A produção de alimentos sempre esteve no centro do desenvolvimento humano. Desde os primeiros cultivos organizados, diferentes sociedades criaram maneiras próprias de lidar com a terra, o clima e os recursos naturais. Hoje, chamamos essas práticas de sistemas agrícolas, que podem variar entre modelos convencionais, sustentáveis, integrados, intensivos ou extensivos.
No Brasil, país que é um dos principais produtores de alimentos do mundo, essa diversidade é ainda mais evidente. A agricultura familiar, composta por pequenas e médias propriedades, convive com grandes áreas de monocultura mecanizada voltadas para exportação.
Ao mesmo tempo, ganham espaço sistemas inovadores que unem lavoura, pecuária e floresta em uma mesma área, com foco em sustentabilidade.
Entender esses sistemas é essencial não apenas para agricultores, mas também para gestores, investidores e toda a cadeia do agronegócio. Isso porque a escolha de um modelo de cultivo impacta diretamente a produtividade, a sustentabilidade e a viabilidade econômica da atividade.
Neste artigo, você vai entender o que são os sistemas agrícolas, quais são os principais tipos, suas vantagens e desafios, além de descobrir como a tecnologia pode potencializar qualquer modelo produtivo. Acompanhe!
O que são sistemas agrícolas e por que são importantes
Os sistemas agrícolas podem ser definidos como o conjunto de práticas e métodos de produção adotados no campo para garantir a eficiência, a sustentabilidade e a viabilidade econômica da atividade agropecuária.
Mais do que técnicas de plantio e manejo, os sistemas agrícolas são estratégias de produção que levam em conta fatores como tamanho da propriedade, disponibilidade de recursos, condições ambientais e demandas de mercado.
Sua importância é múltipla:
- Segurança alimentar: os sistemas agrícolas são a base do abastecimento da população;
- Economia: o agronegócio deve fechar 2025 com uma participação de 29,4% no Produto Interno Bruto (PIB), a maior em 22 anos, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA);
- Sustentabilidade: cada sistema traz impactos diferentes sobre o uso da terra, da água e dos recursos naturais;
- Competitividade internacional: o modelo adotado influencia o acesso a mercados e certificações.
Ou seja, compreender e adotar o sistema adequado é determinante para alinhar produtividade e responsabilidade ambiental, além de assegurar a permanência do produtor no mercado.
Diferenças entre agricultura intensiva e extensiva
Antes de saber mais detalhes sobre os tipos de sistemas agrícolas, é importante entender dois conceitos amplos que orientam a produção agrícola: intensiva e extensiva.
Agricultura intensiva
A agricultura intensiva é marcada pelo uso de tecnologia, mecanização e insumos para aumentar a produtividade por hectare. É muito comum em grandes propriedades, voltada para commodities como soja, milho, trigo e cana-de-açúcar.
- Vantagens: alta produtividade, previsibilidade de colheitas, forte inserção em mercados externos;
- Desafios: custos elevados de insumos e maquinário, risco de degradação ambiental, necessidade de gestão rigorosa do solo.
Agricultura extensiva
Já a agricultura extensiva é predominante em pequenas e médias propriedades, geralmente ligadas à agricultura familiar. Seu foco é a produção diversificada, muitas vezes destinada ao consumo local ou à subsistência.
- Vantagens: preservação da diversidade agrícola, menor impacto ambiental, fortalecimento da economia local;
- Desafios: menor escala produtiva, dificuldade de acesso a crédito, desafios de gestão financeira e logística.

Principais tipos de sistemas agrícolas no Brasil
Além da distinção entre intensivo e extensivo, os sistemas agrícolas se dividem em diferentes modelos de cultivo. A seguir, saiba mais sobre cada um deles!
Sistemas convencionais e tradicionais
Os sistemas convencionais são caracterizados pelo uso intensivo de insumos químicos, mecanização pesada e foco na monocultura. São predominantes em grandes propriedades e em regiões voltadas para commodities, como soja, milho e trigo.
Esse modelo permite altas produtividades e forte inserção internacional, mas traz desafios relacionados à preservação ambiental e à dependência de insumos externos. O uso contínuo de fertilizantes e defensivos químicos exige gestão rigorosa do solo e da água para evitar degradação e contaminação.
Um exemplo claro é a produção de soja no Brasil. De acordo com o Censo Agropecuário 2017 (IBGE), a soja teve crescimento de 123% na produção entre os ciclos comparados, enquanto a área cultivada avançou cerca de 72% — reforçando a força da monocultura no país. Sistemas sustentáveis
Sistemas sustentáveis
Os sistemas sustentáveis incluem práticas como agricultura orgânica, agroecologia e rotação de culturas. Seu objetivo é reduzir impactos ambientais, promover a saúde do solo e entregar alimentos mais saudáveis ao consumidor.
Esses modelos são comuns em pequenas e médias propriedades ligadas à agricultura familiar, muitas vezes abastecendo mercados locais ou feiras especializadas.
O grande desafio está no menor rendimento inicial e na necessidade de maior capacitação técnica, já que o manejo sustentável exige mais conhecimento sobre rotação de culturas, controle biológico de pragas e adaptação ao clima.
Ainda assim, o crescimento é visível. Dados da Rede ILPF mostram que o Brasil já possui 17,4 milhões de hectares com sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), considerados sustentáveis por promoverem equilíbrio entre produção e conservação.
Sistemas integrados
Os sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e os agroflorestais, combinam diferentes atividades em uma mesma área. O objetivo é diversificar a produção, aumentar a resiliência climática e melhorar o aproveitamento de recursos naturais.
Entre os principais benefícios estão a redução da degradação do solo, a diversificação da renda e a possibilidade de manter a produtividade em condições adversas. No entanto, eles demandam planejamento detalhado e conhecimento técnico avançado, já que integram diferentes culturas e manejos em uma única propriedade.

Como escolher o melhor sistema agrícola
A decisão sobre qual sistema adotar não é simples, porque envolve aspectos técnicos, econômicos e até culturais. Pequenos e grandes produtores enfrentam contextos muito diferentes, e cada escolha traz implicações diretas na produtividade e na sustentabilidade do negócio.
Conheça os critérios que devem ser considerados para a melhor escolha!
Tamanho da propriedade
O porte da propriedade influencia muito a escolha. Áreas grandes tendem a se beneficiar de sistemas convencionais ou intensivos, que permitem mecanização em larga escala e produção voltada para a exportação.
Pequenas e médias propriedades, em contrapartida, encontram maior visibilidade em sistemas extensivos, sustentáveis ou integrados, que privilegiam a diversificação e a proximidade com o mercado consumidor local.
Objetivos da produção
Outro ponto essencial é o destino da produção. Quem produz commodities precisa de escala, padronização e previsibilidade, características associadas a sistemas convencionais e intensivos.
Já quem mira o mercado local ou busca atender nichos como consumidores de alimentos orgânicos, por exemplo, pode encontrar mais vantagens em sistemas sustentáveis ou integrados.
Essa escolha impacta diretamente no modelo de negócios: enquanto exportadores precisam atender a padrões internacionais de qualidade e rastreabilidade, produtores locais podem valorizar a diversidade de cultivos e a proximidade com o consumidor.
Disponibilidade de recursos
O acesso a crédito, tecnologia e mão de obra é um divisor de águas. Sistemas convencionais exigem grande aporte de capital para insumos e maquinário, enquanto sistemas sustentáveis e integrados demandam mais conhecimento técnico e podem ser viáveis mesmo em contextos de menor investimento financeiro inicial.
Mercado consumidor
Por fim, o perfil do mercado também influencia a escolha do sistema agrícola. O mercado externo prioriza commodities como soja e milho, geralmente produzidas em sistemas convencionais. O mercado interno urbano tem crescido em demanda por hortaliças, frutas e produtos orgânicos, o que impulsiona sistemas sustentáveis.
Já as cadeias de fornecimento voltadas para indústrias alimentícias podem se beneficiar de modelos integrados, que oferecem diversidade de insumos.
Essa dinâmica mostra que não existe um “melhor” sistema em termos absolutos. O que há são sistemas mais adequados a cada realidade produtiva — por isso, o produtor deve considerar diversos critérios antes de tomar a decisão. Essa análise estratégica é essencial para alinhar produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo.

Como a tecnologia transforma os sistemas agrícolas no Brasil
A agricultura moderna não se sustenta apenas em boas práticas de cultivo. O uso de tecnologias digitais passou a ser indispensável para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e atender às exigências de um mercado cada vez mais competitivo e regulado.
Ferramentas como sensores, drones, softwares de gestão e aplicativos móveis vêm mudando a forma como o campo opera. Essas soluções permitem integrar informações, tomar decisões baseadas em dados e planejar com mais precisão — seja em pequenas propriedades familiares ou em grandes grupos agroindustriais.
Monitoramento da produção em tempo real
Uma das aplicações mais visíveis da tecnologia está no monitoramento da lavoura. Sensores de solo, drones e softwares especializados permitem acompanhar variáveis como umidade, fertilidade, surgimento de pragas e até o estágio de desenvolvimento das plantas.
Esse acompanhamento contínuo ajuda o agricultor a agir de forma preventiva, evitando perdas e garantindo um uso mais racional de recursos naturais como água e fertilizantes.
Redução de custos e uso mais eficiente de insumos
A tecnologia também se reflete no bolso. Ferramentas de agricultura de precisão, como maquinário equipado com GPS ou aplicativos de recomendação de adubação, permitem que insumos sejam aplicados apenas onde são realmente necessários.
O resultado é uma redução significativa de desperdícios e um melhor aproveitamento de cada hectare cultivado. Isso é válido tanto para grandes áreas mecanizadas quanto para pequenas propriedades que precisam otimizar cada recurso disponível.
Planejamento e previsibilidade da produção
Outro impacto importante é a capacidade de prever cenários. Softwares de gestão agrícola ajudam a planejar safras, simular custos e estimar volumes de produção antes mesmo da colheita.
Com isso, o produtor passa a ter mais segurança para tomar decisões estratégicas, negociar contratos de fornecimento ou buscar crédito rural com base em informações sólidas e confiáveis.
Rastreabilidade e valorização no mercado
A crescente exigência por rastreabilidade e comprovação de sustentabilidade tem levado produtores a investir em soluções digitais que documentam toda a jornada do alimento — da plantação até a prateleira.
Esses registros fortalecem a confiança do consumidor, abrem portas para mercados mais exigentes e aumentam o valor agregado da produção.
Integração da gestão rural
Por fim, talvez o ponto mais transformador da tecnologia seja a integração da gestão da propriedade. Quando informações de produção, estoque, logística, finanças e pessoas passam a estar conectadas em uma única plataforma, o agricultor ganha uma visão completa do negócio.
Essa integração é essencial para enfrentar a complexidade crescente do agro moderno. Afinal, a competitividade não depende apenas da colheita farta, mas também da capacidade de gerir recursos, controlar custos e atender às regulamentações do setor.
Ganhe eficiência e controle da produção com os sistemas da TOTVS para Agro
A gestão no campo exige muito mais do que acompanhar a lavoura ou controlar insumos. É preciso ter visão completa de todo o processo agrícola, desde a escolha da área de plantio até o beneficiamento da produção.
É exatamente esse o papel dos sistemas da TOTVS para o Agro, desenvolvidos para integrar o escritório e o campo.
Com a TOTVS, você tem gestão agrícola de ponta a ponta, desde o preparo do solo até o beneficiamento.
Saiba mais sobre o sistemas da TOTVS para o Agro e leve sua produção a um novo patamar de gestão e competitividade!
Conclusão
Os sistemas agrícolas são fundamentais para a produção de alimentos e para a economia brasileira. Entre modelos convencionais, sustentáveis e integrados, além das abordagens intensiva e extensiva, cada um traz vantagens e desafios que refletem diferentes contextos produtivos.
Essa diversidade mostra como o agro nacional é plural e exige escolhas estratégicas.
Mais do que optar por um sistema de cultivo, o produtor precisa entender que a gestão é o ponto-chave para garantir eficiência e competitividade. É ela que possibilita controlar custos, planejar safras e atender às exigências de consumidores e mercados cada vez mais criteriosos.
Nesse cenário, a tecnologia assume um papel transformador. Do monitoramento da lavoura à rastreabilidade dos produtos, as soluções digitais dão mais previsibilidade, reduzem desperdícios e integram processos. Com a TOTVS, tudo isso acontece de ponta a ponta, unindo escritório e campo em uma única plataforma.
E para aprofundar ainda mais esse tema, leia também nosso artigo sobre Agricultura 4.0 e descubra como as inovações digitais estão moldando o futuro da produção agrícola no Brasil e no mundo!
Deixe aqui seu comentário