Riscos psicossociais: entenda impactos e como se adequar à NR-1

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Escrito por Equipe TOTVS
Última atualização em 11 maio, 2026

Afastamentos por questões de saúde mental têm se tornado um desafio para as empresas e colocado os riscos psicossociais cada vez mais em foco. Ignorar esses fatores pode gerar impactos na produtividade, no clima organizacional e até na conformidade com a legislação. 

Com a atualização da NR-1, chegou a hora de ir além do discurso e estruturar ações concretas para identificar, avaliar e prevenir esses riscos. Mas, na prática, como fazer isso de forma eficiente? 

É isso que vamos descobrir ao longo deste conteúdo. Continue a leitura para conferir quais são esses riscos e como gerenciá-los na sua empresa. 

O que são riscos psicossociais no trabalho?

Os riscos psicossociais são fatores relacionados à organização, gestão e ambiente de trabalho que podem impactar a saúde mental, emocional e social dos colaboradores. 

Esses riscos estão ligados à forma como o trabalho é estruturado e conduzido no dia a dia. Quando são mal gerenciados, eles favorecem condições que podem levar a estresse, ansiedade, queda de produtividade e até afastamentos. 

Ou seja, são um ponto de atenção importante para garantir uma gestão de pessoas mais estratégica, alinhada aos objetivos de negócio e capaz de impulsionar os resultados da empresa.

Quais são os principais riscos psicossociais no ambiente de trabalho?

Os fatores psicossociais envolvem tanto aspectos relacionados ao bem-estar mental quanto às relações sociais no ambiente corporativo. 

Alguns exemplos de riscos neste contexto são:

Infográfico com ilustrações que representam os principais fatores de riscos psicossociais no trabalho, incluindo falta de reconhecimento, comunicação ineficiente, sobrecarga de trabalho, falta de autonomia, ambiente organizacional tóxico e insegurança no emprego
  • Falta de reconhecimento: ausência de feedbacks e valorização, afetando o bem-estar emocional;
  • Comunicação ineficiente: falhas na troca de informações ou falta de transparência na comunicação, gerando ruídos e insegurança;
  • Sobrecarga de trabalho: metas inalcançáveis, excesso de tarefas e prazos curtos, assim como jornadas muito extensas, que geram estresse e esgotamento;
  • Falta de autonomia: pouca liberdade para tomar decisões e ausência de suporte de lideranças, pontos que podem impactar a motivação e o engajamento do colaborador;
  • Ambiente organizacional tóxico: conflitos frequentes, assédio moral ou falta de respeito, bem como outros fatores que influenciam negativamente o clima organizacional;
  • Insegurança no emprego: medo constante de demissão ou instabilidade profissional, situações de violência, abuso de autoridade ou assédio, que causem receios e desconfortos.

Quais os impactos dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho?

Os riscos psicossociais têm um impacto direto no bem-estar dos colaboradores e, como consequência, no desempenho das equipes, no clima organizacional e nos resultados da empresa. 

Dados do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), divulgados pela ONU (Organização das Nações Unidas), revelam que os afastamentos por motivos de saúde mensal cresceram mais de 134% no Brasil nos últimos 3 anos. 

Entre as principais causas estão: episódios depressivos (25,6%), ansiedade (20,9%) e depressão recorrente (12%). 

Isso traz desafios para as empresas, que precisam lidar com um cenário de falta de colaboradores, equipes desmotivadas e perda de desempenho. 

Veja as principais consequências da ausência de gerenciamento dos fatores psicossociais no ambiente de trabalho:

  • Riscos legais e trabalhistas: a ausência de gestão adequada dos riscos pode gerar passivos e penalidades;
  • Clima organizacional negativo: conflitos, insegurança e falta de engajamento impactam a cultura da empresa;
  • Alta rotatividade: ambientes desgastantes aumentam o turnover e dificultam a atração e a retenção de talentos;
  • Queda de produtividade: colaboradores sobrecarregados ou com o emocional afetado tendem a apresentar menor desempenho;
  • Aumento do absenteísmo: questões de saúde mental levam a faltas frequentes e licenças médicas, o que exige adaptações na distribuição de tarefas e pode levar a sobrecarga de outros colaboradores.

Na matéria de divulgação dos dados do MTE, que destacamos anteriormente, Vinícius Pinheiro, diretor do Escritório da OIT (Organização Internacional do Trabalho) para o Brasil destaca os benefícios de investir no bem-estar mental dos colaboradores.

“O investimento na promoção da saúde mental beneficia toda a sociedade, porque promove ambientes de trabalho seguros e saudáveis, minimiza a tensão e os conflitos e melhora a fidelização do quadro de pessoal e o rendimento e a produtividade do trabalho,” pontua. 

Além disso, com a atualização da NR-1, a gestão desses riscos torna-se uma tarefa obrigatória para as empresas, o que reforça a necessidade de criar uma abordagem estruturada e contínua. 

NR-1 atualizada: como os riscos psicossociais entram no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)?

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), instituída pela Portaria MTE nº 1.419/2024, estabelece as diretrizes gerais de saúde e segurança no trabalho no Brasil. 

Com a atualização, que entra em vigor no dia 26 de maio de 2026, inicia-se também o processo de fiscalização, trazendo uma mudança importante: a obrigatoriedade de incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)

Isso significa que, além dos riscos físicos, químicos e ergonômicos, agora também é necessário identificar e gerenciar fatores relacionados à organização do trabalho, relações interpessoais e saúde mental.  

Esses riscos precisam ser mapeados, classificados e acompanhados continuamente, com planos de ação definidos para mitigação, conforme as diretrizes da NR-1.

Para apoiar essa implementação, o MTE lançou, durante a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Canpat), um manual com orientações sobre como identificar, avaliar e gerenciar riscos ocupacionais, incluindo os psicossociais. 

Além do manual, também foi disponibilizado para o público geral um curso na plataforma da ENIT (Escola Nacional da Inspeção do Trabalho).

Durante o evento, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reforçou que a melhoria sistêmica do ambiente de trabalho depende de um esforço conjunto de líderes e empregadores.

“Só isso poderá levar, de fato, a um processo de fortalecimento de trabalhadores e trabalhadoras que não permita, a partir do ambiente de trabalho eventualmente hostil, levar ao adoecimento”, destaca o ministro. 

Para entender melhor como essas mudanças impactam a rotina do RH e como se adequar à nova NR-1 na prática, vale conferir o vídeo da série Descomplica RH sobre o tema: 

Como avaliar riscos psicossociais na empresa?

Com a atualização da NR-1, um dos primeiros passos é adequar o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) da sua empresa para incluir a avaliação de riscos psicossociais como parte do processo contínuo de gestão. 

Isso envolve estruturar métodos claros para identificar, analisar e priorizar esses riscos. Essa será a sua base para garantir ações efetivas de prevenção e controle. 

Pode parecer uma etapa sem tanta relevância, mas não é difícil entender a diferença que ela pode trazer quando observamos os dados que destacam o impacto desses riscos para os negócios.

Segundo relatório da Organização Internacional do Trabalho, os riscos psicossociais geram perdas equivalentes a 1,37% do PIB global a cada ano. 

Além disso, mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos devido a problemas de saúde ligados a esses riscos, como assédio no ambiente de trabalho, jornadas muito longas e insegurança no emprego.

Para ir na direção contrária desses índices e criar um ambiente de trabalho saudável, existem algumas boas práticas na hora de avaliar os riscos, como:

  • Analisar indicadores internos: dados como absenteísmo, turnover e afastamentos sinalizam problemas relacionados à saúde mental;
  • Aplicar pesquisas de clima e engajamento: coletar percepções dos colaboradores ajuda a identificar riscos muitas vezes invisíveis na rotina;
  • Classificar e priorizar riscos: após identificar os fatores, é importante avaliar impacto e probabilidade definir prioridades e planos de ação;
  • Mapear fatores organizacionais: analisar carga de trabalho, jornadas, autonomia e clareza de papéis para identificar possíveis fontes de estresse;
  • Ouvir lideranças e equipes: conversas estruturadas, uma cultura de escuta ativa e feedbacks contínuos ajudam a captar sinais antes que os riscos se tornem problemas.

Como prevenir riscos psicossociais no trabalho?

Mais do que reagir a problemas já existentes, sua empresa precisa atuar de forma proativa, criando um ambiente que favoreça o bem-estar, a produtividade e relações saudáveis. 

Para isso, é essencial criar ações preventivas e integrá-las ao dia a dia da organização. Separamos algumas dicas para ajudar você a colocar isso em prática. 

Estruture políticas claras de saúde mental e bem-estar 

Definir diretrizes formais é essencial para orientar comportamentos e decisões no ambiente de trabalho. Neste contexto, as políticas de saúde mental entram em cena para estabelecer práticas de apoio psicológico, canais de escuta e ações de promoção do bem-estar

Quando integradas à cultura organizacional, essas iniciativas passam a fazer parte da rotina, fortalecendo um ambiente mais seguro e acolhedor para as equipes. 

Capacite lideranças para identificar sinais de risco 

Líderes têm papel central na prevenção, pois estão mais próximos das equipes no dia a dia. Por isso, eles precisam estar preparados para identificar qualquer sinal de risco, seja ocupacional ou psicossocial.

Investir na capacitação é uma maneira de ajudar os gestores a reconhecer sinais como mudanças de comportamento, queda de desempenho ou isolamento. 

Além disso, líderes preparados conseguem conduzir conversas sensíveis e agir de forma preventiva, evitando o agravamento de situações de risco. 

Monitore o clima organizacional 

Mulher com blusa colorida empilha blocos com rostos sorridentes ao lado de avaliação com estrelas, representando análise de satisfação e gestão de riscos psicossociais nas empresas.

Acompanhar o ambiente de trabalho de forma contínua permite identificar riscos antes que eles se tornem críticos. 

Ferramentas como a pesquisa de satisfação interna ajudam a captar percepções dos colaboradores sobre diferentes pontos, como carga de trabalho, relações interpessoais e gestão. 

Com esses dados, o RH consegue agir de forma mais direcionada e criar ações mais alinhadas às reais necessidades da organização. 

Utilize dados para mitigar riscos 

Os dados são grandes aliados do RH e isso vale também na gestão dos riscos ocupacionais e psicossociais.

O uso de people analytics, por exemplo, permite cruzar informações como absenteísmo, turnover, desempenho e engajamento para identificar padrões e antecipar problemas.

A partir dessa visão mais analítica, você consegue priorizar ações mais urgentes e acompanhar o resultado das iniciativas de prevenção ao longo do tempo.  

Como o TOTVS RH Clima e Engajamento apoia a gestão de riscos psicossociais?

Gerenciar riscos de forma estruturada pode ser um desafio, especialmente diante das novas exigências da NR-1. Por isso, contar com uma solução especializada faz toda a diferença.

O TOTVS RH Clima e Engajamento é um sistema completo, desenvolvido para apoiar o RH na identificação, avaliação e tratamento desses riscos, com organização e rastreabilidade dos dados.

Um dos principais diferenciais é a funcionalidade específica voltada à NR-1, que permite realizar o mapeamento de riscos psicossociais de forma estruturada. 

O processo é baseado em uma pesquisa com 35 perguntas, construída a partir de uma metodologia reconhecida internacionalmente pelo Health and Safety Executive Management (HSE), do Reino Unido, referência na avaliação de saúde mental no trabalho. 

A partir das respostas, o sistema consolida os dados em uma matriz de risco, que classifica os níveis de severidade e facilita a priorização das ações. 

Com base nos resultados do mapeamento, é possível criar e acompanhar planos de ação, o que garante maior assertividade na implementação de iniciativas de prevenção e mitigação dos riscos. 

Quer levar essa eficiência para o seu negócio? Descubra todos os benefícios do TOTVS RH Clima e Engajamento e veja como a solução pode transformar a gestão de riscos psicossociais na sua empresa.

Conclusão

Os riscos psicossociais passaram a ocupar um papel estratégico na gestão das empresas nos últimos anos, especialmente após a atualização da NR-1. 

Ao longo do conteúdo, vimos o que são esses riscos, seus impactos, como avaliá-los e, principalmente, como preveni-los com apoio de práticas estruturadas e tecnologia.

Com a NR-1 entrando em vigor, torna-se ainda mais importante integrar esses fatores ao PGR e adotar uma abordagem contínua de monitoramento na sua empresa. 

Prevenir riscos não é apenas uma exigência legal, mas um passo essencial para promover um ambiente mais saudável, produtivo e sustentável, combinação que serve como base para impulsionar os resultados do seu negócio.

Para aprofundar o tema, vale conferir também nosso conteúdo sobre SST (Segurança e Saúde no Trabalho).

FAQ: perguntas frequentes

Quais são os riscos psicossociais da NR-1?

São fatores relacionados à organização do trabalho e às relações interpessoais que podem impactar a saúde mental e emocional dos colaboradores, como sobrecarga, assédio, falta de autonomia e insegurança no emprego. 

Com a NR-1 atualizada, esses riscos passam a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). 

Como identificar riscos psicossociais no trabalho?

A identificação pode ser feita por meio de pesquisas de clima, análise de indicadores como absenteísmo e turnover, além de escuta ativa com colaboradores e lideranças. 

O uso de ferramentas especializadas, como o TOTVS RH Clima e Engajamento ajuda a mapear e priorizar os principais riscos. 

Qual a relação entre riscos psicossociais e saúde mental? 

Eles estão diretamente ligados à saúde mental, pois envolvem fatores que podem gerar estresse, ansiedade e outros transtornos. Quando não gerenciados, impactam o bem-estar dos colaboradores e os resultados da empresa. 

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