A síndrome do burnout é uma das heranças do mercado corporativo moderno. A sensação de estar sobrecarregado, fatigado e com dificuldades de lidar com as demandas do dia a dia são alguns dos sintomas desse estado de exaustão que muitos profissionais lidam.
Essa condição pode ocorrer quando alguém se sente cronicamente estressado com seu trabalho e pode levar ao esgotamento físico e emocional, bem como a problemas de foco e motivação.
Para profissionais e empresas, é importante entender o que é a síndrome, suas causas, consequências e, especialmente, como evitá-la.
Continue a leitura para entender mais!
O que é a síndrome de burnout?
A síndrome do burnout é considerada um distúrbio emocional e uma doença ocupacional, caracterizada por sintomas como a exaustão extrema e o esgotamento físico, resultantes do excesso de trabalho.
Comumente, se relaciona às situações em que o profissional está tentando alcançar muitos objetivos e, por consequência, acaba muito ligado ao trabalho e não consegue se desconectar das suas obrigações.
No entanto, existem várias causas e a maioria delas está ligada ao comportamento e cultura da própria empresa, o que é um sinal de atenção para empreendedores, gestores e gerentes de RH em todo o mercado.
Esse é um distúrbio perigoso, que pode ser uma ponte para aprofundar estados emocionais mais delicados, como depressão profunda. Por isso, é importante se atentar aos sinais da síndrome.
Confira quais são os sintomas da síndrome do burnout:
- Cansaço excessivo, físico e mental;
- Dor de cabeça frequente;
- Alterações no apetite;
- Insônia;
- Dificuldades de concentração;
- Sentimentos de fracasso e insegurança;
- Negatividade constante;
- Sentimentos de derrota e desesperança;
- Sentimentos de incompetência;
- Alterações repentinas de humor;
- Isolamento;
- Fadiga;
- Pressão alta;
- Dores musculares;
- Problemas gastrointestinais;
- Alteração nos batimentos cardíacos.
Um panorama sobre a síndrome do burnout no Brasil
O Brasil possui um mercado exigente em relação à demanda e qualidade. A sede por crescimento tem seus benefícios e também suas consequências.
De acordo com dados da International Stress Management Association (ISMA-BR), 30% dos profissionais brasileiros sofrem com a síndrome de burnout.
O Ministério da Saúde e a OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhecem a síndrome como uma doença ocupacional. O distúrbio está incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID) da OMS, também conhecida como CID 11.
Desde então, a síndrome é considerada resultado de “um estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso”.
Ou seja, oficialmente, o burnout é considerado uma doença ocupacional, o que garante todos os direitos trabalhistas e previdenciários como qualquer outra patologia que surge no trabalho.
Dados da Previdência Social, divulgados pelo G1, mostram que os afastamentos motivados pelo burnout cresceram mais de 800% nos últimos quatro anos. Só em 2025, foram mais de 7.500 registros.
Esse é um grande alerta para as empresas, que precisam oferecer um ambiente de trabalho saudável para evitar problemas como absenteísmo e turnover elevado.
Quais os profissionais mais atingidos pela síndrome do burnout?
Os profissionais mais afetados são aqueles que trabalham em ambientes de trabalho altamente competitivos, estressantes e exigentes, o que pode incluir carreiras como médicos, empresários, atletas ou advogados.
No entanto, o burnout pode impactar profissionais de todas as áreas.
Em geral, o distúrbio é visto em profissionais que trabalham longas horas, têm mais dificuldade em obter tempo livre e um grau particularmente alto de estresse.
O Dr. Drauzio Varella, em seu podcast, destaca que “quanto maior o contato com pessoas e aumento de responsabilidade, maior a probabilidade da pessoa desenvolver burnout”.
Entre os exemplos citados pelo profissional estão:
- Médicos;
- Bombeiros;
- Psicólogos;
- Enfermeiros;
- Atletas profissionais.
Muitos educadores, que normalmente sofrem uma pressão extrema devido às altas expectativas dos estudantes e padrões salariais baixos, também sentem os efeitos da síndrome.
Mesmo empresários que são altamente motivados por seus próprios sonhos e ambições pessoais podem sucumbir aos sintomas da síndrome do burnout relacionados ao trabalho.
Na verdade, não importa qual seja o caminho de carreira escolhido, o burnout é sempre uma ameaça dada ao montante de trabalho.
Para entender mais sobre a síndrome, vale conferir a explicação completa do Dr. Drauzio Varella:
Diagnóstico e tratamento da síndrome do burnout
Existe um tratamento para o burnout, mas ele requer ajuda profissional e acompanhamento da saúde mental. O diagnóstico é realizado por um especialista, como psiquiatra ou psicólogo, apenas após análise clínica do paciente.
Esse especialista pode avaliar e diagnosticar a condição, assim como fornecer psicoterapia, que é o principal método utilizado.
Afinal, é um distúrbio emocional, portanto, o foco principal é no fortalecimento mental da pessoa.
O tratamento foca na construção de resiliência, melhores habilidades de gestão de estresse e um equilíbrio mais saudável entre trabalho e vida pessoal, o que chamamos de work-life balance.
Vários tipos de psicoterapia, como a terapia cognitiva comportamental, podem ser recomendados como um meio para tratar a síndrome do burnout.
Além disso, é importante que a pessoa preze hábitos mais saudáveis, com alimentação balanceada, exercícios físicos regulares e um melhor sono.
Entretanto, em casos mais graves, pode ser necessário utilizar medicações psicotrópicas.
Síndrome de burnout dá direito a afastamento pelo INSS?
Sim, trabalhadores diagnosticados com síndrome de burnout têm direito ao afastamento pelo INSS, bem como estabilidade e, em casos graves, até mesmo aposentadoria por invalidez.
Após ser enquadrada como doença ocupacional no CID 11, a síndrome teve o código QD85, o que possibilita que o profissional possa tirar uma licença médica remunerada de até 15 dias.
Em casos de afastamento maior do que 15 dias, o profissional tem direito ao benefício previdenciário do INSS.
Esse benefício prevê também estabilidade provisória, ou seja, após a alta concedida pelo INSS, a empresa não pode demiti-lo sem justa causa em um período de até 12 meses.
No cenário de aposentadoria por invalidez, o profissional deve passar pela perícia médica do INSS.
Como evitar o surgimento dessa síndrome?
Existem dois pontos de vista quando o assunto é evitar o burnout: do profissional e da empresa. Para as empresas, o grande foco é o fortalecimento de uma cultura organizacional saudável.
A chave para evitar o esgotamento de seus funcionários é criar uma cultura organizacional que encoraje o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e não imponha exigências descabidas.
Confira algumas ações que ajudam a construir esse ambiente no dia a dia:
- Horários flexíveis e opções de trabalho remoto: modelos híbridos e maior flexibilidade na jornada de trabalho é uma forma de garantir que seus funcionários tenham tempo para cuidar de si mesmos de forma adequada;
- Intervalos intrajornada e interjornada equilibrados: certifique-se de que seu local de trabalho oferece intervalos regulares e incentive o lazer e descanso em tempo de férias;
- Treinamentos e capacitações: além de potencializar as habilidades de cada colaborador, promover o desenvolvimento pessoal e profissional da equipe também mostra que a empresa se preocupa com cada pessoa ali presente;
- Ambiente de trabalho adequado: garanta que os colaboradores tenham acesso aos recursos adequados e condições saudáveis para fazer seu trabalho de forma eficiente;
- Orientação sobre saúde mental: promover orientação sobre como administrar os níveis de estresse e manter o equilíbrio entre vida pessoal e profissional deve ser uma pauta frequente no ambiente de trabalho.
Todas essas atividades, quando bem feitas, criam um ambiente onde a produtividade é valorizada, mas não às custas de um equilíbrio saudável entre trabalho e vida pessoal.

No caso das pessoas, o recomendado é focar em estratégias que reduzam o estresse e a pressão no trabalho.
As indicações do Ministério da Saúde são:
- Definir e perseguir pequenos objetivos profissionais e pessoais (um passo de cada vez);
- Participar de atividades de lazer entre amigos e familiares;
- Fazer atividades diferentes em sua rotina pessoal, como sair para jantar, ir ao cinema, passear etc.;
- Evitar o contato com pessoas ou situações que você considera “negativas”;
- Expor o que está sentindo com alguém de confiança;
- Evitar a ingestão de substâncias que piorem o estado mental, como álcool, tabaco e outras drogas;
- Evitar se automedicar.
A importância da saúde mental no ambiente de trabalho
A importância da saúde mental no ambiente de trabalho ganhou ainda mais relevância com a atualização da NR-1, que passou a exigir a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Isso significa que fatores como sobrecarga, pressão excessiva, jornadas exaustivas, assédio e condições que favoreçam o adoecimento mental precisam ser identificados, avaliados e gerenciados pelas empresas.
Ou seja: os cuidados com o bem-estar dos colaboradores agora também são uma questão de conformidade legal.
Com a NR-1 atualizada, é essencial investir em prevenção. Essa é a base para evitar questões de saúde mental como a síndrome do burnout.
A recomendação é de que você, como profissional e líder de empresas ou setores, faça dos cuidados com a saúde mental uma prioridade para tornar os altos e baixos da vida um pouco mais fáceis.
A missão é tornar o ambiente de trabalho um local de desafio e inspiração, e não de desgaste, estresse e exaustão.
Quer entender melhor o que muda com a atualização da NR-1 e como adequar sua empresa? Assista ao vídeo da TOTVS sobre o tema:
Como os sistemas da TOTVS para RH ajudam na gestão da experiência dos colaboradores?
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Com dados centralizados e análises em tempo real, é mais fácil agir de forma preventiva, implementar iniciativas mais assertivas e fortalecer uma cultura organizacional pautada no bem-estar, na escuta ativa e no desenvolvimento contínuo dos colaboradores.
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Conclusão
A síndrome do burnout é um problema sério que pode afetar a saúde e a produtividade dos funcionários.
Portanto, é importante estar atento aos seus sintomas e agir o mais rápido possível se qualquer sintoma for observado para evitar que se agravem.
Como vimos neste conteúdo, as empresas ocupam o papel principal na prevenção do distúrbio.
Elas devem assegurar que seu ambiente de trabalho promova um cuidado adequado com a saúde mental e fornecer apoio aos seus funcionários.
Nesse contexto, investir em ações preventivas, promover uma cultura de escuta ativa e contar com o apoio da tecnologia para monitorar o clima organizacional são medidas fundamentais para reduzir riscos e fortalecer o bem-estar coletivo.
Além de manter a conformidade com a NR-1, essas ações constroem equipes mais engajadas, resilientes e preparadas para enfrentar os desafios do mercado.
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