A importância do custo de armazenagem para a definição de preços

Equipe TOTVS | GESTÃO INDUSTRIAL | 18 outubro, 2018

Para obter uma boa gestão de estoque, é importante manter os custos de armazenagem sob controle, além de reduzi-los ao máximo. Nesse caso, é preciso tomar algumas medidas, como melhorar a rotatividade de produtos e diminuir o volume de materiais parado.

Aliás, de acordo com o estudo Sondagem Industrial — Agosto de 2018, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), houve um acúmulo de estoque indesejado de produtos finais nos meses iniciais do segundo semestre de 2018.

De junho para julho, o índice de evolução dos estoques, que varia de 0 a 100, alcançou 50,4 pontos, enquanto de julho para agosto chegou a 50,9.

Isso significa que houve dois meses de elevação do estoque indesejado em uma época em que a atividade, normalmente, deveria ser mais forte.

Esse tipo de estagnação pode gerar custos extras, encarecendo a armazenagem dos produtos e, por extensão, os custos da cadeia logística. Esses, por sinal, corresponderam a 12,37% do faturamento bruto das empresas no ano de 2017, conforme pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral.

Sendo assim, é importante buscar meios de reduzir esses gastos. Para isso, é preciso, antes, aprender a calculá-los. Se quiser saber como isso é feito, continue lendo e veja o que preparamos!

O que é custo de armazenagem?

Para realizar um bom controle de estoques, é fundamental saber o seu custo de armazenagem, que é composto por diferentes contas, como:

  • aluguel;
  • energia elétrica;
  • depreciação de equipamentos;
  • impostos do local, como IPTU;
  • contratos de segurança;
  • seguros;
  • itens usados para acondicionar as mercadorias — entre eles paletes, estantes, mesas, prateleiras e refrigeradores no caso de bens perecíveis;
  • remuneração e benefícios da mão de obra etc.

Quando juntamos esses itens, podemos perceber que o custo de armazenagem corresponde a todos os gastos que a empresa tem para manter os seus produtos em centros de distribuição, armazéns, almoxarifados etc.

Também é preciso considerar o período de tempo em que isso ocorre e os esforços de colaboradores para manter e transportar as mercadorias em boas condições.

Além disso, é preciso lembrar que a armazenagem consome espaço, pode danificar produtos, requer transporte de itens pela indústria etc. Outros aspectos que impactam financeiramente o estoque são as perdas por:

  • quebras;
  • extravios;
  • vencimentos de prazos de validade;
  • obsolência.

Por que é importante fazer esse cálculo?

Todos os fatores acima devem ser consideradores na precificação dos produtos a serem vendidos, para que o custo geral de armazenagem seja pago sem que impacte negativamente os lucros.

Todavia, quando os gastos com armazenamento são elevados, é preciso cuidado para não repassá-los integralmente nos preços dos produtos, sob risco de praticar valores maiores do que a concorrência e, assim, “afugentar” clientes.

Nesse caso, a solução é reduzir esses gastos. Logo, o valor do produto final poderá ser mantido em um nível competitivo, já que, para ser estocado, não será necessário arcar com custos tão elevados.

Também é importante saber qual é o seu custo de armazenagem, com o intuito de descobrir a rentabilidade geral da área, buscar melhorias e entender quais fatores afetam mais ou menos o seu custo unitário de estoque.

Como calculá-lo?

Existem vários tipos de gastos que integram o custo de armazenagem, como listado acima. Para identificá-los, é necessário ficar atento àqueles que são gerados pela produção que não é comercializada e se acumula no estoque.

Além disso, você precisará especificar um intervalo de tempo para calcular os gastos nesse período e estabelecer um critério de comparação.

Afinal, há o custo de armazenagem por metro quadrado, o por unidade que foi mantida no armazém, o geral relacionado a todas as vendas etc. Para tornar mais claro, precisamos levantar alguns dados para um exemplo:

  • o tamanho do depósito de armazenamento. Digamos que a sua medida seja de 10m x 10m, o que dá 100 m²;
  • o prazo a ser considerado no cálculo. Nesse caso, usaremos 1 ano;
  • o valor de despesas/custos no armazém, o que inclui os itens mencionados no primeiro tópico, como salários, energia elétrica, aluguel etc. Você encontrará essas informações em demonstrativos contábeis e documentos de controle gerencial. Digamos que tudo deu R$200.000,00 em um ano. Isso já é o custo de armazenamento total;
  • a quantidade de produtos vendida no ano e o número de itens armazenados no momento, para saber quantos produtos foram alojados no estoque. No nosso caso, digamos que houve 3.000 itens comercializados e ainda há 2.000 estocados, totalizando 5.000 mercadorias armazenadas em um ano.

Com esses dados, podemos dividir o gasto total pelo tamanho do depósito. Nesse caso, teremos R$2.000,00, que corresponde ao custo de armazenagem por metro quadrado.

Se dividirmos os R$200.000,00 pelos 5.000 itens estocados, teremos um custo de armazenagem unitário de R$40,00.

Como otimizar esse cálculo com a ajuda da tecnologia?

Para melhorar o cálculo de seu custo de armazenamento e otimizar o seu controle, a dica é adotar uma solução ERP que tenha um bom módulo de gestão de estoques.

Com esse sistema, será possível monitorar, em tempo real, cada item do almoxarifado e ainda obter indicadores rapidamente, como:

  • o tempo em que cada mercadoria está armazenada;
  • a quantidade de quebras;
  • o volume do estoque etc.

Essas métricas são essenciais para a diminuição de custos de estocagem, pois fornecem dados valiosos para a tomada de decisão dos gestores de compras, de transporte e de toda a cadeia logística.

Como reduzir o custo de armazenagem?

Existem ações que você pode implantar na sua empresa para reduzir o custo de armazenagem. Veja algumas:

Gerenciar os níveis de estoque

É importante manter os níveis de estoque sob controle, isto é, com margens mínimas e máximas de produtos. Dessa forma, você evita encalhes e situações em que a indústria produz mais do que a capacidade de absorção de mercadorias do mercado.

Para tanto, será preciso combinar gestão de matéria-prima e de compras, além de integrar o gerenciamento de vendas e o de transporte.

Esses setores devem trocar informações e manter uma boa comunicação, para que não se compre insumos acima do necessário em épocas de poucas vendas.

Afinal, produtos encalhados tendem a gerar mais custos com armazenamento, mão de obra e refrigeração (no caso dos perecíveis). Também aumentam as chances de prejuízos devido a perdas, obsolência e quebras.

Reduzir o lead time

Lead time pode ser traduzido para “tempo de espera”. No caso do armazenamento de produtos, isso significa o período em que o estoque fica na empresa, isto é, o seu ciclo.

Para conseguir reduzir custos na área, é importante que esse ciclo seja curto, ou seja, que o intervalo entre o recebimento de matérias-primas, a produção e a venda/envio de mercadorias seja rápido.

Mas lembre-se: esse período usa a data de quando, efetivamente, o insumo chegou no estoque (e não o dia da sua compra) e a data em que ele saiu da empresa (e não a da sua venda).

Estratégias que ajudam nisso são as liquidações e as ofertas, pois incentivam a demanda. Caso não seja possível realizar ações promocionais, uma das soluções será reduzir a produção até que os estoques existentes sejam “queimados”.

Otimizar o armazenamento

Existem formas de otimizar o armazenamento de produtos e promover a redução de custos na área. Por exemplo, ao estabelecer mecanismos de:

  • rotatividade de estoques: como o “primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS)”. Esse é importante em indústrias que produzem alimentos e itens com prazos de vencimento menores. Nesse caso, os primeiros produtos que são armazenados também são os primeiros que devem ser comercializados;
  • endereçamento logístico: consiste em identificar prateleiras, corredores, módulos, colunas, níveis, sequências etc. como se fossem ruas, casas, andares e outros elementos urbanos. Essa estratégia ajuda na localização e na movimentação de produtos, reduzindo a perda de tempo nas buscas;
  • priorização de mercadorias com maior saída: os produtos que mais vendem passam a compor a maioria do estoque. Isso diminui as chances de encalhe;
  • produção baseada em sazonalidade: em épocas de menor vendas, fabrica-se menos e, consequentemente, estoca-se menos.

Ao aplicar as dicas acima, você não só poderá diminuir custos de armazenagem, como também beneficiará o gerenciamento da cadeia de suprimentos do seu negócio.

Isso porque as medidas descritas também otimizam outros processos, por exemplo, agilizando a movimentação de mercadorias dentro da companhia e aumentando o controle de cada item presente no almoxarifado.

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