Protocolo de Manchester: o que é, como funciona e como implementar?

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Escrito por Equipe TOTVS
Última atualização em 19 February, 2026

O Protocolo de Manchester é o principal sistema de triagem utilizado pelas unidades de saúde e se tornou indispensável para os profissionais da área ao longo dos anos.

Com um método simples de classificação, o processo ajuda a organizar toda a etapa de acolhimento dos pacientes, identificando os atendimentos prioritários.

Para isso, o protocolo faz uma divisão por níveis de risco para definir ordem de prioridade e detalhes dos atendimentos.

Se você quer entender como funciona essa classificação, continue a leitura deste artigo para descobrir pontos importantes sobre o assunto, como:

  • significado das cores utilizadas no sistema de classificação;
  • história do protocolo e aplicação no Brasil;
  • dicas para implementar o método;
  • como a tecnologia pode ajudar;
  • fluxograma do processo.

Aproveite o conteúdo!

O que é Protocolo de Manchester? 

O Protocolo de Manchester é um sistema de triagem hospitalar amplamente utilizado para classificar a prioridade de atendimento dos pacientes, ajudando a organizar o fluxo de atendimentos em unidades de saúde.

Quando os pacientes chegam a uma unidade de saúde, passam pelo processo de triagem para avaliar o nível de gravidade de cada quadro clínico e determinar a ordem de atendimento, priorizando os casos mais urgentes.

Com base nessa análise, o protocolo define uma ordem de atendimento eficaz, garantindo que as emergências sejam priorizadas de forma ágil e organizada. 

O sistema de classificação de risco do protocolo utiliza cinco cores distintas para indicar a gravidade dos quadros clínicos, facilitando a identificação imediata dos casos mais críticos.

É importante destacar que o protocolo não tem o objetivo de realizar diagnósticos, mas sim de identificar o nível de risco de cada paciente para uma atuação rápida e eficiente.

Objetivos e finalidades do Protocolo de Manchester

O Protocolo de Triagem de Manchester tem como objetivo principal otimizar a gestão do atendimento médico, ajudando as unidades de saúde a: 

  • Organizar e priorizar os atendimentos;
  • Reduzir filas de espera;
  • Melhorar a eficiência no atendimento de pacientes com diferentes níveis de gravidade.

Esse sistema ajuda a garantir que os pacientes mais graves recebam atendimento imediato, enquanto aqueles com quadros menos urgentes aguardem de forma organizada, sem sobrecarregar o sistema de saúde.

História do Protocolo de Manchester

O Protocolo de Manchester foi desenvolvido entre 1994 e 1995, e sua primeira aplicação ocorreu em 1997, na cidade de Manchester, no Reino Unido. O nome surgiu como referência à cidade onde a metodologia foi inicialmente implementada.

A eficiência do protocolo rapidamente se destacou no Reino Unido, sendo em seguida adotado por hospitais e unidades de saúde em diversos países ao redor do mundo devido à sua agilidade e precisão na triagem de pacientes.

O Protocolo de Manchester no Brasil

No Brasil, o sistema de triagem de Manchester só foi aplicado pela primeira vez em 2008, no estado de Minas Gerais.

A princípio, o método foi trazido com a finalidade de reduzir as filas em hospitais e buscar uma ação mais efetiva para o atendimento de pacientes que chegavam às unidades com quadros mais graves.

Na prática, o Protocolo vai além da organização da fila de atendimento e contribui para melhorar a administração da instituição como um todo.

Qual o significado das cores no Protocolo de Manchester

O Protocolo de Manchester utiliza cinco cores (vermelho, laranja, amarelo, verde e azul) para classificar a gravidade dos pacientes e definir o tempo máximo de espera para atendimento.

A seguir, entenda o que cada uma delas significa no processo de triagem, assim como as regras definidas para as categorias de classificação.

Vermelho

O vermelho indica casos de emergência, destinado aos pacientes com quadros clínicos gravíssimos e risco de morte.

Veja alguns exemplos de quadros comumente atendidos nesta categoria:

  • queimaduras em mais de 25% do corpo;
  • parada cardiorespiratória;
  • problemas respiratórios;
  • crises de convulsão;
  • traumatismo.

Nestes casos, o atendimento deve ser realizado de forma imediata. 

Laranja

A cor laranja representa quadros muito urgentes, mas com um nível de urgência menor do que aqueles indicados pela cor vermelha.

Normalmente, esses pacientes apresentam uma estabilidade maior do que os atendidos com pulseira vermelha.

Confira as principais condições que entram na classificação laranja:

  • arritmia cardíaca (desde que não apresente sinais de instabilidade);
  • cefaleia intensa e de rápida progressão;
  • suspeita de AVC e infarto;
  • dores muito severas.

Segundo definido pelo protocolo, o tempo médio de espera aceitável para esse tipo de quadro clínico é de até 10 minutos.

Amarelo

Os quadros clínicos classificados pela cor amarela apresentam urgência, mas com condições de aguardar o atendimento por mais tempo que os anteriores.

Conheça os casos mais comuns nesta categoria:

  • picos de hipertensão arterial;
  • hemorragias moderadas;
  • sinais vitais irregulares;
  • vômito intenso;
  • desmaios.

Para os pacientes identificados pela cor amarela, o tempo de espera admitido pelo protocolo é de até 50 minutos.

Verde

A cor verde é responsável por indicar os casos pouco urgentes, que podem esperar por um tempo maior para o atendimento. 

Se necessário, é possível até fazer o encaminhamento desses pacientes para outras unidades, com o objetivo de evitar a superlotação.

Veja alguns exemplos de quadros clínicos identificados pela cor verde no Protocolo de Triagem de Manchester:

  • febre sem alteração nos sinais vitais;
  • hemorragia sob controle;
  • dores leves;
  • resfriados;
  • viroses.

Seguindo o padrão do processo de triagem, o tempo de espera desses pacientes pode ser de, no máximo, duas horas.

Azul

O azul indica quadros não urgentes, que podem aguardar ou até mesmo serem encaminhados para outra unidade de saúde.

Aqui, se encaixam as condições clínicas que não apresentam risco para a saúde ou para a vida do paciente.

Confira quadros clínicos classificados pela cor azul:

  • aplicação de medicação com receita;
  • dores crônicas já diagnosticadas;
  • troca de sondas ou de curativos.

Estes casos aceitam até quatro horas de espera para atendimento, segundo previsto no método de triagem de Manchester.

Como funciona o fluxograma do Protocolo de Manchester?

Assim que um paciente chega na unidade, ele deve passar por uma aferição dos sinais vitais, identificação dos sintomas e depois pela classificação de risco.

Na etapa de classificação, existem fluxogramas que ajudam a determinar a ordem de prioridade dos quadros.

Para se ter uma ideia, o protocolo conta com 55 fluxogramas de decisão para orientar os profissionais da saúde na hora da identificação da gravidade em diferentes situações. 

Veja alguns fluxogramas existentes:

  • queimaduras;
  • convulsões;
  • cefaleia;
  • quedas.

A função desses fluxogramas é auxiliar na avaliação dos riscos durante a triagem, tornando o atendimento mais ágil e assertivo.

Para isso, cada guia descreve os sintomas apresentados em diferentes níveis de gravidade, indicando qual cor deve ser designada a cada um deles.

Exemplos de aplicação do Protocolo de Manchester

Imagine que um paciente chega ao pronto atendimento após sofrer uma queda com trauma na cabeça, apresentando confusão mental, sonolência progressiva e dificuldade para responder a estímulos.

Durante a avaliação inicial, o profissional de saúde identifica sinais compatíveis com possível traumatismo cranioencefálico grave. Diante desse cenário, a prioridade atribuída é vermelha, o que determina atendimento imediato, devido ao risco de deterioração neurológica rápida.

Por outro lado, considere uma pessoa que procura a unidade com febre persistente há dois dias, dor no corpo e mal-estar generalizado.

Embora os sintomas exijam investigação, os sinais vitais estão estáveis e não há indícios de comprometimento imediato das funções vitais. 

Nesse caso, a classificação pode ser amarela, indicando urgência, porém com possibilidade de aguardar dentro do tempo máximo recomendado.

Esses exemplos mostram como a triagem estruturada permite decisões rápidas, baseadas em critérios clínicos objetivos.

Leia mais: Jornada do paciente: etapas, importância e como mapear

Quais são as vantagens do Protocolo de Manchester?

O protocolo de triagem de Manchester contribui para manter a organização dos atendimentos, principalmente em unidades com grande fluxo de pacientes.

Essa classificação de prioridades faz toda a diferença no gerenciamento da instituição, além de garantir um serviço mais eficiente para as pessoas que estão em busca de acompanhamento médico.

Além desses pontos, outras vantagens de implementar o protocolo de triagem nas unidades de saúde são:

  • garante alinhamento entre todos os profissionais da unidade;
  • contribui para a segurança e satisfação dos pacientes;
  • reduz índices de óbito e agravamento de quadros;
  • permite o encaminhamento correto de cada caso;
  • estabelece um padrão para os atendimentos;
  • evita filas desorganizadas e superlotação;
  • auxilia na gestão hospitalar.

O método foi elaborado, testado e validado cientificamente, trazendo todos os dados necessários para assegurar um atendimento mais ágil, altamente qualificado e muito mais assertivo.

Como aplicar o protocolo de Manchester em emergências médicas?

Para implementar o Protocolo de triagem Manchester, o GBCR (Grupo Brasileiro de Classificação de Risco) define cinco etapas essenciais para qualquer unidade de saúde:

  • Passo 1: conscientização da equipe;
  • Passo 2: capacitação dos profissionais;
  • Passo 3: acompanhamento de um tutor especializado para avaliar o processo de implementação;
  • Passo 4: capacitação de auditores internos para padronizar a metodologia e a execução do procedimento;
  • Passo 5: realização de auditorias externas para obter o selo de qualidade.

Após esses cinco passos, é importante manter o acompanhamento constante da equipe e realizar auditoria hospitalar interna com frequência para garantir a qualidade dos serviços.

Quem é o especialista responsável por executar o Protocolo de Manchester?

Segundo o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), em descrição na resolução 661/2021, os profissionais de enfermagem, com treinamento específico, são os responsáveis pelo processo de classificação de riscos e prioridades.

Esse treinamento geralmente é certificado pelo Grupo Brasileiro de Classificação de Risco (GBCR).

Aqui, vale ressaltar a importância do comprometimento e do alinhamento entre todos os profissionais da unidade para que o protocolo funcione com eficiência na prática.

Equipamentos e materiais necessários para o Protocolo de triagem Manchester

Para aplicar o protocolo no processo de triagem, é importante ter alguns equipamentos e materiais que serão utilizados no momento da avaliação do paciente.

Veja todos os equipamentos que uma unidade de saúde precisa para que o método de Manchester flua da maneira correta:

  • relógio de frequência cardíaca;
  • esfigmomanômetro;
  • estetoscópio;
  • glicosímetro;
  • termômetro;
  • oxímetro.

Além desses dispositivos, a instituição deve ter os prontuários eletrônicos ou físicos para registrar os dados conferidos durante a triagem, como batimentos cardíacos e pressão arterial.

Os materiais de identificação da prioridade de atendimento também são necessários. Aqui as pulseiras e os adesivos com as cinco cores do protocolo são os itens mais comuns. 

Tecnologias da TOTVS para instituições de saúde

A rotina de uma unidade de saúde é complexa e bastante intensa, por isso é de extrema importância ter sistemas e ferramentas de gerenciamento eficientes para não perder o controle sobre os atendimentos.

Na prática, a tecnologia auxilia na produtividade e eficiência das instituições. Pensando em simplificar esse dia a dia, a TOTVS criou sistemas exclusivos para atender às necessidades do setor.

Temos soluções específicas para operadoras de planos de saúde, cooperativas médicas, hospitais e clínicas. 

Todas as funcionalidades das ferramentas buscam tornar as informações acessíveis para os diferentes setores da instituição, contribuindo para a interoperabilidade na saúde.

Veja no vídeo uma demonstração de como funciona a classificação de risco nas tecnologias da TOTVS para instituições de saúde:

Aumente a eficiência da sua instituição com as soluções da TOTVS para instituições de saúde!

Conclusão

Neste conteúdo, entendemos o que é e como funciona o Protocolo de Manchester, principal sistema de triagem das unidades de saúde ao redor do mundo.

Ao longo do artigo, também compartilhamos com você os benefícios do método e dicas para implementá-lo na sua instituição de maneira eficiente.

Como vimos, as tecnologias para a área da saúde podem ser grandes aliadas do protocolo, garantindo a otimização do gerenciamento das instituições de forma geral.

Para aproveitar ainda mais as oportunidades de potencializar o desenvolvimento da sua instituição, confira nosso conteúdo sobre tendências do setor de saúde.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quais são as cores do Protocolo de Manchester e o que significam?

O sistema utiliza cinco cores para classificar o nível de urgência:

  • Vermelho (atendimento imediato)
  • Laranja (até 10 minutos)
  • Amarelo (até 50 minutos)
  • Verde (até 2 horas)
  • Azul (até 4 horas)

Cada uma indica o tempo máximo recomendado de espera conforme o risco clínico.

Qual a diferença entre Protocolo de Manchester e outros protocolos de triagem?

A principal diferença está na estrutura baseada em fluxogramas clínicos e discriminadores objetivos, que padronizam a decisão. Outros sistemas, como CTAS ou ATS, utilizam escalas semelhantes, mas com critérios e tempos de espera próprios.

É obrigatório aplicar o Protocolo de Manchester no Brasil?

Não é obrigatório, mas a implantação de um sistema de classificação de risco é mandatória por lei em todos os serviços de urgência e emergência (públicos e privados) no Brasil, segundo a Resolução CFM nº 2.077/14. O método de Manchester é o mais utilizado e recomendado, mas outras metodologias validadas também podem ser aplicadas.

Existe algum curso sobre o Protocolo de Manchester?

Sim. No Brasil, a capacitação oficial é oferecida pelo Grupo Brasileiro de Classificação de Risco (GBCR), instituição licenciada para aplicação e certificação do método. A formação é voltada principalmente para enfermeiros.

Quais os melhores livros sobre o protocolo de triagem Manchester?

Para ampliar o conhecimento sobre o Protocolo, o mais indicado é realizar o curso oficial da GBCR, que dá acesso ao método completo com todas as diretrizes, normas e fluxogramas para guiar as avaliações.

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