também permite identificar oportunidades de melhoria e reduzir a geração de resíduos. 

Quais normas regulamentam a gestão de resíduos na construção civil?

A gestão de resíduos é regulamentada principalmente pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) e pela Resolução nº 307/2002 do Conama e suas atualizações. Estados e municípios podem estabelecer exigências complementares para o gerenciamento dos resíduos.

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