Guia completo sobre contrato de comodato para empresas

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Tempo de leitura: 12 minutos

Escrito por Equipe TOTVS
Última atualização em 24 November, 2025

Você precisa emprestar um bem, mas quer garantir que ele será devolvido em segurança? Ou sua empresa utiliza equipamentos de terceiros e deseja formalizar esse uso sem custos? Nos dois casos, o contrato de comodato é a solução ideal.

Ele define regras claras para o empréstimo gratuito de bens, sejam imóveis, veículos, máquinas ou uniformes, protegendo tanto quem cede quanto quem utiliza o bem.

O processo é comum no contexto corporativo, mas é preciso entender como elaborar o documento corretamente para evitar riscos no acordo.

Neste conteúdo, vamos explicar como fazer isso. 

Além de entender como funciona o comodato, você vai descobrir quando utilizá-lo, seus benefícios e riscos, e como a tecnologia pode simplificar toda a gestão contratual. É só continuar a leitura!

O que é um contrato de comodato?

O contrato de comodato é um modelo de acordo que formaliza o empréstimo gratuito de um bem não fungível (aquele que não pode ser substituído por outro igual), como imóveis, veículos ou equipamentos específicos.

Regulamentado pelos artigos 579 a 585 do Código Civil, este tipo de contrato garante que o bem cedido seja devolvido ao final do prazo acordado, nas mesmas condições em que foi emprestado. 

Uma das principais características do comodato é que ele não envolve pagamento, diferentemente do que acontece nos contratos de locação, por exemplo. 

Além de ser gratuito, é um acordo temporário. 

Uma empresa pode ceder notebooks a seus colaboradores em regime de comodato, com devolução em caso de desligamento, por exemplo.

Fornecedores também podem emprestar equipamentos de demonstração a clientes ou parceiros de negócio mediante acordo de comodato. 

Quais são as regras de um contrato de comodato?

O comodato segue as regras previstas no Código Civil, que define a gratuidade e o caráter temporário do empréstimo, assim como as responsabilidades dos envolvidos. 

Nesta modalidade de negociação, quem cede o bem é chamado de comodante, e quem o utiliza, de comodatário

Segundo o Código Civil, o comodante tem responsabilidade de entregar o item em boas condições e respeitar o prazo de uso, enquanto o comodatário deve zelar pelo item e devolvê-lo conforme estabelecido em contrato. 

Se houver dano, perda ou uso indevido do bem, o comodatário pode ser obrigado a indenizar o comodante, conforme descrito no artigo 582 do Código Civil:

“Art. 582. O comodatário é obrigado a conservar, como se sua própria fora, a coisa emprestada, não podendo usá-la senão de acordo com o contrato ou a natureza dela, sob pena de responder por perdas e danos. O comodatário constituído em mora, além de por ela responder, pagará, até restituí-la, o aluguel da coisa que for arbitrado pelo comodante.”

Essas regras garantem segurança jurídica para ambas as partes, além de oferecer controle patrimonial e transparência nas relações corporativas. 

Para as empresas, isso é fundamental para uma boa governança e compliance eficiente. 

Quando usar o contrato de comodato?

O comodato é o modelo de contrato ideal quando há necessidade de conceder a posse de um bem sem transferir a propriedade. É o caso de empresas que fornecem veículos corporativos aos colaboradores, por exemplo.

É uma alternativa aos casos em que a locação do bem não se encaixa e o objetivo é emprestar sem exigir um pagamento em troca. 

Confira algumas situações em que o contrato de comodato pode ser utilizado:

  • Equipamentos médicos e industriais: empréstimo de aparelhos, instrumentos e máquinas para parceiros ou prestadores;
  • Imóveis e salas comerciais: cessão temporária de espaços para treinamentos, eventos corporativos ou operações de curto prazo;
  • Veículos corporativos: uso de carros, motos ou utilitários para atividades de campo, entregas ou deslocamentos profissionais;
  • Uniformes e materiais de trabalho: fornecimento gratuito de vestimentas, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e ferramentas, com devolução ao término do vínculo empregatício;
  • Equipamentos e dispositivos tecnológicos: empréstimo de notebooks, celulares, tablets ou impressoras para funcionários, especialmente para quem trabalha em regime híbrido ou remoto.

Quais os benefícios dos contratos de comodato?

O acordo de comodato oferece segurança, transparência e economia tanto para quem empresta quanto para quem recebe. Essa formalização permite definir prazos e condições de forma clara, evitando dúvidas sobre o empréstimo.

Com o contrato, é possível minimizar riscos e garantir uma relação de confiança mútua. Além disso, o documento traz benefícios como:

  • Segurança jurídica: o documento formaliza os direitos e deveres de ambas as partes, reduzindo o risco de conflitos, extravios e mal-entendidos;
  • Controle patrimonial eficiente: o comodante mantém o domínio sobre seus bens, com acompanhamento do uso e garantia de devolução em bom estado;
  • Formalização de acordos: todos os termos, como prazos, finalidade e responsabilidades, são registrados, o que garante transparência e validade legal ao acordo;
  • Agilidade em operações corporativas: é possível viabilizar projetos e parcerias de forma mais rápida com o comodato, sem comprometer o caixa com aquisições desnecessárias;
  • Redução de custos: ao optar pelo empréstimo gratuito, o comodatário tem acesso a bens sem precisar comprá-los ou arcar com custos envolvidos na locação de máquinas e equipamentos, imóveis e outros bens.

O que deve constar no contrato de comodato?

Para cumprir sua finalidade de proteger os envolvidos no comodato, o contrato deve trazer cláusulas claras, sem deixar espaço para interpretações equivocadas. 

Confira as informações que não podem faltar no contrato:

  • Identificação das partes: nome completo, CPF ou CNPJ, endereço e demais dados do comodante e do comodatário;
  • Condições de uso e responsabilidades: definir obrigações do comodatário, como conservação, manutenção e uso adequado do bem;
  • Prazo de duração do comodato: especificar se o empréstimo é por tempo determinado ou indeterminado, com previsão de devolução;
  • Cláusulas de rescisão e penalidades: definir situações que autorizam o término antecipado do contrato e possíveis multas para uso indevido do bem ou rescisão prévia;
  • Descrição detalhada do bem cedido: incluir características que identifiquem claramente o bem, como marca, modelo, número de série, estado de conservação e valor estimado;
  • Assinaturas das partes e testemunhas: para garantir validade jurídica, o contrato deve ser assinado por ambas as partes e, preferencialmente, por duas testemunhas. É possível fazer a assinatura eletrônica do documento para facilitar o processo. 

Como fazer contrato de comodato?

Um contrato bem estruturado precisa conter informações claras, objetivas e alinhadas à legislação civil, com detalhes sobre os envolvidos, responsabilidades e condições de uso do bem.

Agora que você já conhece os dados fundamentais para incluir no documento, preparamos algumas dicas práticas de como elaborar o contrato de comodato. Confira a seguir.

Defina as partes envolvidas e o objeto do comodato

Todo contrato deve começar com a identificação do comodante e do comodatário, incluindo nome ou razão social, CPF ou CNPJ e endereço completo de cada um.

Em seguida, descreva o bem que será emprestado. Especifique as características, estado de conservação e, se possível, número de série, marca ou modelo, especialmente no caso de equipamentos.

A descrição detalhada evita dúvidas sobre o item cedido e facilita o controle sobre os contratos de comodato. 

Descreva condições de uso e prazos de devolução

O contrato deve indicar como o bem pode ser utilizado, em quais circunstâncias e se há restrições específicas de uso.

As cláusulas também precisam especificar o prazo de devolução, seja ele determinado (com data fixa) ou indeterminado (até o comodante solicitar o bem de volta).

O prazo é o que reforça o caráter temporário do empréstimo, enquanto as condições de uso esclarecem os deveres de cada parte e, dessa forma, ajudam a evitar conflitos. 

Especifique responsabilidades e manutenção

Outro ponto importante é definir quem será responsável pela conservação do bem durante o período do comodato.

Como vimos, a legislação determina que o comodatário deve zelar pela integridade do item, utilizá-lo apenas para a finalidade acordada e devolvê-lo nas mesmas condições em que o recebeu.

É importante que o contrato siga essa diretriz, além de incluir cláusulas sobre custos de manutenção, reparos e eventuais danos. Essas cláusulas devem definir se esses encargos ficam sob responsabilidade do comodatário ou do comodante.

Inclua cláusulas de rescisão e penalidades

Ao elaborar o contrato, também é necessário prever as hipóteses de rescisão. Alguns exemplos são:

  • Mau uso do bem;
  • Descumprimento de cláusulas;
  • Necessidade de retomada por parte do comodante.

Nestas cláusulas, você também pode inserir multas ou penalidades para casos de não devolução, uso indevido ou danos materiais. 

Assine digitalmente o contrato com segurança

A assinatura eletrônica traz praticidade para a negociação de comodato, sem abrir mão da validade jurídica.

Com plataformas de assinatura digital, você formaliza o documento de forma rápida, segura e com rastreabilidade total das partes envolvidas.

Além da praticidade, a assinatura digital também elimina a necessidade de impressão e deslocamento, o que contribui para a redução de custos na tramitação do contrato.

Quais os riscos de um contrato de comodato?

O comodato é uma alternativa prática para o empréstimo de bens, mas pode apresentar riscos quando não é formalizado corretamente. 

Alguns dos riscos mais comuns são:

  • Ausência de seguro: a falta de cobertura contra roubo, extravio ou danos materiais coloca o comodante em risco de perda total do bem emprestado;
  • Falta de registro documental: sem um contrato formal, não há como comprovar legalmente o empréstimo, o que dificulta a defesa dos direitos de quem empresta ou recebe o bem;
  • Uso indevido do bem: quando não há especificação sobre finalidade e condições de uso, o comodatário pode utilizar o bem de maneira inadequada, causando danos ou depreciação;
  • Dificuldade de comprovar devolução: se não houver termo de entrega e devolução, pode ficar mais difícil comprovar que o bem foi restituído nas mesmas condições em que foi cedido;
  • Desgaste excessivo ou perda do item: a ausência de critérios de manutenção ou inspeção pode levar ao desgaste prematuro ou até desaparecimento do bem, o que resulta em prejuízo para o comodante.

Como simplificar a gestão de contratos com a assinatura eletrônica da TOTVS?

A tecnologia tem se tornado uma grande aliada da gestão de contratos nas empresas e a assinatura eletrônica é uma das principais soluções para otimizar rotinas corporativas. 

Com o sistema de assinatura eletrônica da TOTVS, é possível eliminar etapas manuais, reduzir custos operacionais e garantir a validade jurídica dos contratos.

A solução conta com recursos que asseguram autenticidade, integridade e rastreabilidade dos documentos, protegendo tanto quem empresta quanto quem recebe o bem.

Além da agilidade e da praticidade, o sistema de assinatura eletrônica permite acompanhar o status de cada contrato de forma centralizada e muito mais simples. 

Tudo isso com integração a outras soluções da TOTVS, o que garante a troca eficiente de informações entre diferentes setores, facilitando a gestão documental e o compliance corporativo.

Conheça todos os benefícios da solução e modernize a gestão de documentos da sua empresa com o sistema de assinatura eletrônica da TOTVS.

Conclusão

O contrato de comodato formaliza o empréstimo gratuito de bens e é fundamental para garantir a segurança jurídica neste tipo de acordo.

Neste conteúdo, você entendeu quais informações esse documento deve apresentar, como elaborá-lo e quando utilizá-lo, assim como os riscos e benefícios desta modalidade de contrato.

Quando bem elaborado, o comodato protege tanto quem cede quanto quem utiliza o bem, evitando conflitos e fortalecendo a confiança nas relações corporativas.

É uma ótima solução para empresas que fornecem equipamentos, uniformes, veículos ou mesmo imóveis para outras organizações ou para os funcionários. 

Com soluções como o sistema de assinatura eletrônica da TOTVS, é possível simplificar etapas, reduzir custos e assegurar a validade legal dos contratos. Dessa forma, seu negócio ganha agilidade e competitividade no dia a dia. 

Aproveite para conferir nosso conteúdo sobre arrendamento, locação e comodato, e descubra as diferenças e aplicações de cada modelo.

Perguntas frequentes sobre contrato de comodato

O que significa um contrato de comodato?

O contrato de comodato é um acordo que formaliza o empréstimo gratuito de um bem entre duas partes: o comodante (quem empresta) e o comodatário (quem recebe).

Ele deve especificar as condições de uso, o prazo de devolução e eventuais responsabilidades de manutenção.

Qual é a diferença entre contrato de comodato e contrato de aluguel?

A principal diferença está na natureza do acordo. No comodato, o empréstimo é gratuito e temporário, enquanto no aluguel o locatário paga pelo uso do bem.

O contrato de comodato precisa ser registrado em cartório?

O registro em cartório não é obrigatório, mas é recomendado em casos que envolvem bens de alto valor, como imóveis, veículos e equipamentos industriais.

Esse registro oferece maior segurança aos envolvidos, além de ajudar na comprovação de posse ou devolução do bem em eventuais disputas jurídicas.

Quais aplicativos facilitam a assinatura digital de contratos de comodato?

Soluções de assinatura eletrônica, como o sistema TOTVS Assinatura Eletrônica, permitem a formalização de contratos de comodato de forma rápida, segura e 100% digital.

O sistema permite enviar, assinar e armazenar documentos em um só ambiente, com validade jurídica reconhecida e rastreabilidade da tramitação. 

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