A lei sobre locação de equipamentos define regras que impactam contratos, responsabilidades e o uso de ativos nas empresas. Entender essas normas é essencial para evitar riscos jurídicos e manter a operação segura.
Na prática, a locação envolve desafios como controle de prazos, responsabilidades por danos, documentação e manutenção dos equipamentos. Sem processos bem estruturados, falhas na gestão podem gerar prejuízos e conflitos contratuais.
Por outro lado, quando a empresa conhece as exigências legais e organiza seus processos, a conformidade passa a contribuir para mais eficiência e competitividade.
Neste artigo, explicamos o que diz a lei sobre locação de equipamentos, quais são as responsabilidades das partes, quais cuidados a legislação exige e como essas regras impactam a gestão da locação.
Explicamos também como a tecnologia pode ajudar sua empresa a organizar contratos, controlar ativos e manter toda a operação dentro das normas. Boa leitura!
O que diz a lei sobre locação de equipamentos no Brasil?
A lei sobre locação de equipamentos no Brasil estabelece as regras que regulam o uso temporário de bens móveis mediante pagamento, definindo direitos, deveres e responsabilidades tanto do locador quanto do locatário.
A principal base legal é a Lei nº 10.406/2002 (Código Civil), especialmente nos dispositivos que tratam da locação de coisas.
De forma geral, a legislação determina que uma parte cede o uso e o gozo de um equipamento por tempo determinado ou indeterminado, enquanto a outra se compromete a pagar um valor pelo uso e a devolvê-lo nas condições acordadas em contrato.
Essa regulamentação tem como objetivo garantir segurança jurídica nas relações comerciais, prevenir conflitos e estabelecer critérios claros para conservação, responsabilidade por danos e cumprimento das obrigações contratuais.
Base legal da locação de equipamentos
No ordenamento jurídico brasileiro, a locação de equipamentos é enquadrada como locação de bens móveis, regida principalmente pelos artigos 565 a 578 do Código Civil, que tratam do contrato de locação de coisas.
Segundo o artigo 565, a locação ocorre quando:
- O locador cede o uso e o gozo de um bem não fungível;
- O locatário paga determinada quantia pelo uso;
- Existe obrigação de devolução do bem ao final do contrato.
Além da definição do contrato, o Código Civil estabelece regras relacionadas a:
- Direitos e deveres das partes;
- Condições para validade jurídica do contrato;
- Responsabilidade pela conservação do bem;
- Perdas e danos em caso de descumprimento;
- Hipóteses de rescisão contratual.
O texto legal completo pode ser consultado no portal oficial do Planalto (Lei nº 10.406/2002).
Princípios jurídicos aplicáveis à locação
A lei também determina princípios gerais que orientam os contratos de locação de equipamentos, como:
- Boa-fé objetiva, que exige transparência e cooperação entre as partes;
- Obrigatoriedade do cumprimento contratual, garantindo que o acordo firmado seja respeitado;
- Equilíbrio das obrigações, evitando prejuízos indevidos;
- Responsabilidade por danos, quando houver uso inadequado ou descumprimento.
Na prática, esses princípios reforçam a importância de contratos bem estruturados, com regras claras sobre uso, manutenção e responsabilidades.
Outras normas que podem complementar a legislação
Embora o Código Civil seja a principal referência, outras legislações podem se aplicar conforme o tipo de equipamento e sua finalidade de uso. Entre elas estão:
- Normas técnicas e regulamentações de segurança;
- Legislações específicas para determinados setores ou equipamentos;
- Regras ambientais ou de segurança do trabalho;
- Normas aplicáveis a máquinas, veículos ou equipamentos regulamentados.
Isso significa que a conformidade na locação não depende apenas do contrato, mas também do cumprimento de exigências técnicas e regulatórias relacionadas ao uso do bem.
Por que entender a legislação é importante para empresas?
Para empresas que trabalham com locação de equipamentos ou utilizam ativos alugados em suas operações, compreender a legislação é essencial para:
- Reduzir riscos jurídicos e financeiros;
- Garantir validade contratual;
- Proteger o patrimônio envolvido na operação;
- Evitar conflitos entre as partes;
- Estruturar processos de gestão mais seguros.
Mais do que uma exigência legal, conhecer essas regras permite que a empresa organize melhor seus contratos, controle responsabilidades e mantenha a operação alinhada às exigências regulatórias.
Como funciona o contrato de locação de equipamentos segundo a legislação brasileira?

O contrato de locação de equipamentos é o instrumento jurídico que formaliza a cessão temporária do uso de um bem móvel mediante pagamento.
Na prática, o contrato funciona como o principal mecanismo de segurança jurídica da locação, pois define regras claras sobre:
- Condições de uso do equipamento;
- Finalidade de uso do equipamento;
- Obrigações das partes;
- Período da locação;
- Valor e condições de pagamento;
- Responsabilidades por manutenção e conservação;
- Regras de devolução;
- Penalidades em caso de descumprimento.
A legislação brasileira também determina que o contrato deve respeitar princípios gerais do direito contratual, como boa-fé, transparência e equilíbrio entre as partes. Quanto mais detalhado e estruturado for o acordo, menores são os riscos de conflitos ou prejuízos.
Leia mais: Contrato de locação de equipamentos: confira o guia completo
Requisitos para validade jurídica do contrato
Para que o contrato de locação de equipamentos tenha validade legal, ele deve atender aos requisitos gerais dos negócios jurídicos previstos no Código Civil. Entre os principais estão:
- Capacidade das partes: Tanto locador quanto locatário devem ter capacidade legal para firmar contratos. No caso de empresas, isso envolve representantes autorizados e documentação societária regular.
- Objeto lícito e determinado: O equipamento deve ser claramente identificado no contrato, com especificações que permitam sua correta identificação e uso dentro da legalidade.
- Consentimento livre entre as partes: O acordo deve ser firmado sem vícios de vontade, como erro, fraude ou coação.
- Forma permitida em lei: Embora a legislação não exija forma específica para todos os casos, a formalização por escrito é recomendada para garantir comprovação jurídica, especialmente em operações empresariais.
Além desses requisitos básicos, boas práticas contratuais incluem:
- Descrição detalhada do equipamento;
- Condições de uso e conservação;
- Responsabilidades por manutenção;
- Regras de vistoria;
- Critérios de indenização por danos;
- Condições de rescisão.
Diferença entre propriedade e posse do equipamento
Um dos conceitos mais importantes na lei sobre locação de equipamentos é a distinção entre propriedade e posse.
- Propriedade refere-se ao direito legal sobre o bem. O equipamento continua pertencendo ao locador durante toda a vigência do contrato.
- Posse, por sua vez, corresponde ao direito de uso temporário concedido ao locatário, conforme condições estabelecidas no contrato.
Essa distinção tem impactos diretos na operação e na gestão do ativo, pois:
- O locatário não pode vender, transferir ou alterar o equipamento sem autorização;
- O locador mantém direitos sobre o bem mesmo durante a locação;
- A devolução do equipamento ao término do contrato é obrigatória;
- Responsabilidades por danos ou perdas devem ser definidas conforme o uso.
Quais são as responsabilidades do locador e do locatário?
A lei sobre locação de equipamentos estabelece que o locador deve garantir o funcionamento e a disponibilidade do equipamento, enquanto o locatário deve utilizá-lo corretamente, conservá-lo e devolvê-lo nas condições acordadas.
Essas responsabilidades estão previstas principalmente nos artigos 565 a 578 da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil), que tratam da locação de coisas.
O descumprimento dessas obrigações pode gerar penalidades, indenizações e até a rescisão do contrato.

Obrigações do locador
As principais responsabilidades do locador são:
- Entregar o equipamento em condições de uso, com funcionamento adequado e segurança operacional;
- Garantir o uso pacífico do bem, sem interferências ou impedimentos indevidos;
- Responder por defeitos ou vícios anteriores à locação, quando comprometerem o uso do equipamento;
- Realizar reparos necessários, quando previstos contratualmente;
- Informar corretamente as condições de uso e limitações do equipamento.
Obrigações do locatário
Os principais deveres do locatário são:
- Utilizar o equipamento conforme a finalidade contratada;
- Conservar o bem durante o período de uso;
- Pagar os valores acordados dentro do prazo estabelecido;
- Não modificar ou transferir o equipamento sem autorização;
- Comunicar problemas ou falhas ao locador;
- Devolver o equipamento nas condições previstas em contrato, considerando o desgaste natural pelo uso regular.
Responsabilidade por perdas e danos
A responsabilidade por perdas e danos é um dos pontos mais relevantes na locação de equipamentos, uma vez que envolve riscos financeiros e jurídicos para ambas as partes.
De modo geral, a legislação estabelece que:
- O locatário responde por danos decorrentes de uso indevido, negligência ou descumprimento contratual;
- O locador responde por defeitos ocultos ou problemas anteriores à entrega do equipamento;
- O responsável pelo prejuízo deve indenizar a outra parte.
O contrato pode detalhar critérios para apuração de danos, formas de indenização e limites de responsabilidade, incluindo:
- Custos de reparo ou reposição;
- Perda total do equipamento;
- Indisponibilidade do bem;
- Prejuízos operacionais.
Por esse motivo, as cláusulas sobre responsabilidade, garantias e seguros são fundamentais para reduzir riscos e evitar disputas.
Normas técnicas e regulamentações que podem afetar a locação de equipamentos
Além do Código Civil, a locação de equipamentos pode estar sujeita a normas técnicas e regulamentações específicas, que variam conforme o tipo de equipamento e sua finalidade de uso.
As principais normas e regulamentações que podem impactar a locação são:
- Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que definem padrões técnicos e de segurança;
- Normas regulamentadoras de segurança e saúde no trabalho (NRs), quando o equipamento envolve operação por trabalhadores;
- Legislação ambiental, para equipamentos com potencial impacto ao meio ambiente;
- Regulamentações específicas por setor, como regras para veículos, máquinas industriais ou equipamentos especializados;
- Exigências de inspeção, certificação e manutenção preventiva.
Quais documentos são necessários para locação de equipamentos?
Embora os documentos de locação de equipamentos possam variar conforme o tipo de equipamento e a complexidade da operação, alguns registros são considerados essenciais na maioria dos contratos de locação.
Contrato de locação
O contrato é o principal documento da operação e deve formalizar todas as condições da locação, como:
- Identificação das partes envolvidas;
- Descrição detalhada do equipamento;
- Prazo de locação;
- Valores e condições de pagamento;
- Responsabilidades por manutenção e conservação;
- Regras de devolução;
- Penalidades por descumprimento.
Um contrato claro e completo reduz riscos jurídicos e facilita a gestão das obrigações.
Termo de entrega e vistoria do equipamento
Esse documento registra o estado do equipamento no momento da entrega e da devolução, incluindo:
- Condições de funcionamento;
- Eventuais avarias;
- Características do bem;
- Data e assinatura das partes.
A vistoria documentada evita disputas sobre danos ou responsabilidades durante a locação.
Nota fiscal e registros financeiros
A emissão de nota fiscal formaliza a operação comercial e garante regularidade fiscal da locação. Também é importante manter registros de:
- Pagamentos realizados;
- Cobranças;
- Reajustes;
- Eventuais multas ou indenizações.
Esses documentos asseguram transparência financeira e conformidade tributária.
Registros de manutenção e conformidade técnica
Dependendo do equipamento, podem ser necessários documentos que comprovem:
- Manutenções realizadas;
- Inspeções periódicas;
- Certificações técnicas;
- Condições de segurança e funcionamento.
Esses registros demonstram que o equipamento está apto para uso e ajudam a reduzir riscos operacionais e jurídicos.
Apólices de seguro e garantias contratuais
Quando houver previsão contratual, também devem ser mantidos:
- Comprovantes de seguro do equipamento;
- Termos de garantia ou caução;
- Documentos relacionados à cobertura de riscos.
Esses instrumentos protegem o patrimônio envolvido na locação e definem responsabilidades em caso de perdas ou danos.
Como um ERP ajuda sua empresa a cumprir a lei sobre locação de equipamentos?

Um sistema ERP ajuda sua empresa a cumprir a lei sobre locação de equipamentos porque centraliza a gestão de contratos, ativos e documentação em um único sistema.
Isso permite controlar prazos, registrar responsabilidades, monitorar manutenções e manter a operação alinhada às exigências legais.
A tecnologia também reduz falhas manuais, melhora a rastreabilidade das operações e facilita auditorias, contribuindo para maior segurança jurídica e eficiência operacional.
Esse controle é cada vez mais importante com o crescimento do setor.
Segundo dados da Mordor Intelligence, o mercado global de aluguel e leasing de máquinas deve atingir USD 166,54 bilhões até 2029, impulsionado pelo avanço da infraestrutura e pela automação.
Nesse cenário, processos automatizados ajudam a reduzir custos, aumentar a produtividade e garantir conformidade.
Como o TOTVS Rental apoia a conformidade e a gestão da locação de equipamentos?
O TOTVS Rental é uma solução especializada na gestão de locação de máquinas e equipamentos, desenvolvida para otimizar contratos, controlar ativos e automatizar processos.
O sistema permite gerenciar inventário, integrar operações ao backoffice e realizar faturamento automático, garantindo mais controle e segurança na operação.
A solução também melhora a gestão logística, desde autorizações de serviço até a alocação de mão de obra, além de oferecer maior visibilidade sobre contratos e utilização dos equipamentos.
Na prática, as empresas que utilizam a solução relatam ganhos em controle e organização.
Segundo Glaucia Soares, gestora de TI no Grupo GAAP, “com o sistema, conseguimos gerar relatórios que nos dão maior visão dos tipos de contratos que nós temos dentro da empresa, controle de equipamentos e comissão de vendedores, então ele é bastante completo”.
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Conclusão
A lei sobre locação de equipamentos no Brasil é regulamentada principalmente pelo Código Civil e estabelece as regras para a cessão temporária de bens mediante pagamento, definindo direitos, deveres e responsabilidades de locador e locatário.
A legislação determina condições de uso, conservação, devolução do equipamento, responsabilidades por perdas e danos e requisitos para validade dos contratos, além de exigir controle sobre documentação e conformidade técnica.
Na prática, essas exigências impactam diretamente a gestão da locação, tornando essencial organizar contratos, acompanhar ativos e garantir processos estruturados.
Se você quer aprofundar seus conhecimentos sobre formalização jurídica e boas práticas contratuais, continue a leitura no blog da TOTVS e conheça também o artigo sobre os principais modelos de contratos e como elaborá-los.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que dizem os artigos 565 a 578 do Código Civil?
Os artigos 565 a 578 do Código Civil regulam o contrato de locação de coisas no Brasil. Eles definem direitos e deveres de locador e locatário, regras sobre uso e conservação do bem, pagamento, responsabilidade por danos e condições de rescisão do contrato.
Como funciona a locação de equipamentos segundo a legislação brasileira?
A legislação permite a cessão temporária do uso de um equipamento mediante pagamento, mantendo a propriedade com o locador. O contrato deve definir condições de uso, prazo, responsabilidades e regras de devolução do bem.
Quem é responsável por danos no equipamento alugado?
Em geral, o locatário responde por danos causados por uso inadequado ou negligência. Já o locador é responsável por defeitos ou problemas existentes antes da devolução do equipamento, conforme previsto em contrato.
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