Conceito de lean manufacturing: do surgimento à indústria 4.0

Equipe TOTVS | GESTÃO INDUSTRIAL | 18 outubro, 2018

Muito tem se falado sobre o lean manufacturing e tudo o que ele pode trazer de bom às indústrias. Essa filosofia de gestão foca naquilo que é primordial às empresas: reduzir desperdícios e aumentar a produtividade, sem abrir mão da qualidade.

Inúmeras empresas dos mais variados ramos estão absorvendo os seus conceitos para garantir vantagem competitiva.

Por outro lado, o conceito de indústria 4.0 também abre discussões e chama a atenção para a integração tecnológica dos processos industriais.

Mas será que essas duas ideologias são opostas ou caminham juntas? Para responder a essa questão, é preciso compreender o significado de ambas.

Você já sabe qual é o conceito de lean manufacturing e como ele pode ser aplicado em sua empresa? Confira essas e outras informações a respeito do tema e entenda qual é a relação com a indústria 4.0.

O que é lean manufacturing?

O termo traduzido significa algo equivalente a “produção enxuta”. Ele tem origem no Sistema Toyota de Produção (STP) e se trata de uma filosofia de gestão que foca em evitar oito tipos de desperdícios, a saber:

  1. superprodução;
  2. tempo de espera;
  3. transporte;
  4. excesso de processamento;
  5. inventário;
  6. movimento de pessoal;
  7. defeitos;
  8. habilidades subutilizadas.

O intuito é eliminar essas perdas para aumentar o índice de qualidade, reduzindo tempo e custo de produção. E a forma de o lean manufacturing conseguir isso é usando métodos contínuos de análise, produção puxada e processos à prova de falhas.

Em síntese, a ideia básica do lean é utilizar os materiais certos, no local mais adequado e em quantidades muito específicas.

Assim, minimiza-se o desperdício, consegue-se flexibilidade na produção, mantendo a abertura a mudanças.

Como o lean manufacturing surgiu?

A ideia de produção enxuta surgiu dentro da Toyota, no período em que o Japão se recuperava da Segunda Guerra Mundial.

A mentalidade reinante do país era produzir os itens mais demandados pela população devastada em larga escala — alimentos, materiais de construção, produtos têxteis etc. Mas isso era feito por meio da produção em massa e com pouca diversidade de produtos.

A Toyota, por outro lado, não tinha condições de produzir massivamente itens de transporte, também necessários. Isso exigiria uma capacidade gigantesca de armazenamento e grandes investimentos, com pouca flexibilidade.

Foi então que um executivo chamado Taiichi Ohno desenvolveu um novo processo, que não necessitava de grandes estoques e aceleraria o fluxo de caixa da empresa, atendendo ainda às diversas demandas, com produtos personalizados.

Essa inovação deu origem ao STP, que obteve tanto sucesso a ponto de se expandir para diversas outras empresas japonesas, que rapidamente chegaram a exportar para o mercado internacional.

O STP utiliza conceitos que incluem nivelamento da produção, eliminação de desperdícios e produção puxada, entre outros aspectos. Foi ele que deu origem ao lean, difundido em meados dos anos 90, no livro “A mentalidade enxuta das empresas Lean Thinking: elimine o desperdício e crie riqueza”.

Quais são os principais elementos desse conceito?

O lean manufacturing se fundamenta em alguns princípios básicos, que são:

  1. controle total de qualidade: buscar sempre zerar os erros e defeitos, detectando e solucionando os problemas na origem;
  2. minimização total do desperdício: eliminar as atividades sem valor agregado, otimizando o uso dos recursos, sobretudo aqueles escassos, que incluem o capital, os recursos humanos e o espaço;
  3. melhoria contínua: reduzir custos, maximizar a qualidade e aumentar a produtividade, difundindo a informação e o conhecimento;
  4. produção puxada: disparar a esteira de produção conforme o cliente final “puxa” a demanda, e não empurrá-los, gerando custos com estocagem;
  5. flexibilidade: produzir diferentes lotes com produtos variados de forma rápida, em volumes menores de produção, para manter a eficiência;
  6. inclusão dos fornecedores no processo: construir uma relação de longo prazo com acordos de compartilhamento de risco, custos e informação.

Pelo nome, você percebe que o foco do lean manufacturing é a produção enxuta, sempre buscando a redução de desperdício.

Como aplicar o lean manufacturing na prática?

Para implementar o lean manufacturing, é preciso estudar a empresa e buscar as fontes de problema. Isso é feito:

  • observando e medindo dados;
  • analisando desvios;
  • utilizando ferramentas qualitativas e gerenciais na solução;
  • resolvendo falhas.

No processo, é preciso manter o foco em alguns pontos práticos. Veja quais são a seguir.

1. Valor — observe pelos olhos do cliente

Quem define o valor de um produto ou serviço é a demanda de mercado, e não os custos de produção (isso pode indicar o preço, mas não o valor).

Assim, para alcançar as margens que atendam ao mercado, deve-se eliminar as atividades desnecessárias, preservando e fomentando aquelas que agregam valor para o cliente.

2. Fluxo de valor — sequencie atividades que criam valor

O fluxo de valor é o que gera o produto, englobando a cadeia produtiva desde a matéria-prima até a entrega ao consumidor final.

Ao enxergá-lo como um todo, a empresa consegue mapear as fontes de desperdício, unificar o conhecimento e clarificar a ligação entre a informação e o material.

3. Fluxo contínuo — execute as atividades sem interrupções

Dessa forma, você reduz o tempo de espera entre atividades e minimiza os estoques. O fluxo contínuo também ajuda a eliminar filas e produzir em ritmo proporcional à demanda. Assim, ficam reduzidos os custos e os esforços desnecessários.

4. Produção puxada — deixe que o cliente puxe a esteira de produção

O disparo do processo não se dá no ponto inicial da produção, mas nas atividades posteriores (retirada do estoque e embalagem, por exemplo). Isso elimina a produção excessiva. Ou seja, o que dispara a produção é a demanda do cliente.

Como ele é impactado pela indústria 4.0?

E o que o lean manufacturing tem a ver com a indústria 4.0? Primeiro, é preciso compreender toda a sua significância. Ela também é conhecida como fábrica do futuro ou 4ª Revolução Industrial, e a sua popularização é relativamente recente.

O mais interessante é que a sua base é a filosofia do lean manufacturing: a indústria 4.0 tem profunda ligação com a tecnologia e a modernização, que conferem competitividade e ajudam a eliminar desperdícios. Os ERPs, por exemplo:

  • agilizam o fluxo de informação;
  • minimizam os erros;
  • fortalecem a tomada de decisão;
  • integram informações de diferentes setores.

Ou seja, a tecnologia é uma grande aliada das empresas que adaptam os seus processos usando as ferramentas tecnológicas disponíveis.

O nível de conexão e globalização mundial hoje atingiu um nível sem precedentes. É preciso acompanhá-lo para atingir as expectativas dos clientes, cada vez mais exigentes.

Assim, a indústria 4.0 trata de uma verdadeira revolução tecnológica, com a produção sendo permeada pela alta tecnologia.

O termo remete às revoluções industriais, sendo:

  • a primeira, ocorrida na Grã-Bretanha, marcada pela substituição da produção manual pela industrial;
  • a segunda, que introduziu a produção em massa;
  • a terceira, com a chegada dos avanços tecnológicos e eletrônicos como controle numérico, sistemas ERP e afins;
  • a quarta, atual, cujo pilar é a integração com a Internet das Coisas (IoT) para automatizar os processos produtivos.

Essa última nos propõe modos de funcionamentos descentralizados, com equipamentos e máquinas se comunicando e se ajustando em tempo real à demanda e às novas necessidades.

E quais tecnologias estão proporcionando uma mudança tão grande? Veja:

  • o Big Data;
  • a impressão 3D para prototipagem;
  • a Inteligência Artificial;
  • os sistemas integrados;
  • a comunicação embarcada em sistemas e sensores;
  • a hiperconectividade;
  • a computação na nuvem etc.

Enfim, na prática, você pode perceber como tudo isso contribui para os mesmos conceitos que fundamentam o lean manufacturing, pois eliminam os gaps e gargalos e melhoram continuamente os processos. Não é a tecnologia, por si só, que promove o avanço, mas a sua utilização a favor da produção enxuta.

Assim, enquanto o foco no cliente, no valor agregado, na eliminação de desperdícios e na resposta rápida norteiam o lean manufacturing, as tecnologias da indústria 4.0 amplificam o seu potencial, facilitando a sua implementação máxima.

Não tenham dúvida que, utilizá-los como pilares e somando essas práticas à excelência na gestão de pessoas, uma empresa pode alcançar resultados inimagináveis.

E você? O que pensa a respeito dessa nova visão de produção e do conceito de lean manufacturing? Compartilhe este conteúdo nas suas redes sociais e troque grandes ideias com seus contatos profissionais!

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