PGR na Segurança do Trabalho: o que é, como implementar e quais documentos são necessários

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Escrito por Equipe TOTVS
Última atualização em 08 junho, 2026

O PGR na Segurança do Trabalho é o Programa de Gerenciamento de Riscos exigido pela Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Seu objetivo é identificar perigos presentes no ambiente de trabalho, avaliar os riscos ocupacionais e definir medidas para prevenir acidentes, doenças e outros impactos à saúde dos trabalhadores.

Toda empresa está sujeita a riscos que podem comprometer a integridade física dos colaboradores, a continuidade das operações e até mesmo a sua situação legal. Máquinas, produtos químicos, atividades repetitivas, trabalho em altura e diversos outros fatores exigem monitoramento constante para garantir ambientes mais seguros e produtivos.

Por isso, a gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) ganhou ainda mais relevância nos últimos anos. As organizações passaram a adotar processos estruturados para identificar riscos com antecedência, registrar informações de forma organizada e acompanhar ações preventivas de maneira contínua.

Neste artigo, você vai entender o que é o PGR, quais documentos fazem parte do programa, como implementá-lo na empresa, quais são as diferenças em relação ao PPRA e de que forma a tecnologia pode apoiar uma gestão de riscos mais eficiente e integrada.

O que é PGR na segurança do trabalho?

O PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) é um documento obrigatório previsto pela NR-1 que reúne os processos utilizados pela empresa para identificar, avaliar, controlar e monitorar os riscos ocupacionais presentes em suas atividades

Seu principal objetivo é prevenir acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, promovendo ambientes mais seguros para os colaboradores.

O programa faz parte do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), modelo adotado pela legislação trabalhista para tornar a gestão de Saúde e Segurança do Trabalho mais contínua e estruturada. 

Por meio do PGR, a empresa consegue mapear perigos, definir medidas preventivas e acompanhar a eficácia das ações implementadas.

Imagine, por exemplo, uma indústria que identifica riscos relacionados a ruído excessivo, máquinas sem proteção adequada e movimentação manual de cargas. O PGR organiza as informações sobre esses riscos, estabelece medidas de controle, define responsáveis pelas ações e cria mecanismos para acompanhar os resultados ao longo do tempo.

Dessa forma, o programa contribui tanto para o cumprimento das exigências legais quanto para a redução da exposição dos trabalhadores a situações que possam comprometer sua saúde e segurança.

Qual é a importância do PGR para as empresas?

A gestão de riscos ocupacionais é uma necessidade cada vez mais urgente para as organizações. 

O Brasil registrou 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes em 2025, o maior número da série histórica acompanhada pelo órgão. Esse cenário reforça a importância de adotar medidas preventivas capazes de reduzir a exposição dos trabalhadores a situações de risco.

Nesse processo, o PGR ocupa uma posição central. O programa ajuda as empresas a identificar perigos, planejar ações corretivas e monitorar continuamente as condições de trabalho, contribuindo para uma gestão mais segura e eficiente.

Redução de acidentes e afastamentos

Ao mapear riscos e estabelecer medidas preventivas, o PGR contribui para diminuir a ocorrência de acidentes e doenças ocupacionais. Com menos afastamentos, a empresa reduz custos relacionados a substituições, perda de produtividade e pagamento de benefícios, além de evitar interrupções em suas operações.

Mais produtividade e continuidade das operações

Ambientes de trabalho seguros tendem a apresentar menos ocorrências que impactam o desempenho das equipes. Quando os riscos são controlados, as atividades podem ser executadas com maior previsibilidade, reduzindo paradas não planejadas e contribuindo para a continuidade dos processos.

Conformidade com a legislação trabalhista

O Programa de Gerenciamento de Riscos é uma exigência da NR-1 e seu cumprimento faz parte das obrigações legais das empresas em relação à Saúde e Segurança do Trabalho

Manter o programa atualizado ajuda a atender fiscalizações, reduzir riscos de autuações e minimizar a exposição a passivos trabalhistas decorrentes de acidentes ou falhas na gestão de segurança.

Fortalecimento da cultura de segurança

O PGR também estimula uma cultura organizacional mais voltada à prevenção. Quando gestores e colaboradores participam da identificação de riscos e da adoção de medidas de controle, a segurança passa a fazer parte da rotina da empresa. 

Esse envolvimento favorece decisões mais conscientes e contribui para a construção de ambientes de trabalho mais seguros no longo prazo.

Profissionais de segurança do trabalho analisam riscos em canteiro de obras utilizando plantas e computador durante a elaboração do PGR.

O que diz a legislação sobre o PGR?

O Programa de Gerenciamento de Riscos foi instituído pela atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir a implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) nas empresas. 

O PGR é uma das principais ferramentas desse processo, reunindo informações sobre os riscos existentes e as medidas adotadas para controlá-los.

De forma geral, o programa é obrigatório para a maioria das organizações que possuem empregados regidos pela CLT

A legislação prevê algumas dispensas e tratamentos diferenciados para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs), desde que atendam aos critérios estabelecidos nas normas de Saúde e Segurança do Trabalho.

AspectoExigência
Base legalNR-1
IntegraçãoFaz parte do GRO
ObrigatoriedadeMaioria das empresas com empregados
ObjetivoIdentificar, avaliar e controlar riscos ocupacionais
AtualizaçãoSempre que houver mudanças nos riscos ou processos

Quais são os documentos que compõem o PGR?

O programa é composto por documentos que registram os perigos identificados na empresa, as medidas adotadas para controlá-los e o acompanhamento das ações ao longo do tempo. Os principais são:

  • Inventário de Riscos: documento que reúne a identificação dos perigos existentes no ambiente de trabalho, a avaliação dos riscos ocupacionais e sua classificação de acordo com critérios como gravidade e probabilidade de ocorrência;
  • Plano de Ação: estabelece as medidas preventivas e corretivas necessárias para controlar os riscos identificados, incluindo responsáveis pela execução, prazos de implementação e formas de acompanhamento dos resultados;
  • Registros de treinamentos: comprovam a capacitação dos colaboradores para atuar de forma segura e seguir os procedimentos definidos pela empresa;
  • Relatórios de inspeções e auditorias: documentam verificações periódicas realizadas nos ambientes, equipamentos e processos de trabalho;
  • Evidências das medidas de controle: incluem registros de manutenção, adequações de máquinas, entrega de EPIs e outras ações implementadas para reduzir riscos;
  • Relatórios de acompanhamento: demonstram o monitoramento contínuo das ações previstas no PGR e ajudam a identificar oportunidades de melhoria na gestão de riscos.

Embora o Inventário de Riscos e o Plano de Ação sejam os documentos centrais do programa, a manutenção dos registros complementares é fundamental para garantir a atualização do PGR e comprovar a efetividade das medidas adotadas.

Como fazer um PGR na prática?

A elaboração do PGR em Segurança do Trabalho exige uma análise estruturada das atividades da empresa e dos riscos aos quais os trabalhadores estão expostos. 

Embora o processo possa variar conforme o porte e o segmento da organização, algumas etapas são comuns à maioria dos negócios.

1. Identifique os perigos presentes na empresa

O primeiro passo consiste em mapear os perigos existentes nos ambientes e processos de trabalho. Eles podem estar relacionados a diferentes fatores, como:

  • agentes físicos, como ruído, calor e vibração;
  • agentes químicos, como poeiras, fumos e produtos químicos;
  • agentes biológicos, como vírus, bactérias e fungos;
  • fatores ergonômicos, como movimentos repetitivos e postura inadequada;
  • riscos de acidentes, como quedas, choques elétricos e máquinas sem proteção.

2. Avalie os riscos ocupacionais

Após identificar os perigos, é necessário avaliar os riscos associados a cada um deles. Essa análise considera aspectos como a probabilidade de ocorrência e a severidade dos possíveis impactos à saúde e à segurança dos trabalhadores.

3. Defina medidas de controle

Com os riscos avaliados, a empresa deve estabelecer ações para eliminar ou reduzir as exposições identificadas. A legislação recomenda priorizar medidas coletivas antes da adoção de equipamentos de proteção individual (EPIs).

Entre as principais medidas estão:

  • eliminação do risco;
  • substituição de processos ou materiais;
  • medidas de engenharia;
  • medidas administrativas;
  • utilização de EPIs.

4. Elabore o inventário de riscos

Todas as informações levantadas devem ser registradas no Inventário de Riscos. Esse documento reúne os perigos identificados, os riscos avaliados e as medidas de controle existentes ou necessárias.

5. Monte o plano de ação

O Plano de Ação transforma as análises em atividades concretas. Ele deve indicar quais medidas serão implementadas, os responsáveis pela execução, os prazos definidos e a forma de acompanhamento dos resultados.

6. Monitore os resultados continuamente

O PGR deve ser revisado sempre que houver mudanças nos processos, nos ambientes de trabalho ou nos riscos identificados. Por isso, o programa precisa ser acompanhado continuamente para garantir que as medidas adotadas continuem eficazes ao longo do tempo.

Infográfico apresenta os seis passos para elaborar um PGR Segurança do Trabalho, incluindo identificação de perigos, avaliação de riscos e plano de ação.

Qual é a diferença entre PGR e PPRA?

Muitas empresas ainda associam a gestão de riscos ocupacionais ao PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais). No entanto, com a atualização das Normas Regulamentadoras, o programa foi substituído pelo PGR, que passou a adotar uma abordagem mais ampla para a prevenção de riscos no ambiente de trabalho.

PGRPPRA
Previsto na NR-1Previsto na antiga NR-9
Faz parte do GROPrograma independente
Considera diferentes tipos de riscos ocupacionaisFocado principalmente em riscos ambientais
Possui Inventário de Riscos e Plano de AçãoEstrutura diferente de documentação
Abordagem mais abrangente e integradaEscopo mais limitado

A principal mudança está na forma como os riscos são gerenciados. Enquanto o PPRA concentrava sua atenção nos riscos ambientais, como agentes físicos, químicos e biológicos, o PGR passou a considerar todos os perigos capazes de afetar a saúde e a segurança dos trabalhadores, incluindo fatores ergonômicos e riscos de acidentes.

Além disso, o PGR foi incorporado ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), criando uma visão mais integrada da Saúde e Segurança do Trabalho. Isso permite que as empresas adotem ações preventivas de forma contínua, acompanhando os riscos ao longo de toda a operação.

Exemplo prático de implementação do PGR

Para entender como o programa funciona no dia a dia, imagine uma empresa do setor logístico com 150 colaboradores atuando em atividades de armazenagem, movimentação de cargas e operação de empilhadeiras.

Cenário

Durante a elaboração do PGR, a empresa realizou uma análise dos ambientes de trabalho e dos processos operacionais para identificar os principais riscos ocupacionais presentes na operação.

Riscos identificados

Entre os principais riscos mapeados estavam:

  • movimentação manual de cargas;
  • circulação de empilhadeiras em áreas compartilhadas;
  • exposição contínua a níveis elevados de ruído.

Medidas adotadas

Após a avaliação dos riscos, a empresa definiu um plano de ação com iniciativas como:

  • realização de treinamentos periódicos;
  • reforço da sinalização de segurança;
  • implementação de rotinas de manutenção preventiva dos equipamentos;
  • fornecimento e fiscalização do uso adequado de EPIs.

Resultados alcançados

Com a execução das ações previstas no PGR, a organização passou a contar com um ambiente de trabalho mais seguro, alcançando benefícios como:

  • redução de incidentes operacionais;
  • maior conformidade com as exigências legais de SST;
  • melhoria dos indicadores de segurança e prevenção.

Embora cada empresa tenha riscos específicos, o exemplo mostra como o PGR ajuda a transformar a identificação de perigos em ações concretas de prevenção e controle.

Conclusão

O PGR é uma das principais ferramentas para identificar, avaliar e controlar riscos ocupacionais dentro das empresas. 

Além de atender às exigências da NR-1, o programa contribui para a redução de acidentes, o fortalecimento da cultura de prevenção e a criação de ambientes de trabalho mais seguros para todos os colaboradores.

Como vimos ao longo deste artigo, a efetividade do Programa de Gerenciamento de Riscos depende de um processo contínuo de identificação de perigos, implementação de medidas de controle e acompanhamento dos resultados. 

Quanto mais estruturada for essa gestão, maiores serão os benefícios para a segurança das pessoas e para a sustentabilidade das operações.

Quer aprofundar seus conhecimentos sobre a proteção da saúde dos colaboradores? Aproveite para ler também nosso artigo sobre saúde ocupacional e descubra como promover mais qualidade de vida, bem-estar e segurança no ambiente corporativo.

FAQ

Quem é responsável pela elaboração do PGR?

A responsabilidade é do empregador. No entanto, a elaboração do documento normalmente conta com o apoio de profissionais especializados em Saúde e Segurança do Trabalho, como técnicos de segurança, engenheiros de segurança e equipes do SESMT, quando aplicável. 

Quais são os principais erros na elaboração do PGR?

Entre os erros mais comuns estão realizar avaliações superficiais dos riscos, manter o inventário desatualizado, não revisar o programa após mudanças nos processos ou ambientes de trabalho e tratar o PGR apenas como uma exigência documental. 

Também é frequente a falta de acompanhamento das ações previstas, o que reduz a efetividade das medidas de prevenção.

Como a tecnologia pode apoiar a gestão do PGR?

A tecnologia ajuda a centralizar documentos, registrar inspeções, acompanhar planos de ação e monitorar indicadores de Saúde e Segurança do Trabalho. 

Com sistemas integrados, as empresas ganham mais controle sobre prazos, evidências e atualizações do programa, reduzindo riscos de não conformidade e facilitando a tomada de decisões relacionadas à prevenção de acidentes e à gestão ocupacional.

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