Produções agrícolas: guia completo sobre conceito, tipos, sistemas e desafios

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Escrito por Equipe TOTVS
Última atualização em 16 janeiro, 2026

As produções agrícolas estão no centro de duas agendas que importam para qualquer negócio do agro: produtividade e previsibilidade. 

Em um cenário de custos variáveis, clima mais instável e pressão por rastreabilidade, entender como a produção se organiza, do campo à comercialização, deixa de ser “conceito” e vira base para decisão.

Neste artigo, vamos explicar o que é produção agrícola, quais são os principais tipos e sistemas, os desafios atuais e onde a tecnologia ajuda a transformar dados em eficiência. 

O que é produção agrícola?

Produção agrícola é o conjunto de atividades que transforma recursos naturais (solo, água, luz e biodiversidade) e insumos (sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas e trabalho) em alimentos, fibras, bioenergia e matérias-primas. 

Ela inclui planejamento de safra, preparo de área, plantio, tratos culturais, colheita, pós-colheita e, muitas vezes, beneficiamento e armazenagem.

Na prática, as produções agrícolas variam conforme clima, tecnologia disponível, escala, acesso a crédito, logística e exigências do mercado comprador. 

Qual a importância das produções agrícolas na economia brasileira?

As principais produções agrícolas do Brasil possuem enorme relevância na economia doméstica. 

Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o PIB do agronegócio cresceu 6,49% no 1º trimestre de 2025, com avanço no ramo agrícola (5,59%) e no pecuário (8,50%). 

Com base nesse desempenho parcial, a projeção é de que o PIB do agro possa alcançar R$ 3,79 trilhões em 2025 (R$ 2,57 trilhões no ramo agrícola e R$ 1,22 trilhão no pecuário), elevando a participação estimada para 29,4% do PIB do Brasil (ante 23,5% em 2024).

Além disso, o agronegócio empregou 28,2 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2025, o equivalente a 26% das ocupações no país, segundo o Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro do Cepea.

Fonte: Cepea

No que diz respeito ao volume, no fim de 2025, o IBGE estimou que a safra agrícola do ano totalizaria um recorde de 341,9 milhões de toneladas, um aumento de 49,2 milhões de toneladas (16,8%) em relação ao desempenho de 2024.

No 1º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, a Conab estima produção total de 354,7 milhões de toneladas, alta de 0,8% em relação a 2024/25, puxada pelo aumento de 3,3% na área semeada, projetada em 84,4 milhões de hectares. 

Esse peso explica por que os produtos agrícolas do Brasil impactam inflação, balança comercial, geração de empregos e investimentos, e por que profissionalizar as produções no campo é um tema estratégico.

Quais os tipos de produção agrícola?

As principais produções agrícolas do Brasil e do mundo se diferenciam pela finalidade (mercado x subsistência), escala, uso de tecnologia, modelo de gestão e orientação sustentável. 

Em outras palavras, a pergunta “Quais são os tipos de produção agrícola?” tem mais de uma resposta possível, o que é algo positivo, pois reflete a diversidade do agro brasileiro.

A seguir, você encontra cinco classificações comuns e úteis para análise. 

Elas ajudam a entender como as produções agrícolas se organizam e quais decisões mudam de acordo com cada contexto (mão de obra, equipamentos, acesso à assistência técnica, padrões de qualidade e exigências de compradores). 

Ao longo das descrições, perceba um ponto-chave: cada tipo pede controles diferentes e, portanto, formas diferentes de registrar dados, medir custos e prever resultados.

Agricultura Comercial

A agricultura comercial é orientada ao mercado e costuma operar com maior escala, padronização e planejamento financeiro. 

Em geral, ela busca produtividade e margem, com decisões apoiadas por indicadores: custo por hectare, eficiência de aplicação, janela de plantio, desempenho por cultivar e perdas na colheita.

Imagine uma fazenda de soja no Mato Grosso que produz em larga escala para exportação, com contratos de barter (pagamento com parte da sua safra futura) e uso intensivo de máquinas.

Nela, as produções agrícolas são tratadas como “operações”, com cronograma, metas e governança. 

Também é comum a integração com armazenagem, logística e contratos (inclusive barter), pois a comercialização influencia diretamente a estratégia de produção.

Agricultura Familiar

A agricultura familiar combina geração de renda com segurança alimentar, muitas vezes com diversificação de culturas e gestão mais próxima do cotidiano da propriedade. 

Na prática, as produções agrícolas nesse modelo tendem a buscar resiliência: reduzir risco com diversificação, aproveitar melhor a mão de obra e manter regularidade de oferta, especialmente quando há venda local, programas de compras públicas ou contratos regionais.

É o caso, por exemplo, de uma pequena propriedade no interior de Minas Gerais que cultiva hortaliças variadas para venda em feiras locais e programas de merenda escolar.

Agricultura Orgânica

A agricultura orgânica segue regras específicas de manejo, com foco em redução de insumos sintéticos e aumento de equilíbrio do agroecossistema. 

Mais do que “trocar produtos”, ela exige planejamento: adubação verde, rotação de culturas, controle biológico e registros detalhados (especialmente quando há certificação).

Um produtor de café orgânico no Espírito Santo que utiliza adubação verde e certificação para acessar mercados premium é um exemplo comum.

Esse tipo costuma ser mais sensível a processos e rastreabilidade, porque o valor está ligado à conformidade e à confiança. 

Em termos de gestão, o desafio é equilibrar produtividade, qualidade e custo, mantendo consistência no padrão entregue.

Agricultura Patronal

A agricultura patronal é marcada por maior capitalização e estrutura empresarial, com uso intensivo de máquinas, contratação de mão de obra e gestão por processos. 

Ela aparece tanto em grandes fazendas quanto em grupos com múltiplas unidades, onde a padronização é determinante.

Nesse cenário, as produções agrícolas dependem muito de integração: orçamento, apontamento de operações, manutenção de frota, controle de estoque de insumos, gestão de contratos e conciliação de resultados por unidade/talhão.

Permacultura

A permacultura é uma abordagem de design de sistemas produtivos que busca eficiência ecológica e integração entre elementos (solo, água, plantas, animais e pessoas). 

Ela costuma priorizar diversidade, baixo impacto e uso inteligente do espaço.

Como modelo, é útil para pensar sustentabilidade e uso de recursos no longo prazo. 

Uma comunidade rural no sul do Brasil que combina produção de alimentos, reflorestamento e integração de animais em sistemas agroflorestais é um exemplo de permacultura.

Na gestão, o segredo está em medir o que realmente importa: saúde do solo, estabilidade do sistema, produtividade por área em múltiplos ciclos e redução de desperdícios.

Principais sistemas agrícolas

Sistemas são formas de produção: envolve nível de tecnologia, intensidade de uso do solo, lógica de expansão e dependência de insumos. 

Essa distinção ajuda a entender padrões de produtividade e custo, e também a identificar oportunidades de melhoria.

A seguir, veja dois sistemas clássicos de análise, úteis para discutir estratégia e investimento nas produções agrícolas.

Agricultura extensiva

A agricultura extensiva tende a usar grandes áreas com menor intensidade tecnológica por hectare, buscando viabilidade por escala. 

Ela pode ocorrer por limitações de capital, perfil do sistema produtivo ou estratégia de ocupação territorial.

O ponto de atenção é que, sem controle fino, perdas e ineficiências ficam “diluídas” e passam despercebidas. 

Por isso, é comum que a evolução do modelo envolva melhoria de processos: mapas de produtividade, manejo por ambiente, calibração de máquinas e registro de operações para comparar talhões e safras.

Agricultura intensiva

A agricultura intensiva concentra investimento por área para elevar produtividade e qualidade

Ela costuma adotar tecnologia com mais rapidez: agricultura de precisão, monitoramento por sensores, recomendação por taxa variável e tomada de decisão baseada em dados.

Aqui, a gestão precisa acompanhar o nível de detalhe: custo real por operação, consumo de insumos, tempo de máquina, eficiência de aplicação e perdas na colheita. 

Não por acaso, esse modelo costuma demandar rastreabilidade e indicadores consistentes, especialmente quando a propriedade fornece para cadeias exigentes.

Desafios atuais dos sistemas de produção agrícola

O agro convive hoje com um cenário de maior complexidade: mais variáveis interferindo na produtividade, no custo e no resultado final. 

Por isso, o desafio deixou de ser apenas “colher bem” e passou a ser produzir com previsibilidade, mantendo padrões de qualidade, conformidade e rentabilidade.

Entre os principais desafios que afetam as produções agrícolas, estão:

  • Aumento e oscilação do custo de insumos e fretes, pressionando o custo por hectare e a eficiência do uso de recursos;
  • Clima mais instável e janelas operacionais mais curtas, aumentando o risco de perdas e replanejamentos ao longo da safra;
  • Volatilidade de preços e margens apertadas, o que exige decisões mais rápidas e embasadas para compra de insumos e comercialização;
  • Gestão de máquinas e mão de obra, com dificuldades de disponibilidade de frota, manutenção preventiva e controle de horas e produtividade;
  • Baixa integração de informações, quando dados ficam dispersos (papel, planilhas, aplicativos isolados) e dificultam análise e tomada de decisão;
  • Exigências ambientais, rastreabilidade e compliance, com necessidade crescente de registros confiáveis para auditorias e acesso a mercados;
  • Perdas operacionais no campo e no pós-colheita, seja por falhas de plantio, manejo inadequado, colheita fora do ponto ou armazenagem insuficiente;

Para enfrentar esses pontos, muitas operações estruturam frentes práticas como:

  • Confiabilidade de dados: rastrear operações e transformar registros em decisão;
  • Gestão de risco: planejamento de safra, diversificação, seguro e estratégia de comercialização;
  • Eficiência operacional: reduzir perdas, melhorar uso de insumos e aumentar disponibilidade de frota.

É justamente neste contexto que as inovações tecnológicas no agronegócio ganham espaço, conectando informações e transformando registros do campo em indicadores de gestão.

Inovações tecnológicas no agronegócio

A tecnologia está acelerando o ciclo “planejar–executar–controlar”. 

Hoje, muitas melhorias vêm de integrar fontes: telemetria de máquinas, mapas de colheita, imagens (satélite/drones), clima, estoque e financeiro. 

Quando esses dados conversam, você consegue:

  • Rastrear lotes e comprovar conformidade;
  • Medir custo real por hectare e por cultura;
  • Comparar produtividade por talhão e por operação;
  • Reduzir retrabalho (menos planilhas, mais automação);
  • Antecipar desvios (pragas, falhas de plantio, quebra de equipamento).

Para viabilizar isso no dia a dia, algumas ferramentas são especialmente úteis, como sistemas de gestão agrícola (ERP/gestão de safra), agricultura de precisão (taxa variável e mapas), monitoramento remoto (satélites e drones), estação meteorológica/serviços de clima, apps de apontamento de campo, além de dashboards de BI para consolidar indicadores.

É por esse motivo que muitas operações evoluem para um modelo mais integrado, conectando o que acontece no campo com suprimentos, contratos, estoque e finanças.

E, nessa etapa, entram soluções como os Sistemas TOTVS para o agronegócio, que ajudam a centralizar dados e transformar registros em gestão.

Leia também: 6 tendências do agronegócio para 2026: tecnologia, eficiência e sustentabilidade

Sistemas TOTVS para o agronegócio

A digitalização faz diferença quando cobre o ciclo completo: campo, suprimentos, estoque, contratos, finanças e análise. 

Nesse sentido, a TOTVS apresenta um portfólio para o agro que atende diferentes realidades, como gestão multicultivo, integração de dados operacionais e processos comerciais (incluindo contratos e barter, quando aplicável).

Na prática, sistemas especializados ajudam a:

  • Integrar vendas, logística e recebimentos;
  • Estruturar planejamento e orçamento de safra;
  • Registrar operações e apontamentos com padrão;
  • Melhorar rastreabilidade e auditoria de informações;
  • Controlar custos por talhão/cultura e por centro de resultado.

As soluções TOTVS apoiam a gestão de ponta a ponta, conectando o que acontece no campo aos processos administrativos e comerciais, com informações consolidadas para controle de custos, produtividade e conformidade.

Esse tipo de base é especialmente útil quando sua operação lida com alta complexidade, sazonalidade e múltiplas unidades, realidade comum quando se lida com produtos agrícolas no Brasil voltados tanto ao mercado interno quanto à exportação.

Quer elevar a previsibilidade e a eficiência da sua operação? 

Conheça os sistemas TOTVS para o agronegócio, a melhor solução para levar suas produções agrícolas a outro nível de desempenho.

Conclusão

Em um país onde o agro tem peso direto em emprego, renda e abastecimento, profissionalizar as produções agrícolas é uma decisão de competitividade. 

Entender o que é a produção agrícola, reconhecer perfis (comercial, familiar, orgânico, patronal e permacultura) e diferenciar sistemas (extensivo e intensivo) ajuda você a escolher o melhor caminho de investimento, manejo e gestão.

Do ponto de vista prático, vale olhar para o que os dados oficiais mostram: volume de safra, valor de produção e ranking de culturas, informações essenciais para interpretar as principais produções brasileiras e planejar suas operações com base em realidade.

Se a sua meta é mais previsibilidade, comece pelo básico bem feito: padronize registros, acompanhe custos e conecte operação com financeiro.

E, para otimizar suas produções, considere tecnologias eficazes que melhoram sua gestão. Confira as aplicações da inteligência artificial na agricultura.

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