A Reforma Tributária deixou de ser apenas um debate e passou a fazer parte do dia a dia das empresas. A partir de janeiro de 2026, o Brasil entrou oficialmente na fase de transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo, com mudanças que impactam diretamente nas rotinas fiscais, sistemas de gestão e no planejamento financeiro das organizações.
Embora os novos tributos, como a CBS e o IBS, já façam parte do desenho do sistema, o governo estabeleceu um período de adaptação para que empresas possam ajustar processos e tecnologias com mais previsibilidade.
Houve a prorrogação da aplicação de penalidades, o que significa que, nos primeiros meses da transição, não haverá multas automáticas relacionadas à ausência de destaque correto desses tributos nos documentos fiscais. Essa medida não elimina a necessidade de adequação, mas oferece um fôlego operacional importante.
O período inicial da Reforma Tributária deve ser encarado como uma fase de testes, aprendizagem e ajustes, especialmente para as áreas fiscal, contábil e de tecnologia, que precisam garantir conformidade à medida que as regras passam a valer na prática.
Neste conteúdo, você vai entender o que muda com a Reforma Tributária, quais são os prazos envolvidos, como funciona a fase de transição e o que sua empresa pode fazer desde já para se preparar de forma estruturada e segura.
Boa leitura!
O que é a Reforma Tributária e o que ela propõe?
A Reforma Tributária é um conjunto de mudanças na estrutura de tributos do Brasil, formalizada pela Emenda Constitucional 132/23 e regulamentada pela Lei Complementar 214/25.
Com uma série de medidas, o objetivo é tornar o sistema tributário mais transparente, eficiente e justo para todos os contribuintes, sejam eles empresas ou pessoas físicas.
Vamos compreender essas mudanças e seus impactos ao longo deste conteúdo, começando pelos novos tributos apresentados pela reforma.
As mudanças nos tributos com a Reforma Tributária

Para entender o que é a Reforma Tributária, aprovada em 2023, é importante mergulhar nas alterações determinadas pela nova legislação. Um dos maiores destaques é a substituição de quatro tributos:
- PIS/PASEP (Programa de Integração Social / Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público);
- COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social);
- ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação);
- ISS (Imposto sobre Serviços).
A ideia é substituir a sistemática atual de incidência desses tributos, usando como inspiração o conceito de IVA (Imposto sobre Valor Agregado), aplicável sobre o consumo de bens, mercadorias e serviços.
Esse modelo tem como base um padrão internacional já utilizado em outros países.
No Brasil, será aplicado o IVA Dual, composto por dois tributos principais, (CBS e IBS). Além deles, a reforma também institui o Imposto Seletivo. Entenda mais sobre cada um deles a seguir.
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)
A CBS é um tributo de caráter federal, criado para substituir PIS e Cofins, unificando a cobrança sobre o consumo em uma única contribuição social.
Esse tributo será cobrado no regime de valor agregado. Isso significa que a empresa paga apenas sobre o valor que adiciona ao produto ou serviço.
O objetivo é tornar a arrecadação mais simples e eficiente. De acordo com informações do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, a CBS deve reduzir 70% das obrigações acessórias para as empresas.
Além disso, o modelo adota a não cumulatividade ampla, princípio que permite o abatimento do tributo pago em etapas anteriores da cadeia produtiva, evitando a cobrança em cascata – problema comum no sistema anterior.
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços)
O IBS é um tributo de competência dividida entre estados e municípios, que chega para substituir o ICMS (estadual) e o ISS (municipal).
Assim como a CBS, o Imposto sobre Bens e Serviços adota o modelo de valor agregado e a não cumulatividade ampla para garantir uma cobrança mais transparente e sem distorções tributárias entre setores e regiões.
A arrecadação será distribuída entre os entes federativos conforme a destinação do consumo.
IS (Imposto Seletivo)
O imposto seletivo, IS, também conhecido como imposto do pecado, tem o objetivo de desestimular o consumo de bens, mercadorias e serviços que sejam prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
Conforme definido no art. 409 da Lei Complementar 214/25, que regulamenta a reforma, isso inclui:
- Bens minerais;
- Veículos, aeronaves e embarcações;
- Bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas;
- Concursos de prognósticos e fantasy sport (apostas esportivas)
- Produtos à base de nicotina, como cigarros, charutos e cigarros eletrônicos.
Quanto às alíquotas dos novos tributos da Reforma Tributária, a ideia é implementar percentuais diferentes e em conformidade com o grau de essencialidade do bem, mercadoria ou serviço, que serão estabelecidos através da publicação de leis complementares.
A Lei Complementar 214/25 apresenta apenas uma alíquota máxima para os bens minerais, de 0,25%.
O impacto da Reforma Tributária para os brasileiros

Ao entender o que é a Reforma Tributária e quais são suas mudanças, é possível notar os impactos tanto para empresas quanto para consumidores.
A carga tributária elevada, a multiplicidade de impostos e o excesso de burocracia impactam negativamente o ambiente de negócios, desestimulam investimentos e prejudicam o desenvolvimento econômico do país.
Nesse contexto, a reforma é um caminho para reduzir a complexidade do sistema atual e, a partir disso, promover a competitividade das empresas, atrair investidores e impulsionar o crescimento sustentável.
Para os contribuintes, a tendência é observar uma distribuição mais equitativa da carga tributária e um ambiente mais favorável para o empreendedorismo.
Além disso, a proposta busca tornar os processos tributários mais transparentes e compreensíveis, para garantir o cumprimento das obrigações fiscais.
Na prática, isso tende a contribuir também para a fiscalização e, consequentemente, para a redução de casos de sonegação.
Vejamos alguns pontos importantes para compreender o impacto da Reforma Tributária para os brasileiros.
| Aspecto | Mudança proposta |
| Cashback para famílias de baixa renda | Introdução de um mecanismo de cashback que devolve parte dos tributos pagos em compras de bens essenciais (como gás de cozinha, energia, água e outros produtos) para famílias de baixa renda. |
| Imposto sobre heranças e doações | Aumento da alíquota do imposto sobre heranças e doações, com a proposta de uma taxação progressiva, que aumenta conforme o valor da herança. |
| Produtos com Alíquota Zero | Isenção tributária para produtos considerados essenciais, como alimentos básicos e produtos de higiene, visando reduzir o impacto sobre o consumidor final. |
| Nova categoria de nanoempreendedores | Criação de uma categoria especial para pequenos empreendedores com faturamento inferior a R$ 40.500, que terão tributação simplificada e reduzida, com a possibilidade de isenção de impostos. |
| Tributação sobre comércio digital | Proposta de regulamentação da tributação sobre compras online do exterior, em canais como Shein, Shopee e AliExpress. |
| “Imposto do pecado” | Imposto seletivo maior sobre itens nocivos à saúde ou ao meio ambiente, como cigarro, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e carros à combustão. |
Prepare sua empresa para as mudanças. Baixe o e‑book Guia Avançado da Reforma Tributária e aprofunde-se em como as novas regras impactam seu negócio e como adaptar seus sistemas fiscais.
A nova Reforma Tributária foi aprovada?
Quais os benefícios da Reforma Tributária?
Ao entender o que é a Reforma Tributária e considerar as propostas do novo sistema, a expectativa para um sistema tributário mais transparente é um dos principais destaques. A ideia é que as cobranças sejam mais claras.
Segundo o relatório do Movimento Brasil Competitivo, divulgado pela Secretaria de Comunicação Social do governo, organizações devem economizar até R$28,1 bilhão anualmente com a redução do tempo investido para calcular tributos e com o pagamento de impostos sobre consumo.
Outros possíveis pontos positivos são esperados como reflexo das mudanças, como:
- Impulso para o crescimento da economia nacional;
- Ganho de eficiência fiscal e maior previsibilidade tributária;
- Simplificação dos trâmites burocráticos necessários para pagamento de impostos;
- Espaço para focar em ações mais estratégicas para o desenvolvimento da empresa;
- Possibilidade de ganho de competitividade para as empresas, tanto no mercado interno quanto no externo.
O que muda com a Reforma Tributária e quais efeitos são esperados?
O setor fiscal precisa estar preparado para as mudanças da Reforma Tributária, que terá um modelo de transição de difícil operacionalização para as empresas.
Nesse contexto, é importante entender os possíveis efeitos das alterações no sistema tributário brasileiro, como:
- Necessidade de um modelo flexível de motor de cálculo, capaz de se adequar as exceções e ao modelo de transição;
- Ajustes nos modelos de documentos eletrônicos para garantir o envio correto da nova tributação, incluindo adaptações no envio de dados para a SEFAZ (Secretaria da Fazenda e Planejamento);
- Mudanças na apuração para adaptar-se ao modelo de compensação de crédito entre tributos e novas formas de cobrança e recolhimento dos tributos;
- Atenção à nova estrutura alfanumérica de novos CNPJs, a partir de julho de 2026.
Vale destacar que, durante 2026, o novo modelo tributário começará a ser testado na prática. O objetivo do governo é analisar a viabilidade das alíquotas e das regras definidas.
A partir de 2027 a Reforma Tributária começa a entrar em produção e terá um período de transição do sistema atual para o novo modelo.
Quais os prazos da Reforma Tributária?

A Reforma Tributária brasileira foi desenhada com um longo período de transição, que se estende até 2033. Essa transição acontece em etapas bem definidas, permitindo que empresas, governos e sistemas se adaptem progressivamente ao novo modelo de tributação sobre o consumo.
Veja os principais marcos do cronograma da Reforma Tributária:
- 2024 a 2025: fase de regulamentação e preparação do novo sistema, com aprovação das leis complementares e definição das regras gerais de funcionamento dos novos tributos.
- 2026: início da fase prática de transição. A CBS e o IBS passam a integrar os documentos fiscais em caráter de teste, com alíquotas reduzidas (CBS de 0,9% e IBS de 0,1%), sem recolhimento efetivo e sem aplicação de penalidades nos primeiros meses. Esse período tem caráter educativo e operacional, voltado à adaptação de sistemas e processos.
- 2027: extinção do PIS e da COFINS e entrada em vigor efetiva da CBS. Também é instituído o Imposto Seletivo (IS). O IPI passa a ter alíquota zero, com exceção dos produtos da Zona Franca de Manaus.
- 2029 a 2032: fase de transição escalonada para estados e municípios, com redução gradual das alíquotas do ICMS e do ISS. Em 2029, esses tributos passam a representar 90% das alíquotas originais, caindo para 80% em 2030 e seguindo progressivamente até atingir 60% em 2032.
- 2033: consolidação completa do novo sistema tributário, com a extinção definitiva dos tributos antigos e plena vigência da CBS e do IBS como impostos sobre o consumo no país.
No aspecto institucional, a Reforma Tributária também avançou. O Projeto de Lei Complementar nº 108/2024, que trata da criação e do funcionamento do Comitê Gestor do IBS, foi aprovado pelo Congresso Nacional e seguiu para sanção presidencial em janeiro de 2026.
Com isso, ficam estabelecidas as regras de governança, arrecadação, distribuição das receitas e fiscalização do IBS entre estados e municípios.
Esse avanço reforça que 2026 marca não apenas o início técnico da transição, mas também um novo estágio de maturidade da Reforma Tributária, no qual as regras deixam de ser apenas projetadas e passam a operar, ainda que de forma gradual.
Prorrogação do prazo para aplicação de penalidades
Com o início da fase de transição da Reforma Tributária em janeiro de 2026, o governo definiu um período oficial de adaptação sem aplicação de penalidades relacionadas ao destaque do IBS e da CBS nos documentos fiscais. De acordo com as regras divulgadas pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS, esse intervalo pode chegar a até quatro meses após a publicação dos regulamentos específicos desses tributos.
Na prática, isso significa que, durante esse período inicial, não há aplicação automática de multas nem rejeição de notas fiscais em razão de falhas no preenchimento ou no destaque do IBS e da CBS.
A estimativa mais adotada pelo mercado é que essa fase de adaptação se estenda, aproximadamente, até abril de 2026, caso os regulamentos sejam publicados em janeiro.
A prorrogação não elimina a obrigatoriedade do novo modelo, mas cria uma janela para ajustes técnicos, atualização de sistemas e adequação de processos fiscais.
Passado esse prazo, as regras passam a ser exigidas de forma plena, com possibilidade de penalidades em caso de não conformidade, o que reforça a importância de utilizar o período de transição de forma estratégica.
Preparação para as mudanças: dicas e estratégias para empresas
Agora que você já sabe o que é a reforma tributária, quais são as mudanças propostas e como ela deve impactar o seu dia a dia, é importante saber como se preparar para esse novo cenário.
- Invista em capacitação: treine a equipe fiscal e contábil para garantir que todos compreendam as novas regras tributárias e estejam preparados para lidar com a transição;
- Acompanhe a regulamentação: a reforma ainda está em fase de implementação, e novas definições podem surgir. Por isso, é importante manter-se informado sobre as leis complementares e outras atualizações;
- Revise os impactos no seu negócio: analise de forma aprofundada como as mudanças tributárias afetam sua empresa, considerando alterações na carga tributária, nas alíquotas aplicáveis e nas obrigações acessórias;
- Aprimore a gestão financeira: com um novo sistema tributário, o fluxo de caixa pode ser impactado. É importante elaborar um planejamento financeiro sólido para lidar com possíveis mudanças nos prazos e valores de recolhimento dos tributos;
- Adote soluções tecnológicas: investir em tecnologia é um passo essencial para tornar a transição mais eficiente e tranquila. Sistemas de gestão tributária atualizados ajudam a automatizar cálculos, acompanhar mudanças na legislação e garantir conformidade fiscal.
Reforma Tributária na TOTVS
De uma empresa brasileira para outra, a TOTVS entende o seu desafio de se adequar e seguir diversas normas tributárias.
Compreender o que é a Reforma Tributária e conhecer as mudanças de maneira mais detalhada é o primeiro passo para isso, mas é preciso ir além e estruturar a sua empresa para as adaptações.
No Brasil, mais de 2,36 normas tributárias são criadas a cada hora útil, segundo estudo do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação). Diante desse cenário complexo e importante da Reforma Tributária, também tem TOTVS para facilitar esse processo de transição na sua empresa.
Com os nossos sistemas e plataformas preparados para a transição tributária, você pode contar com a eficiência que você já conhece e a tranquilidade de estar em conformidade com as novas exigências fiscais.
Além disso, você consegue ficar por dentro de cada etapa da Reforma Tributária e a influência das mudanças no seu negócio no nosso espaço dedicado sobre legislação.
Lá, você pode se atualizar sobre todas as exigências em âmbito municipal, estadual e federal, além de análise dos impactos da Reforma em cada setor, facilitando a adequação da sua empresa aos requisitos do governo.
Conheça a página especial da TOTVS sobre a Reforma Tributária e garanta a conformidade da sua empresa com informações atualizadas.

Conclusão
Diante das transformações globais e das demandas por um ambiente de negócios mais ágil e eficiente, entender o que é a Reforma Tributária é um passo fundamental.
A reformulação do sistema tributário é uma medida crucial para posicionar o Brasil no cenário internacional, bem como garantir processos mais eficientes para a economia nacional.
Independente do cenário, o período de transição será muito importante para que as organizações consigam se estruturar e se adaptar ao novo sistema tributário.
Nesse contexto, é importante contar com a TOTVS, maior empresa de tecnologia do Brasil, que está preparada para apoiar as empresas na adequação à reforma, oferecendo tecnologias que simplificam a organização e a gestão fiscal neste cenário de mudanças. Se quiser continuar aprendendo mais, confira nosso conteúdo sobre planejamento tributário.
Deixe aqui seu comentário