Doença do trabalho e doença profissional: diferenças, impactos e prevenção

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Tempo de leitura: 14 minutos

Escrito por Equipe TOTVS
Última atualização em 15 July, 2025

Lidar com as complexidades da saúde no ambiente de trabalho pode ser um verdadeiro desafio, não é mesmo? A verdade é que a doença do trabalho e doença profissional são fontes de muitas dúvidas e, por vezes, de grande angústia.

Por exemplo, você já se pegou pensando na diferença entre uma dor nas costas que surgiu no escritório e um problema respiratório de um colega da fábrica? 

Ou talvez se preocupe com os custos invisíveis que um afastamento pode gerar para a empresa ou com a incerteza do que fazer quando a saúde começa a ser afetada pelo dia a dia profissional.

Mas não se preocupe! Este artigo foi elaborado para ajudar você. Vamos mostrar as diferenças entre doença do trabalho e doença profissional, entender os impactos que elas causam e mostrar caminhos claros para a prevenção. 

Continue lendo e prepare-se para esclarecer suas dúvidas e encontrar as soluções que você busca.

Boa leitura!

O que é doença do trabalho?

Trata-se de um tipo de condição de saúde que surge ou é agravada em razão das condições especiais em que o trabalho é realizado

Não é algo diretamente ligado à profissão em si, mas sim ao ambiente, aos equipamentos ou aos processos específicos de uma determinada atividade laboral.

Imagine que Gael é um funcionário de escritório que desenvolve uma Lesão por Esforço Repetitivo (LER) devido a passar horas digitando em uma postura inadequada e sem as pausas necessárias.

A digitação faz parte do trabalho dele, mas a LER não é uma doença inerente à profissão de “digitador”. Ela é resultado das condições específicas em que essa atividade foi executada.

Entre 2011 e 2021, segundo informações do Governo Federal, a Previdência Social registrou 632.578 auxílios concedidos por LER/DORT. Esse dado engloba um vasto leque de condições musculoesqueléticas, reconhecidas como causadas, agravadas ou mantidas pelo ambiente de trabalho. 

Contudo, é importante notar que esse número não reflete a totalidade dos casos, pois trabalhadores informais, servidores públicos e subnotificações não estão incluídos nessas estatísticas. 

A legislação brasileira, no artigo 20, da Lei nº 8.213/91, define a doença do trabalho como aquela “adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente”.

Para identificar uma doença do trabalho, realiza-se uma perícia para analisar se há uma conexão entre a doença e as condições específicas do ambiente laboral. 

É um processo detalhado que busca entender se a exposição a determinados fatores de risco no ambiente de trabalho foi a causa ou o agravante da condição de saúde.

O que é doença profissional?

Agora, vamos entender o que é doença profissional. Diferentemente da doença do trabalho, ela é aquela que é peculiar ou inerente a uma determinada profissão ou atividade

Ou seja, ela está diretamente ligada ao exercício de uma profissão específica e é esperada devido aos riscos que essa profissão apresenta.

Um exemplo de doença profissional é a perda auditiva em metalúrgicos que trabalham com máquinas extremamente ruidosas, mesmo com o uso de equipamentos de proteção auditiva. 

Nesse caso, o ruído é um componente intrínseco da atividade metalúrgica e a perda auditiva é um risco esperado e reconhecido dessa profissão.

De acordo com as informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), os níveis de ruído superiores a 75 decibéis (dB) são prejudiciais à audição. No Brasil, a legislação estabelece um limite máximo de exposição de 80 decibéis para uma jornada de trabalho de 8 horas. 

É importante entender que o tempo de exposição permitido diminui drasticamente à medida que a intensidade sonora aumenta. 

A mesma Lei nº 8.213/91, em seu artigo 20, define a doença profissional como aquela “produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade”. 

A Previdência Social possui uma lista de doenças profissionais, o que facilita o reconhecimento e a concessão de benefícios aos trabalhadores afetados. Essa lista é revisada periodicamente para incluir novas condições de saúde que são reconhecidas como inerentes a certas profissões.

Para identificar uma doença profissional, a análise é mais direta, pois ela já é reconhecida como característica da profissão. Basta comprovar o exercício da atividade e o desenvolvimento da doença para estabelecer o nexo causal.

Diferenças entre doença do trabalho e doença profissional

Já deu para perceber as principais diferenças entre doença do trabalho e doença profissional, certo? Vamos deixar bem claro para que não restem dúvidas

A doença profissional está diretamente relacionada à natureza da profissão. Considere-a como um risco “próprio” daquela atividade. 

Já a doença do trabalho está relacionada às condições em que o trabalho é exercido, não à profissão em si. É como se fosse um risco “extra” que o ambiente ou a forma de execução da tarefa adicionam.

Essa diferença, embora sutil para alguns, é fundamental para a legislação e para os direitos do trabalhador. A caracterização correta de uma doença do trabalho e doença profissional impacta diretamente no processo de reconhecimento, nos benefícios previdenciários e nas responsabilidades da empresa.

Por exemplo, um bancário que desenvolve LER devido à má ergonomia da cadeira no escritório pode adquirir uma doença do trabalho. A LER não é inerente à profissão de bancário, mas sim às condições em que ele trabalha. 

Já um frentista que desenvolve problemas respiratórios devido à inalação constante de vapores de combustível pode ter uma doença profissional, pois a exposição a esses vapores é intrínseca à sua atividade.

A compreensão dessas diferenças é o primeiro passo para uma gestão eficaz da saúde e segurança ocupacional, e para garantir que a doença do trabalho e doença profissional sejam abordadas de forma adequada.

Leia também: Prevenção de doenças ocupacionais: confira 12 dicas

Impactos para a empresa e para o profissional

A ocorrência de uma doença do trabalho e doença profissional traz consequências significativas, tanto para o colaborador quanto para a empresa. Não é apenas uma questão de saúde individual; é um problema que reverbera em diversas áreas.

Dados do Ministério da Saúde revelam que o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou quase 3 milhões de casos de doenças ocupacionais entre 2007 e 2022.

A análise dessas notificações revela que 26,8% dos casos decorreram da exposição a material biológico. As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) representaram 3,7% do total.

Confira os principais impactos para a empresa e para o profissional:

Para o profissional

Veja os principais impactos para o profissional:

  • Sofrimento físico e psicológico: a dor, a limitação física e a incerteza sobre a possibilidade de recuperação podem gerar grande angústia, estresse e até depressão;
  • Perda de capacidade laboral: em muitos casos, a doença pode levar à redução ou à perda total da capacidade de trabalho, temporária ou permanente;
  • Impacto financeiro: afastamentos do trabalho resultam em redução de renda, e os custos com tratamentos médicos, medicamentos e terapias podem ser altíssimos, mesmo com planos de saúde ou cobertura previdenciária;
  • Prejuízo à carreira: a interrupção ou mudança de carreira pode ser necessária, e o profissional pode se sentir estagnado ou incapaz de progredir em sua área;
  • Exclusão social: em casos mais graves, a doença do trabalho e doença profissional podem levar ao isolamento social, com o indivíduo perdendo contato com colegas de trabalho e sentindo-se menos produtivo na sociedade.

Para a empresa

Confira os principais impactos para a empresa:

  • Aumento de custos:
    • Gastos com saúde: despesas com tratamentos médicos, exames, medicamentos, afastamentos e, até mesmo, indenizações em casos de processos trabalhistas;
    • Previdência social: o aumento do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que eleva a alíquota do Seguro de Acidentes de Trabalho (SAT) pago pela empresa. Quanto mais acidentes e doenças ocupacionais, maior o FAP e, consequentemente, mais caro o imposto.
  • Redução da produtividade: funcionários doentes ou afastados impactam a produção e a entrega de resultados;
  • Problemas legais e multas: a empresa pode ser acionada judicialmente por negligência, o que resulta em processos trabalhistas, indenizações e multas aplicadas por órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público do Trabalho e a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego;
  • Deterioração da imagem e reputação: uma empresa que não se preocupa com a saúde e segurança de seus funcionários pode ter sua imagem manchada no mercado, dificultando a atração de talentos e a manutenção de clientes;
  • Desmotivação da equipe: ver colegas sofrendo com doença do trabalho e doença profissional pode desmotivar os demais funcionários, o que gera um ambiente de trabalho mais pesado e menos engajador.

Entender esses impactos é essencial para que as empresas invistam em programas de prevenção eficazes. É um investimento que se paga em dobro: na saúde dos colaboradores e na saúde financeira da própria organização.

Leia também: O que é turnover? Guia completo sobre o índice de rotatividade, suas causas e como reduzi-lo!

Como prevenir doenças do trabalho e profissionais?

A prevenção é sempre o melhor remédio, e, ao abordarmos doença do trabalho e doença profissional, essa máxima é ainda mais verdadeira. 

Assim, implementar medidas preventivas não é apenas uma obrigação legal, mas um investimento no bem-estar dos colaboradores e na sustentabilidade da empresa.

Aqui estão algumas das principais estratégias para prevenir doença do trabalho e doença profissional:

1. Programas de Gestão de Riscos (PGR e PCMSO)

O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) é essencial para identificar, avaliar e controlar os riscos ocupacionais presentes no ambiente de trabalho. Isso inclui:

  • Riscos físicos: ruído, calor, vibração;
  • Químicos: poeiras, gases, vapores;
  • Biológicos: vírus, bactérias;
  • Ergonômicos: postura inadequada, repetitividade;
  • Acidentes: máquinas sem proteção. 

O PGR é a base para qualquer estratégia de prevenção da doença do trabalho e doença profissional.

Já o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) complementa a PGR e tem como objetivo monitorar a saúde dos trabalhadores em relação aos riscos identificados. Inclui exames admissionais, periódicos, de retorno ao trabalho, de mudança de função e demissionais. 

O objetivo é detectar precocemente qualquer alteração na saúde do trabalhador que possa estar relacionada ao trabalho e intervir antes que se agrave.

2. Ergonomia adequada

Para uma ergonomia adequada, é fundamental fornecer cadeiras ergonômicas, mesas ajustáveis e periféricos que promovam uma postura correta e evitem esforços desnecessários.

Além disso, é importante organizar o espaço de trabalho de forma a minimizar movimentos repetitivos, posturas forçadas e a necessidade de força excessiva.

Também é essencial incentivar pausas regulares para descanso e a prática de exercícios laborais para alongamento e relaxamento dos músculos. Isso é fundamental para prevenir a LER/DORT, uma das principais doenças do trabalho e doença profissional.

3. Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e Coletivos (EPCs)

Fornecer e fiscalizar o uso correto de EPIs, como protetores auriculares, luvas, óculos de segurança, máscaras e calçados de proteção, de acordo com os riscos de cada função, é essencial, pois o EPI é a última barreira de proteção, caso as demais falhem.

Também é necessário instalar EPCs, como exaustores, sistemas de ventilação, barreiras de proteção em máquinas e sinalização de segurança, que atuam na fonte do risco, sendo a primeira e mais eficaz medida de prevenção.

4. Treinamento e conscientização

Treinar os colaboradores sobre os riscos específicos de suas atividades, o uso correto de EPIs, as melhores práticas de ergonomia e os procedimentos de segurança podem ajudar a evitar doenças do trabalho e doenças profissionais.

Além disso, promover uma cultura organizacional na qual a segurança seja valorizada e incentivada em todos os níveis, desde a alta gerência até os operadores, é fundamental para a conscientização sobre a doença do trabalho e doença profissional.

5. Monitoramento contínuo e avaliação

Realizar inspeções periódicas no ambiente de trabalho pode identificar novos riscos ou falhas nas medidas de prevenção.

Também é importante investigar a fundo todo e qualquer acidente ou incidente, mesmo os sem lesão, para identificar suas causas e implementar ações corretivas que evitem recorrências.

Além disso, é essencial criar canais para que os funcionários possam relatar condições inseguras ou sugerir melhorias.

Portanto, investir na prevenção de doenças do trabalho e doenças profissionais é uma atitude responsável e estratégica. Empresas que priorizam a segurança e saúde de seus colaboradores colhem os frutos de um ambiente de trabalho mais produtivo, feliz e com menor rotatividade.

Saúde e Segurança do Trabalho by NG

Quando falamos em gestão de saúde e segurança do trabalho, a tecnologia torna-se uma aliada poderosa. É aí que entra a TOTVS, que oferece uma ferramenta robusta para auxiliar as empresas na prevenção e controle de doenças do trabalho e doenças profissionais.

A solução Saúde e Segurança do Trabalho by NG é um software completo que automatiza e otimiza processos relacionados à saúde ocupacional e à segurança no ambiente de trabalho. 

Ela permite que as empresas gerenciem de forma eficiente os programas de prevenção, as informações dos colaboradores, os exames médicos, os registros de acidentes e doenças, e outros dados fundamentais para uma gestão eficiente..

Com essa ferramenta, é possível:

  • Gerenciar o PGR e o PCMSO;
  • Agendar e registrar exames admissionais, periódicos, de retorno, mudança de função e demissionais;
  • Controlar a entrega, o vencimento e a necessidade de troca dos Equipamentos de Proteção Individual;
  • Cadastrar e analisar ocorrências de doença do trabalho e doença profissional;
  • Gerar relatórios, atestados, Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT) e outros documentos de forma rápida e segura;
  • Garantir que todas as informações de saúde e segurança do trabalho estejam em conformidade com o eSocial.

A Saúde e Segurança do Trabalho by NG é uma solução que contribui diretamente para a redução de custos e para a melhoria da imagem da empresa no mercado.

Se você está cansado de lidar com a complexidade da doença do trabalho e doença profissional, conheça a solução Saúde e Segurança do Trabalho by NG!

Conclusão

Neste artigo, você entendeu que a doença do trabalho e doença profissional representam histórias de vida, desafios pessoais e, para as empresas, um sinal de que a atenção à saúde e segurança precisa ser redobrada. 

Os impactos são vastos, afetando não só o indivíduo, mas também a produtividade, os custos e a reputação da organização.

A boa notícia é que a prevenção é possível e totalmente eficaz. Investir em programas de gestão de riscos, ergonomia, uso de EPIs e EPCs, além de capacitar os colaboradores, é o caminho para um ambiente de trabalho mais seguro e saudável. 

Ferramentas como a Saúde e Segurança do Trabalho by NG são grandes aliadas nesse processo, simplificando a gestão e garantindo a conformidade.

Portanto, priorizar a prevenção da doença do trabalho e doença profissional é construir um futuro mais sustentável para todos, com mais bem-estar, produtividade e qualidade de vida. Que tal revisar as práticas na sua empresa e garantir que a segurança seja sempre uma prioridade? Aproveite e leia o nosso artigo sobre tecnologia na saúde.

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