Intercâmbio de informações de saúde, interoperabilidade e acesso de dados

Equipe TOTVS | Biblioteca | Uncategorized | 01 outubro, 2018
Uma das principais lacunas do sistema de saúde brasileiro diz respeito à digitalização dos sistemas hospitalares e dados clínicos.

De acordo com dados da pesquisa TIC Saúde 2014¹ realizada pelo Comitê Gestor da Internet (CGI.Br), 92% dos estabelecimentos privados de saúde analisados, utilizam sistemas eletrônicos para gerenciamento e armazenamento de informações de saúde do paciente, apenas 22% deles utilizam exclusivamente o formato eletrônico para o registro das informações nos prontuários do paciente, ou seja, mesmo em casos onde existem dados na rede, eles estão fragmentados, não havendo interface entre os agentes do ecossistema de serviços em saúde, afetando o aumento de eficiência e produtividade.

Sistemas Hospitalares e o Intercâmbio de informações.

Hoje as instituições de saúde ainda enfrentam dificuldades na integração entre os diversos sistemas internos, como o
Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), o Sistema de Informação Radiológica (RIS), o Sistema de Arquivamento e Comunicação de Imagens (PACS) e o Sistema de Gestão Empresarial (ERP).

A maturidade da tecnologia atual é altamente capaz de promover uma revolução na conectividade em massa e aperfeiçoamento no intercâmbio de informações de saúde disponíveis na rede de saúde, facilitando a gestão de dados da instituição e também da troca de informação entre entidades distintas.

Interoperabilidade + Padrões de Comunicação = Interoperabilidade Semântica

Um dos caminhos para impulsionar a troca de informações no segmento de saúde é através da interoperabilidade, a capacidade dos sistemas se comunicarem de forma transparente e inerente.

Para ter interoperabilidade é necessário a implementação de terminologias e padrões de comunicação em saúde, que permitam a transferência de dados clínicos e administrativos entre sistemas de informação.

Alguns dos padrões de interoperabilidade mais reconhecidos são:


Troca de Informação em Saúde Suplementar (TISS) e Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS) – São padrões nacionais de intercâmbio de informações entre Operadoras, Prestadores e a ANS para ações administrativas de verificação, solicitação, autorização, cobrança, demonstrativos de pagamento e recursos de glosas.

• PIX – Patient Identifier Cross-referencing HL7 V3 (PIXV3) – Possibilita que múltiplas aplicações distribuídas possam correlacionar informações sobre um único paciente a partir de fontes que conhecem este paciente por diferentes identificadores.

• PDQ – Patient Demographics Query HL7 V3 (PDQV3) – Possibilita que múltiplas aplicações distribuídas consultem os dados demográficos de pessoas armazenados num servidor central (no caso Brasileiro, o servidor do Cadastro Nacional de Usuários de SUS) a partir de um conjunto de dados demográficos pré-definidos.

• HL7 FHIR – Fast Healthcare Interoperability Resources – É o protocolo de comunicação mais avançado do HL7. O FHIR abrange um padrão que descreve formatos e elementos de dados específicos de saúde; um protocolo de troca eletrônica de informações de saúde utilizando APIs; e usa terminologias já reconhecidas internacionalmente.

• DICOM – Digital Imaging and Communications in Medicine – É o padrão internacional para imagens médicas e informações relacionadas.

• LOINC: Logical Observations, Identifiers, Names and Codes – É uma terminologia padronizada para identificar medidas, observações e documentos de saúde.

• CID-10:  A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde – Fornece códigos relativos à classificação de doenças, sintomas e morbidade.

• SNOMED CT: Systematized Nomenclature of Medicine, Clinical Terms – É a terminologia de saúde clínica multilíngue mais abrangente do mundo, ele permite uma representação consistente e processável do conteúdo clínico em registros de saúde eletrônicos.

Podemos perceber que cada padrão detalha um conceito especifico de saúde, assim os dados contêm um valor ontológico capaz de transmitir o conhecimento que um conjunto de dados organizados representam.

Somando o conceito de Interoperabilidade com as ontologias uniformizadas pelos padrões temos a interoperabilidade semântica, que é definida pela eficácia de um sistema receptor em compreender e interpretar os dados de forma idêntica ao sistema que gerou as informações, sem intermediação sistêmica ou manual.

Acesso de Dados de Saúde, Desafios e seus Benefícios. 

A tecnologia viabiliza a conexão de todos os elos do setor, integrando pacientes, médicos, hospitais e operadoras de planos de saúde, de forma simples e ágil, a qualquer hora e em qualquer lugar. Além dos desafios específicos das tecnologias, também há desafios éticos e regulatórios, com questões peculiares de governança de dados e usabilidade para cada agente do ecossistema de saúde.

Os benefícios das tecnologias da informação para a estruturação de um sistema de saúde baseado em um modelo digital e conectado mitigam muitos dos problemas de gestão e produtividade existentes hoje. Por exemplo a redução de custos desnecessários através do acesso aos exames já realizados recentemente, evitando a realização desnecessária; e mitiga riscos de agravamento do quadro clínico, pois os prestadores de saúde vão ter acesso às informações completas para um diagnóstico mais assertivo.

Fatalmente conectar todo o ecossistema de saúde é primordial para inovar e agregar valor no panorama atual, produzindo informações organizadas que contribuam para a tomada das melhores decisões do ponto de vista clinico e de gestão.

Fonte:

1)
http://cetic.br/media/docs/publicacoes/2/tic_saude_2014_livro_eletronico.pdf 

2) Capítulo 1 Art. 3º da Resolução Normativa – RN Nº 305, de 9 de outubro de 2012

3)
http://datasus.saude.gov.br/interoperabilidade/catalogo-de-servicos/141-interoperabilidade 

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