Entenda como aplicar a manufatura enxuta em diversos setores da indústria

O conceito de manufatura enxuta (lean manufacturing) é amplamente conhecido e aplicado na produção industrial. Em tempos de um mercado tão concorrido, é preciso entregar o máximo de valor com baixo custo, usando uma baixa quantidade de recursos. Entretanto, pouca gente sabe que essa ideia pode ser estendida para outras áreas.

Afinal, o que a manufatura enxuta tem a oferecer para a logística? Quais são os seus benefícios para o estoque? O departamento de RH também deve estar atento às possibilidades que ela traz?

Neste post, mostraremos como os conceitos de lean podem beneficiar esses setores. Confira!

Manufatura enxuta na logística

Para fazer uso estratégico desse conceito, é preciso levar em consideração os seus três pontos-chave: minimizar o desperdício, promover melhoria contínua e produzir just in time. No dia a dia da indústria, essas ideias muitas vezes são limitadas aos ambientes que lidam com recursos materiais. Na produção de peças, por exemplo, busca-se eliminar desperdícios, melhorar as técnicas industriais e produzir sob demanda.

No entanto, os mesmos conceitos podem ser aplicados também a processos, gerando benefícios a setores que vão muito além das linhas de produção — e a logística é um bom exemplo disso. Uma característica desse setor é a necessidade de lidar com transporte, fornecedores, clientes etc.

Com isso, é bastante comum identificarmos cenários em que o tempo de espera se torna um obstáculo das equipes. Ainda assim, pouca gente percebe que isso é um caso de desperdício — no caso, o recurso desperdiçado é o tempo.

Por isso, a manufatura enxuta indica a adoção de estratégias para reduzir o tempo de espera e otimizar o transporte (tanto interno quanto externo). O layout da fábrica, por exemplo, pode ser repensado de forma a reduzir o fluxo de materiais em deslocamento. Ao longo da cadeia produtiva, o transporte se torna mais eficiente, aumentando a produtividade de toda a empresa.

Já para o ambiente externo, é importante contar com uma transportadora confiável e alinhar os objetivos da sua organização com ela. Dessa forma, o fluxo de materiais passa a ser mais orgânico como um todo.

Manufatura enxuta no estoque

Se a logística tem um papel importante para a otimização da rede de suprimentos, não é diferente com o estoque. O uso inteligente do espaço é o primeiro fator a ser considerado, já que ele tem relação direta com os três pontos-chave da manufatura enxuta.

Em geral, o conceito de 5S é adotado para promover uma organização maior dos materiais. No entanto, mesmo se baseando em questões importantes (utilização, ordenação, limpeza, saúde e autodisciplina), eles não partem exatamente de uma abordagem que considera as especificidades de cada empresa.

Adotar o conceito de lean significa compreender exatamente o modo de trabalho da companhia e adequar ao máximo os processos para que eles sejam mais produtivos. No estoque, isso pode ser feito em parceria com o 5S.

O layout, por exemplo, não deve ser simplesmente organizado e sinalizado (com placas, faixas etc.), mas pensado de forma que os materiais mais utilizados, por exemplo, sejam de mais fácil acesso. O armazenamento por períodos muito longos e em excesso deve ser mitigado ao máximo.

Para isso, é interessante adotar indicadores, como os de tempo e quantidade, além de fazer um monitoramento constante do estoque. Assim, o gestor pode identificar materiais e equipamentos cujo fluxo de reposição está desajustado — para mais ou para menos.

Então, com o cronograma da produção em mãos, é possível fazer ajustes finos no estoque para que ele favoreça uma produção just in time — ou seja, que não haja materiais excedentes, e sim um fluxo contínuo. Vale lembrar que o tempo deve ser monitorado para evitar que as compras sejam feitas muito antes do início da produção, pois isso gera ainda mais custo de armazenamento.

Manufatura enxuta nos recursos humanos

O departamento de RH lida com questões fundamentais para o sucesso de um negócio. Afinal, não há recurso mais importante que o capital humano para gerar valor para um produto. Por isso, o RH deve saber adotar práticas de lean com planejamento e controle, sempre levando em consideração a adaptação dos colaboradores às alterações propostas.

Isso porque a dinâmica do mercado atual exige mudar com certa frequência. Novas demandas surgem e as organizações devem estar preparadas para atendê-las com eficiência e rapidez. Por outro lado, isso pode gerar algum desgaste entre os colaboradores, já que toda mudança exige um esforço de adaptação.

Alterações de objetivos e padrões de trabalho, por exemplo, podem ser tão difíceis para alguns profissionais que muitos optam por deixar a empresa. Essa movimentação de pessoal pode gerar impactos negativos na produtividade, já que o RH precisará investir tempo e dinheiro em novas contratações e treinamentos.

Entretanto, não é uma regra absoluta. Cabe à empresa identificar o perfil de profissional que pode compor essa cultura organizacional de manufatura enxuta. O trabalho passa a ser, então, de aperfeiçoamento constante. Treinamentos, reuniões e eventos em geral facilitam o alinhamento de objetivos e valores entre as equipes.

Quanto mais eles compreenderem os objetivos da organização, maior a sinergia nos processos de produção. Mas o trabalho não para por aí — além de buscar a estabilidade do ambiente de trabalho e desenvolver pessoas, o RH deve gerenciar com cuidado a aplicação desse recurso tão valioso.

Não é raro encontrar profissionais insatisfeitos com o próprio trabalho. Contudo, nem toda empresa investiga a raiz do problema e, com isso, pode perder oportunidades. Estamos falando de habilidades subutilizadas, um fator relativamente comum no mercado atual.

Conhecer de perto os seus colaboradores permite que o RH identifique um verdadeiro acervo de conhecimento e capacidades técnicas à disposição. Muitas vezes, produzir mais com menos recursos significa realocar profissionais para funções diferentes, mesmo que isso exija uma mudança de departamento.

Essa gestão, quando feita com planejamento, traz diversos benefícios. Além do fator motivacional, é possível reduzir custos com contratações e treinamentos, pois os colaboradores já estão alinhados à cultura organizacional da empresa. O engajamento nos objetivos do negócio também tende a ser maior, já que os profissionais se tornam cientes da valorização dada à formação profissional de cada um.

São mudanças que podem ocorrer de diversas formas, mas sempre devem ter como norte a cultura organizacional, os objetivos da empresa e a sua metodologia de trabalho. Em pouco tempo, a manufatura enxuta pode ser uma nova realidade em todos os setores — e os benefícios, como você pôde ver, são muitos!

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